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Cooperativa perde espaço para banco

A forte expansão do empréstimo com desconto em folha (ou consignado) está incomodando as cooperativas de crédito urbano, que há anos atendem aos funcionários de empresas públicas e privadas. Ao contrário das cooperativas de livre adesão, habitacionais e de micro e pequenos empresários, que não param de crescer, as de crédito urbano vivem uma crise que, na verdade, já vinha de alguns anos, mas se aprofundou com a concorrência dos bancos.

Entre 2003 e 2004 – período em que o crédito consignado recebeu nova regulamentação e deslanchou -, o volume de depósitos caiu quase 15%, para R$ 7,4 bilhões, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). As operações de crédito cresceram apenas 5,3%, para R$ 6 bilhões. Segundo o Banco Central, três cooperativas fecharam em 2004: a dos empregados da indústria de eletrodomésticos Arno, a dos trabalhadores em Confecções do Vestuário do Vale do Piranga e a dos Empregados em Empresas do Setor de Telecomunicações no Estado de São Paulo (Credfone).

Marcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, nega que as cooperativas estejam perdendo espaço para os bancos, mas confirma que existe uma “briga” com algumas estatais que não autorizaram o desconto em folha pelas cooperativas de seus trabalhadores, mas autorizaram os bancos públicos. A OCB reúne dois milhões de associados.

As cooperativas de crédito urbano perderam grande número de associados em meados dos anos 90 por conta da privatização de estatais e o desemprego que atingiu a indústria, serviços e comércio. Um caso típico é o da CobanLight, que já foi uma das maiores do país, com quase 15 mil associados no início dos anos 80 e hoje minguou para apenas 1,5 mil. Fundada em 1958, a CobanLight fazia crédito para todas as empresas que ligadas à multinacional de origem canadense. Ao longo do tempo, as empresas do grupo passaram por um processo de estatização e posterior “reprivatização”. Mas a CobanLight ficou e hoje ela atende os funcionários da Light, da companhia de gás CEG, das teles Embratel e Telemar e do Metrô do Rio.

Com as privatizações e o enxugamento dos orçamentos estaduais, estas empresas passaram por duros processos de ajustes, com a demissão de milhares de empregados e, dessa forma, o número de contribuintes para a cooperativa foi drasticamente reduzido. A Telerj (hoje Telemar) era uma das maiores contribuintes da cooperativa, com o maior contingente de funcionários associados. Hoje tem apenas 200 funcionários na conta da cooperativa.

“Nós trabalhamos com cotas de capital, onde o cooperado é dono e usuário do dinheiro”, explica Gilson Gavião, presidente da CobanLight. Com o enxugamento das empresas e a queda da renda dos trabalhadores, o capital minguou. Como a única fonte de captação de uma cooperativa é o depósito dos cooperados, à medida que perdia contribuintes, o capital foi escasseando e o custo subindo. No início dos anos 80, a CobanLight emprestava dinheiro a 2% ao mês, hoje cobra 5%. Gavião reconhece que é uma taxa muito alta. Como concorrer com os bancos que prometem 1,8% ao mês, 2%, no máximo 3% ao mês?

Há seis anos à frente da CobanLight, Gavião diz que reduziu ao máximo os custos para tentar manter as taxas de juros para os associados. Cortou a folha de pagamentos de 20 para 5 funcionários, cortou carros, informática, reduziu salários e acabou com um curso de inglês e francês oferecido aos associados a preços camaradas. Ainda assim, a CobanLight fechou o ano passado com R$ 1 milhão de prejuízo e este ano deve continuar no vermelho.

A maior parte das cooperativas ainda consegue cobrar taxas muito baixas, mas a concorrência dos bancos está tornando cada vez mais difícil a situação destas instituições. “Os bancos têm dinheiro a custo zero”, afirma Manoel Messias da Silva, presidente do Sicoob Central Cecresp, a central de cooperativas do Estado de São Paulo. “O banco pode ter qualquer um como cliente, nós estamos limitados aos associados. O banco pode captar recursos no exterior, nós não podemos”, queixa-se Dulciliam Correa Pereira, presidente da Cecremef, cooperativa de crédito dos empregados de Furnas. Dulciliam lembra também que os bancos cobram taxas baixas porém adicionam Taxas de Abertura de Crédito e IOF que acabam elevando o custo final do empréstimo – as cooperativas não cobram estas taxas.

A dificuldade trouxe à tona a necessidade de revisitar despesas e aumentar a eficiência. O custo de manutenção foi o que levou a Associação Nacional de Cooperativas de Crédito (ANCC) à dissidência Cecresp. A ANCC foi fundada há um ano por 13 cooperativas – entre elas as que atendem os funcionários da Sabesp, do Judiciário estadual, da Coca Cola e do Sesc – e até o final do ano poderá se transformar em uma nova central, garante Luis Eduardo de Paiva, presidente da entidade e superintendente da cooperativa da Sabesp (Cecres).

Paiva fez as contas e descobriu que se a Cecres estivesse filiada à Cecresp arcaria com um custo mensal da ordem de R$ 5 mil a R$ 6 mil, que servem para sustentar uma estrutura que, só em auditores, são 15 fixos. Com a ANCC, a cooperativa (que congrega 50 funcionários da empresa de saneamento do Estado) gasta apenas R$ 300 por mês. A idéia é que necessidade de serviços que deveriam ser prestados pela central – como auditoria, curso, consultorias, desenvolvimento técnico, informática, consultoria jurídica – seja suprida por contratações pontuais, através de licitação.

“A ANCC ficará só como gestora de contratos”, afirma o executivo. Com custos mais baixos, as cooperativas ligadas à entidade podem cobrar taxas de juros menores: “A idéia é trabalhar com custos menores”, diz Paiva. Ele garante que a Cecres consegue fazer empréstimos a juros de 1,75% ao mês fixos, com até 36 meses para pagar, enquanto muitas cooperativas cobram bem mais. Para o presidente da ANCC, as cooperativas precisam atentar para a questão dos custos, “senão vão perder do Bradesco”, diz o executivo. Messias, da Cecresp, nega que haja excesso de gastos e atribui as críticas de Paiva a questões políticas.

Fonte: Valor Econômico – Janes Rocha

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Cooperativa perde espaço para banco

A forte expansão do empréstimo com desconto em folha (ou consignado) está incomodando as cooperativas de crédito urbano, que há anos atendem aos funcionários de empresas públicas e privadas. Ao contrário das cooperativas de livre adesão, habitacionais e de micro e pequenos empresários, que não param de crescer, as de crédito urbano vivem uma crise que, na verdade, já vinha de alguns anos, mas se aprofundou com a concorrência dos bancos.
Entre 2003 e 2004 – período em que o crédito consignado recebeu nova regulamentação e deslanchou -, o volume de depósitos caiu quase 15%, para R$ 7,4 bilhões, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). As operações de crédito cresceram apenas 5,3%, para R$ 6 bilhões. Segundo o Banco Central, três cooperativas fecharam em 2004: a dos empregados da indústria de eletrodomésticos Arno, a dos trabalhadores em Confecções do Vestuário do Vale do Piranga e a dos Empregados em Empresas do Setor de Telecomunicações no Estado de São Paulo (Credfone).
Marcio Lopes de Freitas, presidente da OCB, nega que as cooperativas estejam perdendo espaço para os bancos, mas confirma que existe uma “briga” com algumas estatais que não autorizaram o desconto em folha pelas cooperativas de seus trabalhadores, mas autorizaram os bancos públicos. A OCB reúne dois milhões de associados.
As cooperativas de crédito urbano perderam grande número de associados em meados dos anos 90 por conta da privatização de estatais e o desemprego que atingiu a indústria, serviços e comércio. Um caso típico é o da CobanLight, que já foi uma das maiores do país, com quase 15 mil associados no início dos anos 80 e hoje minguou para apenas 1,5 mil. Fundada em 1958, a CobanLight fazia crédito para todas as empresas que ligadas à multinacional de origem canadense. Ao longo do tempo, as empresas do grupo passaram por um processo de estatização e posterior “reprivatização”. Mas a CobanLight ficou e hoje ela atende os funcionários da Light, da companhia de gás CEG, das teles Embratel e Telemar e do Metrô do Rio.
Com as privatizações e o enxugamento dos orçamentos estaduais, estas empresas passaram por duros processos de ajustes, com a demissão de milhares de empregados e, dessa forma, o número de contribuintes para a cooperativa foi drasticamente reduzido. A Telerj (hoje Telemar) era uma das maiores contribuintes da cooperativa, com o maior contingente de funcionários associados. Hoje tem apenas 200 funcionários na conta da cooperativa.
“Nós trabalhamos com cotas de capital, onde o cooperado é dono e usuário do dinheiro”, explica Gilson Gavião, presidente da CobanLight. Com o enxugamento das empresas e a queda da renda dos trabalhadores, o capital minguou. Como a única fonte de captação de uma cooperativa é o depósito dos cooperados, à medida que perdia contribuintes, o capital foi escasseando e o custo subindo. No início dos anos 80, a CobanLight emprestava dinheiro a 2% ao mês, hoje cobra 5%. Gavião reconhece que é uma taxa muito alta. Como concorrer com os bancos que prometem 1,8% ao mês, 2%, no máximo 3% ao mês?
Há seis anos à frente da CobanLight, Gavião diz que reduziu ao máximo os custos para tentar manter as taxas de juros para os associados. Cortou a folha de pagamentos de 20 para 5 funcionários, cortou carros, informática, reduziu salários e acabou com um curso de inglês e francês oferecido aos associados a preços camaradas. Ainda assim, a CobanLight fechou o ano passado com R$ 1 milhão de prejuízo e este ano deve continuar no vermelho.
A maior parte das cooperativas ainda consegue cobrar taxas muito baixas, mas a concorrência dos bancos está tornando cada vez mais difícil a situação destas instituições. “Os bancos têm dinheiro a custo zero”, afirma Manoel Messias da Silva, presidente do Sicoob Central Cecresp, a central de cooperativas do Estado de São Paulo. “O banco pode ter qualquer um como cliente, nós estamos limitados aos associados. O banco pode captar recursos no exterior, nós não podemos”, queixa-se Dulciliam Correa Pereira, presidente da Cecremef, cooperativa de crédito dos empregados de Furnas. Dulciliam lembra também que os bancos cobram taxas baixas porém adicionam Taxas de Abertura de Crédito e IOF que acabam elevando o custo final do empréstimo – as cooperativas não cobram estas taxas.
A dificuldade trouxe à tona a necessidade de revisitar despesas e aumentar a eficiência. O custo de manutenção foi o que levou a Associação Nacional de Cooperativas de Crédito (ANCC) à dissidência Cecresp. A ANCC foi fundada há um ano por 13 cooperativas – entre elas as que atendem os funcionários da Sabesp, do Judiciário estadual, da Coca Cola e do Sesc – e até o final do ano poderá se transformar em uma nova central, garante Luis Eduardo de Paiva, presidente da entidade e superintendente da cooperativa da Sabesp (Cecres).
Paiva fez as contas e descobriu que se a Cecres estivesse filiada à Cecresp arcaria com um custo mensal da ordem de R$ 5 mil a R$ 6 mil, que servem para sustentar uma estrutura que, só em auditores, são 15 fixos. Com a ANCC, a cooperativa (que congrega 50 funcionários da empresa de saneamento do Estado) gasta apenas R$ 300 por mês. A idéia é que necessidade de serviços que deveriam ser prestados pela central – como auditoria, curso, consultorias, desenvolvimento técnico, informática, consultoria jurídica – seja suprida por contratações pontuais, através de licitação.
“A ANCC ficará só como gestora de contratos”, afirma o executivo. Com custos mais baixos, as cooperativas ligadas à entidade podem cobrar taxas de juros menores: “A idéia é trabalhar com custos menores”, diz Paiva. Ele garante que a Cecres consegue fazer empréstimos a juros de 1,75% ao mês fixos, com até 36 meses para pagar, enquanto muitas cooperativas cobram bem mais. Para o presidente da ANCC, as cooperativas precisam atentar para a questão dos custos, “senão vão perder do Bradesco”, diz o executivo. Messias, da Cecresp, nega que haja excesso de gastos e atribui as críticas de Paiva a questões políticas.
Fonte: Valor Econômico – Janes Rocha

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