Já há algum tempo a diretoria do Banco Central (BC) tem dado mostras de desfaçatez inéditas no mercado financeiro – área em que os melhores se pautam por comportamento discreto e análises técnicas.
No final do ano passado, o Diretor de Política Monetária Mário Torós e o de Política Econômica Mário Mesquita cometeram a imprudência de, em pleno período de tensão do mercado com a crise, darem entrevistas em “off” – isto é, sem revelar o nome, com as declarações sendo atribuídas a “fontes do BC”- ameaçando se demitirem se a Fazenda adotasse determinadas medidas.
Foram desautorizados publicamente pelo presidente do BC, Henrique Meirelles. Mereciam uma denúncia à polícia, por ameaça de perturbação da ordem econômica.
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Agora, em mais um lance inacreditável, concederam ao jornal “Valor Econômico” entrevistas contando o que ocorreu com o mercado após a crise de outubro do ano passado.
Houve uma corrida bancária perigosa, que obrigou o BC a injetar bilhões de dólares na economia para conter, flexibilizar o compulsório dos bancos (a parcela dos depósitos que os bancos são obrigados a manter no BC), criar linhas emergenciais para permitir a bancos maiores adquirirem bancos menores.
Por pouco, não se desemboca em uma crise bancária cujo epicentro era a falta de informações sobre as empresas que tinham aplicado no mercado de “derivativos” (altamente especulativos). Sem saber o que ocorria, o crédito estancou. Grandes empresas, mesmo aquelas altamente sólidas – como a Petrobras – da noite para o dia tiveram que recorrer a operações emergenciais para manter a roda girando.
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Tudo isso ocorreu devido à profunda irresponsabilidade com que o governo Lula – no seu braço Banco Central – tratou da questão cambial.
Desde dezembro de 2007, aqui se alertava para a imprudência de permitir a valorização imprudente do Real; desde meados do primeiro semestre de 2008 alertava-se para a imprudência em dobro do BC estimular operações especulativas com o câmbio.
Tratava-se do “swap reverso”, uma operação em que em uma ponta ficava o BC e na outra grandes empresas exportadoras ou financeiras. Cada vez que o real valorizava, essas empresas perdiam dinheiro com exportações. Para compensá-las, o BC instituiu o tal “swap reverso”, um jogo de cartas marcadas que permitia às empresas lucrar no mercado financeiro com a valorização do real – com o BC pagando a conta.
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Os prejuízos do BC com essa jogatina chegaram a US$ 10 bilhões apenas em 2008. Em junho, alertei aqui que se houvesse qualquer crise que invertesse a mão do câmbio, explodiria uma crise sistêmica no mercado.
Foi o que ocorreu. De repente, as maiores empresas brasileiras viram-se encalacradas com essas jogadas. Como o BC não tinha controle sobre quem jogara e quanto jogara, o mercado inteiro parou. Levou meses para que houvesse uma estabilização no mercado.
O País foi salvo pela ação decisiva do Ministério da Fazenda e do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social). Nada ocorreu com os aventureiros do BC.
Do Último Segundo – Coluna Econômica 16/11/2009.
Por Luis Nassif.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.luisnassif.com.br.
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14/11/2009 – 10:21
A casa da mãe Joana do BC
Do Estadão
Torós abre crise no Banco Central
Fernando Nakagawa
Uma entrevista concedida pelo diretor de Política Monetária, Mário Torós, ao jornal Valor Econômico abriu uma crise no Banco Central (BC). Responsável pela administração de mais US$ 230 bilhões em reservas internacionais, e pelas operações no mercado de câmbio, Torós descreveu bastidores da atuação do BC durante a crise, nomes de bancos que sofreram saques e o ataque especulativo contra o real.
Torós já havia manifestado interesse em deixar o BC. Agora sua saída deverá ser apressada, segundo fontes de mercado. Segundo as fontes, Torós desrespeitou a hierarquia ao tratar de temas que dizem respeito ao presidente do banco, Henrique Meirelles, e revelou informações que não são públicas.
O interesse de Torós, ainda segundo essas fontes, teria sido chamar a atenção para seu papel no enfrentamento da crise, num momento em que define seu futuro profissional. Procurada pela reportagem do Estado, a assessoria de imprensa do BC informou que Torós não iria comentar a reportagem.
A assessoria de imprensa limitou-se a informar que “as declarações atribuídas ao diretor de Política Monetária, Mário Toros, pelo jornal Valor Econômico traduzem uma avaliação de caráter pessoal. O Banco Central não fará comentários a respeito”.
A substituição de Torós não é uma tarefa fácil. Depende da difícil escolha de um nome para sucedê-lo. Além da responsabilidade de gerir as operações de câmbio, há dúvidas sobre a futura linha de atuação do BC.
Torós é considerado um diretor da ala mais ortodoxa do BC, junto com Mário Mesquita, diretor de Política Monetária. Torós e Mesquita são também, além do presidente Henrique Meirelles, os únicos membros da diretoria que vieram da iniciativa privada.
O nome do eventual sucessor de Torós dirá se haverá ou não mudança na atuação do banco. A definição é ainda mais sensível porque Meirelles estuda se vai ou não se desligar do BC para se candidatar a algum cargo nas eleições de 2010. Também se especula que Mesquita está de saída.
A entrevista de Torós provocou polêmica porque tratou de temas sensíveis ao BC. Segundo a reportagem, em outubro de 2008, o Brasil viveu uma corrida bancária. Em poucos dias, R$ 40 bilhões migraram dos pequenos e médios bancos para as grandes instituições.
Segundo Torós, empresas e bancos perderam US$ 10 bilhões por apostas malsucedidas no mercado futuro e um grande fundo de investimentos estrangeiro usou US$ 5 bilhões para especular contra o Brasil – o jornal cita o americano Moore Capital Management.
A reportagem cita que os bancos Votorantim e Safra sofreram saques. A suspeita dos clientes era que o Votorantim poderia ter sofrido com os derivativos financeiros do grupo e o Safra por ter ações da Aracruz. Posteriormente, o Banco do Brasil comprou 50% do banco Votorantim.
Comentário
Torós sabia que, quando todos os fatos fossem conhecidos, sua atuação irresponsável seria desmascarada. Saiu antes, atirando. Esses tolos deslumbrados, que nunca avançaram além das planilhas – como ele e Alexandre Schwartsman – tentam compensar a fragilidade das idéias com retórica forte.
Como, com raras exceções, tem-se uma imprensa mal informada, amadora, que se guia por slogans, é possível que o baixo nível do Alexandre possa ser revezado, agora, com o de Torós.
Aliás, o guru máximo de Torós era o Luiz Carlos Mendonça de Barros – que deixou o discípulo na mão ao se posicionar no mercado futuro de políticva econômica como crítico do câmbio apreciado.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.luisnassif.com.br.