Valor Online
SÃO PAULO – As cooperativas de crédito já começam a avaliar o efeito da queda das taxas de juros sobre seus negócios. A Credicitrus, a maior cooperativa de crédito do Brasil, com 8 mil cooperados entre produtores agrícolas em municípios do interior de São Paulo (Limeira, Araraquara, Jales, São José do Rio Preto e Pirassununga) e R$ 260 milhões em empréstimos, já fez os cálculos, garante Siguetoci Matusita, gerente geral da instituição.
“Quando os juros chegarem a 12% ao ano, vamos começar a reduzir a distribuição de sobras (lucros) entre os cooperados”, diz Siguetoci Matusita. Ele explicou que este seria o ” Plano B ” para poder manter a estrutura atual de mais de 20 filiais e os serviços gratuitos. ” Mas, se cair abaixo disso talvez tenhamos que lançar mão (da cobrança) de tarifas ” .
A possibilidade de cobrança de tarifas também está na lista de opções da Credicopa, cooperativa de crédito dos comerciantes de Patos de Minas, município localizado no interior de Minas Gerais. Segundo explicou Juliano Merlotto, consultor especializado em cooperativas de crédito, sócio da ABM Consulting, o problema é que, enquanto os ” spreads ” (diferença entre o custo de captação e de empréstimos) bancários são escandalosos, as cooperativas de crédito têm vantagens competitivas ao conceder crédito.
Porém, diz o especialista da ABM, a tendência é de queda devido à redução da taxa de juros básica (Selic) e na hora em que esses ” spreads ” ficarem equivalentes, os bancos levam vantagem pela estrutura de serviços que oferecem.
“Hoje as cooperativas estão no azul e conseguem concorrer com os bancos porque suas taxas são menores que as dos bancos”, segundo o consultor. Além disso, os bancos podem se equiparar às cooperativas de crédito em alcance regional, estadual e municipal com os correspondentes bancários e o Banco Postal.
A ABM Consulting foi contratada pela Credicopa para fazer um planejamento estratégico da Cooperativa e prepará-la para uma expansão no novo ambiente de juros baixos. Com 1,8 mil cooperados, a Credicopa possui duas filiais, uma em Uberaba e outra em Araxá.
Nesse contexto, a abertura das cooperativas múltiplas (a vários públicos diferentes), aprovada pelo governo em junho, é fundamental para que elas ganhem escala, diz Merlotto.
Entretanto, esse não é o único desafio, diz o consultor. O ganho de escala tem que ser acompanhado de um amplo processo de profissionalização. ” A saída para muitas cooperativas é ganhar escala, reduzir custos operacionais, melhorar a eficiência, o marketing e o relacionamento com os clientes ” , acredita Merlotto.
“Muitas cooperativas vão ter que se reestruturar com a queda dos juros”, concorda Yusef George Nimer, superintendente da Credindústria, cooperativa ligada à Federação das Indústrias de Brasília (Fibra).
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Por Mhais• 10 de novembro de 2003• 09:50• Sem categoria
COOPERATIVA PODE TER QUE COBRAR TARIFAS DEVIDO À QUEDA DOS JUROS
Valor Online
SÃO PAULO – As cooperativas de crédito já começam a avaliar o efeito da queda das taxas de juros sobre seus negócios. A Credicitrus, a maior cooperativa de crédito do Brasil, com 8 mil cooperados entre produtores agrícolas em municípios do interior de São Paulo (Limeira, Araraquara, Jales, São José do Rio Preto e Pirassununga) e R$ 260 milhões em empréstimos, já fez os cálculos, garante Siguetoci Matusita, gerente geral da instituição.
“Quando os juros chegarem a 12% ao ano, vamos começar a reduzir a distribuição de sobras (lucros) entre os cooperados”, diz Siguetoci Matusita. Ele explicou que este seria o ” Plano B ” para poder manter a estrutura atual de mais de 20 filiais e os serviços gratuitos. ” Mas, se cair abaixo disso talvez tenhamos que lançar mão (da cobrança) de tarifas ” .
A possibilidade de cobrança de tarifas também está na lista de opções da Credicopa, cooperativa de crédito dos comerciantes de Patos de Minas, município localizado no interior de Minas Gerais. Segundo explicou Juliano Merlotto, consultor especializado em cooperativas de crédito, sócio da ABM Consulting, o problema é que, enquanto os ” spreads ” (diferença entre o custo de captação e de empréstimos) bancários são escandalosos, as cooperativas de crédito têm vantagens competitivas ao conceder crédito.
Porém, diz o especialista da ABM, a tendência é de queda devido à redução da taxa de juros básica (Selic) e na hora em que esses ” spreads ” ficarem equivalentes, os bancos levam vantagem pela estrutura de serviços que oferecem.
“Hoje as cooperativas estão no azul e conseguem concorrer com os bancos porque suas taxas são menores que as dos bancos”, segundo o consultor. Além disso, os bancos podem se equiparar às cooperativas de crédito em alcance regional, estadual e municipal com os correspondentes bancários e o Banco Postal.
A ABM Consulting foi contratada pela Credicopa para fazer um planejamento estratégico da Cooperativa e prepará-la para uma expansão no novo ambiente de juros baixos. Com 1,8 mil cooperados, a Credicopa possui duas filiais, uma em Uberaba e outra em Araxá.
Nesse contexto, a abertura das cooperativas múltiplas (a vários públicos diferentes), aprovada pelo governo em junho, é fundamental para que elas ganhem escala, diz Merlotto.
Entretanto, esse não é o único desafio, diz o consultor. O ganho de escala tem que ser acompanhado de um amplo processo de profissionalização. ” A saída para muitas cooperativas é ganhar escala, reduzir custos operacionais, melhorar a eficiência, o marketing e o relacionamento com os clientes ” , acredita Merlotto.
“Muitas cooperativas vão ter que se reestruturar com a queda dos juros”, concorda Yusef George Nimer, superintendente da Credindústria, cooperativa ligada à Federação das Indústrias de Brasília (Fibra).
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