Diante da intransigência dos banqueiros em atender às reivindicações da categoria, as quais abrangem reajuste de 16% (incluindo 5,7% de aumento real), o Comando Nacional dos Bancários aprovou um calendário de mobilizações para pressionar os bancos, apontando greve a partir de 06 de outubro, orientação que será deliberada em assembleias dos trabalhadores no dia 01 de outubro em todo o País.
“A Fenaban está empurrando os bancários para a greve”, afirmou Roberto Von der Osten, presidente da Contraf-CUT e um dos coordenadores do Comando Nacional dos Bancários. “Essa proposta rebaixada vem justamente do setor que lucrou R$ 36,3 bilhões somente no primeiro semestre deste ano, com um crescimento de 27,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Setores que estão em crise, com retração de produção e vendas, fizeram propostas melhores. Então, só podemos dizer que é uma irresponsabilidade dos bancos”, completou.
“Essa proposta, a pior dos últimos anos, é um total desrespeito à categoria e orientamos sua rejeição nas assembleias que acontecerão em 01 de outubro, em todo o Brasil, com indicativo de greve a partir do dia 06”, disse a vice-presidenta da Contraf-CUT, Juvandia Moreira. “E o desrespeito não é só com os bancários, mas com toda a sociedade, já que o setor vai levar os trabalhadores a uma paralisação nacional, mesmo estando em pleno ganho”, critica a dirigente, que também é uma das coordenadoras do Comando Nacional dos Bancários.
Proposta da Fenaban
> Reajuste de 5,5% (representa perda de 4% para os bancários em relação à inflação de 9,88%).
Piso portaria após 90 dias – R$ 1.321,26
Piso escritório após 90 dias – R$ 1.895,25
Piso caixa/tesouraria após 90 dias – R$ 2.560,23
> Participação nos Lucros e Resultados
Regra básica: 90% do salário mais R$ 1.939,08, limitado a R$ 10.402,22.
Se o total ficar abaixo de 5% do lucro líquido, salta para 2,2 salários, com teto de R$ 22.884,87.
Parcela adicional: 2,2% do lucro líquido dividido linearmente para todos, limitado a R$ 3.878,16.
> Antecipação da PLR
Primeira parcela depositada até dez dias após assinatura da Convenção Coletiva de Trabalho e pagamento final até 01/03/2016.
Regra básica: 54% do salário mais fixo de R$ 1.163,44, limitado a R$ 6.241,33 e ao teto de 12,8% do lucro líquido (o que ocorrer primeiro).
Parcela adicional: 2,2% do lucro líquido do primeiro semestre de 2015, limitado a R$ 1.939,08.
> Auxílio-refeição de R$ 27,43 ao dia.
> Auxílio-cesta alimentação e 13ª cesta de R$ 454,87.
> Auxílio-creche/babá (filhos até 71 meses) de R$ 378,56.
> Auxílio-creche/babá (filhos até 83 meses) de R$ 323,84.
> Gratificação de compensador de cheques de R$ 147,11.
> Requalificação profissional de R$ 1.294,49.
> Auxílio-funeral de R$ 868,58.
> Indenização por morte ou incapacidade decorrente de assalto de R$ 129.522,56
> Ajuda deslocamento noturno de R$ 90,67.
Reivindicações dos bancários
> Reajuste salarial de 16% (incluindo reposição da inflação mais 5,7% de aumento real).
> PLR de 3 salários mais R$7.246,82
> Piso de R$3.299,66 (equivalente ao salário mínimo do Dieese).
> Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá de R$788,00 ao mês para cada (salário mínimo nacional).
> Melhores condições de trabalho, com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoecem os bancários.
> Mais emprego, com fim das demissões, mais contratações, fim da rotatividade e combate às terceirizações diante dos riscos de aprovação do PLC 30/15 no Senado Federal, além da ratificação da Convenção 158 da OIT, que coíbe dispensas imotivadas.
> Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS) para todos os bancários.
> Auxílio-educação com pagamento para graduação e pós.
> Prevenção contra assaltos e sequestros.
> Igualdade de oportunidades, com o fim às discriminações nos salários e na ascensão profissional de mulheres, negros, gays, lésbicas, transexuais e pessoas com deficiência (PCDs).
“Fica claro que os bancos querem abandonar os ciclos de valorização do trabalho bancário, que acumula onze anos de ganho real. E pretendem fazer esta mudança sem que tenha acontecido nenhuma redução dos seus lucros ou crise no setor. Isso é incompreensível para os trabalhadores que até adoecem para cumprir metas e produzir lucros fabulosos para os bancos. E a nossa resposta indignada vai ser dura”, finalizou Roberto von der Osten.
Fonte: Contraf-CUT