O Brasil assumiu o posto de campeão do ranking dos países com maiores juros reais do mundo em janeiro e, desde lá, só tem aumentado sua vantagem. Com a menor previsão de inflação futura, a taxa real (que traz descontada a variação dos preços) do Brasil pulou para 14,1% anuais. Em janeiro, os juros reais estavam em 11,9%.
A Hungria, que passou a Turquia e assumiu a segunda colocação, conta com taxa real de apenas 5,1% ao ano.
Para calcular os juros reais, a consultoria GRC Visão considera a atual taxa básica e desconta dela a projeção para a inflação nos próximos 12 meses.
O último boletim Focus, elaborado semanalmente pelo Banco Central, mostrou que a projeção mediana para o IPCA –índice que serve para monitorar a meta de inflação do governo– nos próximos 12 meses está em 4,97%, ante 5,07% há um mês.
Como a taxa básica (Selic) está parada em 19,75% anuais e as expectativas de inflação seguem em baixa, os juros reais acabam por crescer cada vez mais.
Esfriamento
O setor produtivo sempre olha a taxa real de juros na hora de planejar seus investimentos futuros. Quanto mais elevada estiver essa taxa, menos o cenário é aconselhável para investimentos.
Hoje, o Copom (Comitê de Política Monetária do BC) anuncia como fica a taxa Selic para os próximos 30 dias. A expectativa predominante no mercado é a de que a taxa básica será mantida no atual patamar.
“A tranqüilidade relacionada à inflação e a aparente moderação na atividade econômica forneceriam condições técnicas para que o Banco Central adotasse uma atitude mais flexível, ao decidir por uma queda na taxa Selic. Entretanto, conhecendo o histórico conservador do Banco Central, é de esperar que prevaleça uma posição mais cautelosa, mantendo a taxa inalterada”, afirma Silvio Campos Neto, economista do Banco Schahin.
Liderança garantida
Se for comparado o juro real do Brasil com o dos outros países emergentes que aparecem no levantamento da GRC Visão, a diferença das taxas é muito significativa. A média dos emergentes é de uma taxa real de apenas 2,1% anuais.
Daqui para o fim do ano, as apostas são que a taxa básica seja cortada no país. Mas a redução esperada é lenta e gradual, nada que chegue a abalar a liderança do Brasil como campeão mundial de juros elevados.
A expectativa média é que a Selic esteja em 18% no fim de 2005.
Para a LCA Consultores, há chances de a taxa Selic começar a ser reduzida a partir da reunião de agosto. A consultoria afirma acreditar na possibilidade de a Selic chegar ao fim do ano em 17%, ou seja, abaixo da média projetada pelo mercado.
Juros futuros
Ontem, as projeções futuras de juros pouco oscilaram no pregão da BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros). Isso demonstra que pouca gente se animou a mudar suas previsões para a reunião do Copom que termina hoje.
“Em relação à potencial reação do mercado, no caso mais provável de manutenção da Selic, a decisão do Copom deverá ser um não-evento”, diz a Modal Asset em relatório.
Fonte: Folha Online – FABRICIO VIEIRA
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