Cresce o sistema de livre adesão
O sistema de crédito cooperativo está ganhando novos contornos, após um processo de reorganização induzido pelo Banco Central a partir do fim de 2002. Ao mesmo tempo em que se expandem as cooperativas formadas por empresários e microempresários e as de livre adesão – viabilizadas por normas editadas em 2002 e 2003 -, o sistema perdeu espaço em seu mercado tradicional, os empregados de empresas privadas, na concorrência com os bancos que oferecem crédito consignado.
Nestes três anos e meio, o BC já autorizou a constituição de 44 cooperativas de empresas e microempresas, organizadas em parceria com entidades como Sebrae, Ciesp, câmaras de diretores lojistas e associações comerciais por todo país. Outras 40 estão em análise para aprovação. Mas é nas cooperativas de livre adesão que se esboça o novo formato do sistema para os próximos anos.
Até 2003, as cooperativas só podiam atuar com grupos de trabalhadores de uma mesma empresa. Uma série de Resoluções do BC, editadas desde o fim de 2002, mudou as regras e criou a possibilidade de adesão por qualquer tipo de pessoas físicas e jurídicas, de grupos distintos, desde que atuem em municípios com no máximo 300 mil habitantes. As de microempresários também saíram desta nova regulamentação, assim como a imposição de restrições como a obrigatoriedade de afiliação a uma central, contratação de auditorias e limites de exposição por cliente, em uma iniciativa visando sanear e tornar o setor mais transparente e equilibrado financeiramente.
O modelo de livre adesão deu partida a um processo de fusões e incorporações entre as cooperativas de crédito pequenas. De junho de 2003 a abril de 2006, o BC registra o surgimento de 248 novas cooperativas sendo 110 resultado de fusões ou transformações de antigas em novas. As demais 128 são realmente novas e trouxeram para o sistema categorias que antes não tinham cooperativa como advogados, despachantes, corretores de seguros e panificadores.
“A tendência é de ampliação do número de associados, de postos de atendimento e volume de depósitos e de crédito”, analisa Luiz Edson Feltrim, chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC. A previsão já está se confirmando. O número de cooperativas voltou a aumentar, totalizando 1.439 em 2005, maior que os 1.436 de 2004 mas ainda menor que os 1.454 de 2003. O número de cooperados continuou em alta e atingiu 2,8 milhões em 2005. Desde o ano passado, o número de postos de atendimento cresceu 1,684 mil para 2,135 mil.
Mas ao mesmo tempo, diz Feltrim, “a expectativa é que, com um cenário de estabilidade (econômica) e redução dos juros, o número de cooperativas tende a se reduzir para ganhar escala”. No conjunto das cooperativas há pelo menos cem que, pelos cálculos de Feltrim, vão acabar fechando ou se fundindo a outras, já que foram autorizadas a operar mas estão paralisadas.
As cooperativas de crédito estão agrupadas em quatro grandes sistemas. Os maiores, Sicoob e Sicredi, controlam 80% destas agremiações, e movimentam R$ 15,3 bilhões aproximadamente (R$ 8,2 bilhões do Sicoob e R$ 7,1 bilhões no Sicred). O restante está distribuído entre a Unicred (dos médicos da Unimed), a Confederação Brasileira de Cooperativas de Crédito (Confebrás) e a AncoSol (de pequenos produtores rurais). É um setor extremamente pulverizado em pequenas instituições, sendo que 70% delas têm patrimônio até R$ 1 milhão. Elas estão concentradas nas Regiões Sudeste (55%) e Sul (20%) e respondem por apenas 2,5% das operações de crédito e 1,6% dos depósitos do Sistema Financeiro Nacional” equivalentes a R$ 9,5 bilhões e R$ 10,3 bilhões, respectivamente.
No último ano, só no Sicoob foram registradas 30 novas cooperativas de empresários e 46 de livre admissão. “O Paraná foi pioneiro na constituição de cooperativas de empresários. Em São Paulo, já estão funcionando as de Franca, Araraquara, Mogi Guaçu, São Carlos e Santa Cruz das Palmeiras. Inauguramos recentemente a de Campinas e em breve vamos inaugurar as de Santo André, Ribeirão Preto, Cabreúva e Piracicaba”, descreve Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo).
Ainda assim, o Sicoob viu diminuir em 19 (de 694 para 675) o número de associadas, com o fechamento, fusão ou venda de cooperativas. “Há uma tendência de fusões entre as cooperativas. Com o advento da livre admissão, fica sem sentido ter três cooperativas em uma única cidade, por exemplo”, explica o superintendente do Sicoob Brasil, Marco Aurélio Almada. Segundo Almada, das 19 cooperativas fechadas, “oito a dez” foram fundidas a outras.
Para Fabrício Royer, superintendente da Central Sicredi São Paulo, a livre adesão é o modelo mais adequado para garantir a expansão da cooperativa de crédito. “Se você atua em um único segmento, fica dependente daquele setor. Se o setor vai mal, a cooperativa também vai mal. Cria um risco setorial”, diz. O sistema Sicredi tem 126 cooperativas, um milhão de associados e mil unidades de atendimento.
Flexibilização das regras garantiu a sobrevivência
A primeira cooperativa de livre adesão do país, a Crediçúcar, de Santa Cruz das Palmeiras (SP), saiu do capital inicial de R$ 50 mil em abril de 2004 para R$ 1,386 milhão no balancete de maio de 2006. Apoiada a princípio pelo grupo Dedini, hoje ela se sustenta sozinha com R$ 6,7 milhões em depósitos e R$ 6,15 milhões em empréstimos e ainda tem uma “sobra” de R$ 273 mil.
Apesar do nome, os clientes da Crediçúcar têm hoje pouco a ver com a indústria de cana, álcool e açúcar. Vão de empresários a empregadas domésticas, advogados e cortadores de cana e estão também nas cidades vizinhas de Casa Branca e Vargem Grande do Sul. A região, que fica a cerca de 250 km da capital São Paulo, reúne aproximadamente 85 mil habitantes.
“Não conseguimos captar o suficiente para atender a demanda, mas entendemos que o crescimento tem que ser adequado para liberar empréstimos de forma segura”, afirma Umberto Marcomini, gerente técnico da cooperativa.
Segundo ele, a Crediçúcar está agora trabalhando em um projeto em parceria com a associação comercial da região para dar financiamento a um grupo de cabeleireiras que querem montar salões de beleza.
Com o apoio do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), que entrou com um capital inicial de R$ 300 mil, a cooperativa de crédito Sicredi Ciesp ABCD abriu as portas em setembro de 2004 com a proposta de ser uma alternativa de financiamento às milhares de microempresas da região do ABCD, centro das montadoras de automóveis de São Paulo. A cooperativa, que começou com apenas 29 associados, hoje tem 300, empresta R$ 4 milhões por mês, administra R$ 6 milhões em depósitos à vista e à prazo e passou a vender seguros, cartões de crédito e planos de previdência em parceria com a Mapfre, Visa e Icatu Hartford.
Dos 300 cooperados, 120 são pessoas jurídicas com faturamento até R$ 12 milhões anuais. O restante são pessoas físicas – os próprios microempresários da região. Suas linhas de capital de giro custam de 2,3% a 2,7% ao mês e a cooperativa se arma para, no futuro, quando estiver maior em patrimônio, poder se candidatar às linhas do Finame/BNDES. “Temos crescido acima da expectativa porque temos taxas (de crédito) melhores que as do mercado e remuneramos bem os aplicadores”, explica Cesar Garbus, presidente da Sicoob Ciesp ABCD. (JR)
Juro baixo e isenção de IOF são os maiores atrativos
Juros e tarifas mais reduzidas em comparação com os praticados pelos bancos e a isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) são os grandes atrativos das cooperativas de crédito. Enquanto as linhas de crédito para capital de giro nos bancos custam em média 36,2% ao ano (segundo dados do Banco Central), nas cooperativas baixam para 27% (média do sistema Sicredi).
O financiamento rotativo do cartão de crédito, que nos bancos custa no mínimo 8% ao mês, nas cooperativas custa 5%. Mas os bancos conseguiram competir no crédito pessoal onde as linhas do empréstimo com desconto em folha (consignado) custam de 1,5% a 3% ao mês, o mesmo que nas cooperativas. Ao oferecer um “pacote” de consignado para os funcionários com vantagens de crédito e tarifas para as empresas, os bancos conseguiram não só tirar a folha de pagamentos das cooperativas mas também fechar algumas delas.
No sistema Sicoob, das 19 cooperativas fechadas nos últimos três anos, pelo menos duas delas foram fulminadas pela concorrência com o crédito consignado dos bancos, a da indústria de eletrodomésticos Arno, que tinha 1,2 mil participantes, da Fundação Rotarianos (com cerca de 700 sócios).
“Não estamos mais constituindo nenhuma cooperativa de empregados porque os bancos tomaram esse nicho”, afirma Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo).. “As cooperativas levaram cem anos para fazer R$ 20 bilhões em empréstimos, enquanto os bancos, em apenas três anos chegaram a R$ 36 bilhões”, reconhece Messias. (JR)
Cooperativas perdem disputa do consignado
A explosão do empréstimo com desconto em folha fulminou várias cooperativas de crédito. Cobrando juros de 1,5% a 3% ao mês no consignado, os bancos igualaram as boas condições oferecidas pelas cooperativas e desempataram o jogo, oferecendo outros produtos. “As cooperativas levaram cem anos para fazer R$ 20 bilhões em empréstimos, enquanto os bancos chegaram a R$ 36 bilhões, em apenas três anos”, disse Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp. As cooperativas tentam recuperar espaço com as novas estruturas regulamentadas entre 2002 e 2003. Desde então, o BC já autorizou a constituição de 44 cooperativas de empresas e microempresas; e outras 40 estão em análise. Além disso, surgiram 248 novas associações de livre adesão.
Fonte: Valor Online
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Por Mhais• 19 de junho de 2006• 11:29• Sem categoria
Cooperativas – Cresce o sistema de livre adesão
Cresce o sistema de livre adesão
O sistema de crédito cooperativo está ganhando novos contornos, após um processo de reorganização induzido pelo Banco Central a partir do fim de 2002. Ao mesmo tempo em que se expandem as cooperativas formadas por empresários e microempresários e as de livre adesão – viabilizadas por normas editadas em 2002 e 2003 -, o sistema perdeu espaço em seu mercado tradicional, os empregados de empresas privadas, na concorrência com os bancos que oferecem crédito consignado.
Nestes três anos e meio, o BC já autorizou a constituição de 44 cooperativas de empresas e microempresas, organizadas em parceria com entidades como Sebrae, Ciesp, câmaras de diretores lojistas e associações comerciais por todo país. Outras 40 estão em análise para aprovação. Mas é nas cooperativas de livre adesão que se esboça o novo formato do sistema para os próximos anos.
Até 2003, as cooperativas só podiam atuar com grupos de trabalhadores de uma mesma empresa. Uma série de Resoluções do BC, editadas desde o fim de 2002, mudou as regras e criou a possibilidade de adesão por qualquer tipo de pessoas físicas e jurídicas, de grupos distintos, desde que atuem em municípios com no máximo 300 mil habitantes. As de microempresários também saíram desta nova regulamentação, assim como a imposição de restrições como a obrigatoriedade de afiliação a uma central, contratação de auditorias e limites de exposição por cliente, em uma iniciativa visando sanear e tornar o setor mais transparente e equilibrado financeiramente.
O modelo de livre adesão deu partida a um processo de fusões e incorporações entre as cooperativas de crédito pequenas. De junho de 2003 a abril de 2006, o BC registra o surgimento de 248 novas cooperativas sendo 110 resultado de fusões ou transformações de antigas em novas. As demais 128 são realmente novas e trouxeram para o sistema categorias que antes não tinham cooperativa como advogados, despachantes, corretores de seguros e panificadores.
“A tendência é de ampliação do número de associados, de postos de atendimento e volume de depósitos e de crédito”, analisa Luiz Edson Feltrim, chefe do Departamento de Organização do Sistema Financeiro do BC. A previsão já está se confirmando. O número de cooperativas voltou a aumentar, totalizando 1.439 em 2005, maior que os 1.436 de 2004 mas ainda menor que os 1.454 de 2003. O número de cooperados continuou em alta e atingiu 2,8 milhões em 2005. Desde o ano passado, o número de postos de atendimento cresceu 1,684 mil para 2,135 mil.
Mas ao mesmo tempo, diz Feltrim, “a expectativa é que, com um cenário de estabilidade (econômica) e redução dos juros, o número de cooperativas tende a se reduzir para ganhar escala”. No conjunto das cooperativas há pelo menos cem que, pelos cálculos de Feltrim, vão acabar fechando ou se fundindo a outras, já que foram autorizadas a operar mas estão paralisadas.
As cooperativas de crédito estão agrupadas em quatro grandes sistemas. Os maiores, Sicoob e Sicredi, controlam 80% destas agremiações, e movimentam R$ 15,3 bilhões aproximadamente (R$ 8,2 bilhões do Sicoob e R$ 7,1 bilhões no Sicred). O restante está distribuído entre a Unicred (dos médicos da Unimed), a Confederação Brasileira de Cooperativas de Crédito (Confebrás) e a AncoSol (de pequenos produtores rurais). É um setor extremamente pulverizado em pequenas instituições, sendo que 70% delas têm patrimônio até R$ 1 milhão. Elas estão concentradas nas Regiões Sudeste (55%) e Sul (20%) e respondem por apenas 2,5% das operações de crédito e 1,6% dos depósitos do Sistema Financeiro Nacional” equivalentes a R$ 9,5 bilhões e R$ 10,3 bilhões, respectivamente.
No último ano, só no Sicoob foram registradas 30 novas cooperativas de empresários e 46 de livre admissão. “O Paraná foi pioneiro na constituição de cooperativas de empresários. Em São Paulo, já estão funcionando as de Franca, Araraquara, Mogi Guaçu, São Carlos e Santa Cruz das Palmeiras. Inauguramos recentemente a de Campinas e em breve vamos inaugurar as de Santo André, Ribeirão Preto, Cabreúva e Piracicaba”, descreve Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo).
Ainda assim, o Sicoob viu diminuir em 19 (de 694 para 675) o número de associadas, com o fechamento, fusão ou venda de cooperativas. “Há uma tendência de fusões entre as cooperativas. Com o advento da livre admissão, fica sem sentido ter três cooperativas em uma única cidade, por exemplo”, explica o superintendente do Sicoob Brasil, Marco Aurélio Almada. Segundo Almada, das 19 cooperativas fechadas, “oito a dez” foram fundidas a outras.
Para Fabrício Royer, superintendente da Central Sicredi São Paulo, a livre adesão é o modelo mais adequado para garantir a expansão da cooperativa de crédito. “Se você atua em um único segmento, fica dependente daquele setor. Se o setor vai mal, a cooperativa também vai mal. Cria um risco setorial”, diz. O sistema Sicredi tem 126 cooperativas, um milhão de associados e mil unidades de atendimento.
Flexibilização das regras garantiu a sobrevivência
A primeira cooperativa de livre adesão do país, a Crediçúcar, de Santa Cruz das Palmeiras (SP), saiu do capital inicial de R$ 50 mil em abril de 2004 para R$ 1,386 milhão no balancete de maio de 2006. Apoiada a princípio pelo grupo Dedini, hoje ela se sustenta sozinha com R$ 6,7 milhões em depósitos e R$ 6,15 milhões em empréstimos e ainda tem uma “sobra” de R$ 273 mil.
Apesar do nome, os clientes da Crediçúcar têm hoje pouco a ver com a indústria de cana, álcool e açúcar. Vão de empresários a empregadas domésticas, advogados e cortadores de cana e estão também nas cidades vizinhas de Casa Branca e Vargem Grande do Sul. A região, que fica a cerca de 250 km da capital São Paulo, reúne aproximadamente 85 mil habitantes.
“Não conseguimos captar o suficiente para atender a demanda, mas entendemos que o crescimento tem que ser adequado para liberar empréstimos de forma segura”, afirma Umberto Marcomini, gerente técnico da cooperativa.
Segundo ele, a Crediçúcar está agora trabalhando em um projeto em parceria com a associação comercial da região para dar financiamento a um grupo de cabeleireiras que querem montar salões de beleza.
Com o apoio do Centro das Indústrias de São Paulo (Ciesp), que entrou com um capital inicial de R$ 300 mil, a cooperativa de crédito Sicredi Ciesp ABCD abriu as portas em setembro de 2004 com a proposta de ser uma alternativa de financiamento às milhares de microempresas da região do ABCD, centro das montadoras de automóveis de São Paulo. A cooperativa, que começou com apenas 29 associados, hoje tem 300, empresta R$ 4 milhões por mês, administra R$ 6 milhões em depósitos à vista e à prazo e passou a vender seguros, cartões de crédito e planos de previdência em parceria com a Mapfre, Visa e Icatu Hartford.
Dos 300 cooperados, 120 são pessoas jurídicas com faturamento até R$ 12 milhões anuais. O restante são pessoas físicas – os próprios microempresários da região. Suas linhas de capital de giro custam de 2,3% a 2,7% ao mês e a cooperativa se arma para, no futuro, quando estiver maior em patrimônio, poder se candidatar às linhas do Finame/BNDES. “Temos crescido acima da expectativa porque temos taxas (de crédito) melhores que as do mercado e remuneramos bem os aplicadores”, explica Cesar Garbus, presidente da Sicoob Ciesp ABCD. (JR)
Juro baixo e isenção de IOF são os maiores atrativos
Juros e tarifas mais reduzidas em comparação com os praticados pelos bancos e a isenção de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) são os grandes atrativos das cooperativas de crédito. Enquanto as linhas de crédito para capital de giro nos bancos custam em média 36,2% ao ano (segundo dados do Banco Central), nas cooperativas baixam para 27% (média do sistema Sicredi).
O financiamento rotativo do cartão de crédito, que nos bancos custa no mínimo 8% ao mês, nas cooperativas custa 5%. Mas os bancos conseguiram competir no crédito pessoal onde as linhas do empréstimo com desconto em folha (consignado) custam de 1,5% a 3% ao mês, o mesmo que nas cooperativas. Ao oferecer um “pacote” de consignado para os funcionários com vantagens de crédito e tarifas para as empresas, os bancos conseguiram não só tirar a folha de pagamentos das cooperativas mas também fechar algumas delas.
No sistema Sicoob, das 19 cooperativas fechadas nos últimos três anos, pelo menos duas delas foram fulminadas pela concorrência com o crédito consignado dos bancos, a da indústria de eletrodomésticos Arno, que tinha 1,2 mil participantes, da Fundação Rotarianos (com cerca de 700 sócios).
“Não estamos mais constituindo nenhuma cooperativa de empregados porque os bancos tomaram esse nicho”, afirma Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp (Central das Cooperativas de Crédito do Estado de São Paulo).. “As cooperativas levaram cem anos para fazer R$ 20 bilhões em empréstimos, enquanto os bancos, em apenas três anos chegaram a R$ 36 bilhões”, reconhece Messias. (JR)
Cooperativas perdem disputa do consignado
A explosão do empréstimo com desconto em folha fulminou várias cooperativas de crédito. Cobrando juros de 1,5% a 3% ao mês no consignado, os bancos igualaram as boas condições oferecidas pelas cooperativas e desempataram o jogo, oferecendo outros produtos. “As cooperativas levaram cem anos para fazer R$ 20 bilhões em empréstimos, enquanto os bancos chegaram a R$ 36 bilhões, em apenas três anos”, disse Manoel Messias da Silva, presidente da Sicoob Central Cecresp. As cooperativas tentam recuperar espaço com as novas estruturas regulamentadas entre 2002 e 2003. Desde então, o BC já autorizou a constituição de 44 cooperativas de empresas e microempresas; e outras 40 estão em análise. Além disso, surgiram 248 novas associações de livre adesão.
Fonte: Valor Online
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