O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, de 16% para 16,25% ao ano, e deixou claro desde já que promoverá novos apertos na política monetária nas suas próximas reuniões. “Com a decisão, o comitê dá início a um processo de ajuste moderado da taxa básica, de forma que a trajetória de inflação não prejudique a recuperação da renda real, preservando, assim, o crescimento sustentado da economia”, afirma o breve comunicado divulgado depois da reunião.
A decisão não foi unânime, o que revela que o Copom se dividiu entre um grupo que preferia um tratamento de choque, para recuperar a credibilidade da política monetária, e os que advogavam uma estratégia gradualista. Cinco membros votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual na meta da taxa Selic, enquanto três deles queriam uma alta 0,5 ponto percentual.
Essa foi a primeira alta de juros desde fevereiro de 2003, início do governo Lula, quando o Banco Central elevou os juros de 25,5% para 26,5% ao ano para combater a crise provocada pelas eleições presidenciais. A taxa de juros é a mais alta desde 14 de abril passado, dia em que o Copom cortou os juros de 16,25% para 16% ao ano. Na decisão de ontem, não foi colocado nenhum tipo de viés à taxa, o que significa que a taxa básica permanecerá em 16,25% ao ano pelo menos até o próximo encontro do Copom, marcado para os dias 19 e 20 de outubro.
A alta de juros de ontem foi uma das mais sinalizadas pelo Copom, que nesta semana se reuniu pela centésima vez. Na sua ata de agosto, o comitê deixou claro que iria elevar os juros caso não houvesse recuo satisfatório nos índices de inflação corrente e nas expectativas do mercado para a alta de preços em 2005. Esse último indicador, em particular, teve uma deterioração relevante: a inflação esperada pelo IPCA passou de 5,5% para 5,7% em apenas um mês.
Em seu comunicado, ao citar sua intenção de fazer um “ajuste moderado na taxa de juros”, o Copom demonstra um cuidado especial em não disseminar um pessimismo exagerado do mercado e sinaliza estar em busca de um pouso suave da economia.
Desde julho o Copom vinha alertando a possibilidade de alta de juros, argumentado que, por mais paradoxal que pareça, a medida iria preservar o crescimento da economia. No comunicado, o Copom cita sua preocupação em baixar a inflação para preservar a renda real que, no último trimestre, passou a ser o principal motor do ciclo de retomada da economia, assumindo o papel que em períodos anteriores foram do crédito e das exportações.
A decisão de subir o juro básico irritou entidades empresariais, para quem a alta irá desestimular investimentos produtivos. E a divisão interna do Copom, manifesta no placar apertado de 5 a 3, surpreendeu os analistas.
O economista-chefe do Banco Pátria, Luis Fernando Lopes, acredita que o voto de três integrantes do Copom em favor de uma alta de meio ponto foi a surpresa desta reunião, que poderá infundir tensão nos mercados hoje. Tudo indica que a ata desta reunião, que será divulgada no dia 23, virá mais conservadora do que se imaginava. “O BC parece ter um grau de preocupação com as variáveis econômicas mais observadas por ele maior do que o percebido pelos analistas”, diz Lopes. Para o economista-chefe do ABN AMRO, Mário Mesquita, a ata desse encontro será crucial para definir as expectativas do mercado. Em princípio, as instituições devem operar no aguardo de um texto mais conservador.
Em nota divulgada logo após a decisão do Copom, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, diz que a intenção do BC é reduzir o ímpeto do crescimento. “Todos entenderão este aumento de juros como o primeiro movimento de uma série. Não se sabe onde os juros vão parar”, diz a nota. Para a Fiesp, não se sabe como a demanda irá se comportar nos próximos meses. “A conseqüência de tamanha incerteza pode ser um pé no freio nos planos de consumo e de investimento”, observa. De sua parte, a Firjan diz que a alta do juro não interrompe a atual recuperação da economia, mas desestimula a “necessária retomada do investimento produtivo, pré-condição para continuidade do processo de crescimento a médio prazo”.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), Marcos Andrade, a decisão representa um “balde de água fria para o varejo” pois deverá restringir a expansão de toda a cadeia ligada ao setor neste ano. Andrade diz que o “modelo tecnicista” adotado pelo BC para a definição da Selic não leva em conta que os juros praticados pelo mercado continuam em patamares altíssimos. “O aumento prejudicará ainda mais a busca de capital de giro por parte da indústria de equipamentos para o varejo”, diz ele.
fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 16 de setembro de 2004• 10:33• Sem categoria
Copom cumpre ameaça e sobe juro para 16,25% ao ano
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) decidiu ontem elevar em 0,25 ponto percentual a taxa básica de juros, de 16% para 16,25% ao ano, e deixou claro desde já que promoverá novos apertos na política monetária nas suas próximas reuniões. “Com a decisão, o comitê dá início a um processo de ajuste moderado da taxa básica, de forma que a trajetória de inflação não prejudique a recuperação da renda real, preservando, assim, o crescimento sustentado da economia”, afirma o breve comunicado divulgado depois da reunião.
A decisão não foi unânime, o que revela que o Copom se dividiu entre um grupo que preferia um tratamento de choque, para recuperar a credibilidade da política monetária, e os que advogavam uma estratégia gradualista. Cinco membros votaram por uma elevação de 0,25 ponto percentual na meta da taxa Selic, enquanto três deles queriam uma alta 0,5 ponto percentual.
Essa foi a primeira alta de juros desde fevereiro de 2003, início do governo Lula, quando o Banco Central elevou os juros de 25,5% para 26,5% ao ano para combater a crise provocada pelas eleições presidenciais. A taxa de juros é a mais alta desde 14 de abril passado, dia em que o Copom cortou os juros de 16,25% para 16% ao ano. Na decisão de ontem, não foi colocado nenhum tipo de viés à taxa, o que significa que a taxa básica permanecerá em 16,25% ao ano pelo menos até o próximo encontro do Copom, marcado para os dias 19 e 20 de outubro.
A alta de juros de ontem foi uma das mais sinalizadas pelo Copom, que nesta semana se reuniu pela centésima vez. Na sua ata de agosto, o comitê deixou claro que iria elevar os juros caso não houvesse recuo satisfatório nos índices de inflação corrente e nas expectativas do mercado para a alta de preços em 2005. Esse último indicador, em particular, teve uma deterioração relevante: a inflação esperada pelo IPCA passou de 5,5% para 5,7% em apenas um mês.
Em seu comunicado, ao citar sua intenção de fazer um “ajuste moderado na taxa de juros”, o Copom demonstra um cuidado especial em não disseminar um pessimismo exagerado do mercado e sinaliza estar em busca de um pouso suave da economia.
Desde julho o Copom vinha alertando a possibilidade de alta de juros, argumentado que, por mais paradoxal que pareça, a medida iria preservar o crescimento da economia. No comunicado, o Copom cita sua preocupação em baixar a inflação para preservar a renda real que, no último trimestre, passou a ser o principal motor do ciclo de retomada da economia, assumindo o papel que em períodos anteriores foram do crédito e das exportações.
A decisão de subir o juro básico irritou entidades empresariais, para quem a alta irá desestimular investimentos produtivos. E a divisão interna do Copom, manifesta no placar apertado de 5 a 3, surpreendeu os analistas.
O economista-chefe do Banco Pátria, Luis Fernando Lopes, acredita que o voto de três integrantes do Copom em favor de uma alta de meio ponto foi a surpresa desta reunião, que poderá infundir tensão nos mercados hoje. Tudo indica que a ata desta reunião, que será divulgada no dia 23, virá mais conservadora do que se imaginava. “O BC parece ter um grau de preocupação com as variáveis econômicas mais observadas por ele maior do que o percebido pelos analistas”, diz Lopes. Para o economista-chefe do ABN AMRO, Mário Mesquita, a ata desse encontro será crucial para definir as expectativas do mercado. Em princípio, as instituições devem operar no aguardo de um texto mais conservador.
Em nota divulgada logo após a decisão do Copom, o presidente da Fiesp, Horácio Lafer Piva, diz que a intenção do BC é reduzir o ímpeto do crescimento. “Todos entenderão este aumento de juros como o primeiro movimento de uma série. Não se sabe onde os juros vão parar”, diz a nota. Para a Fiesp, não se sabe como a demanda irá se comportar nos próximos meses. “A conseqüência de tamanha incerteza pode ser um pé no freio nos planos de consumo e de investimento”, observa. De sua parte, a Firjan diz que a alta do juro não interrompe a atual recuperação da economia, mas desestimula a “necessária retomada do investimento produtivo, pré-condição para continuidade do processo de crescimento a médio prazo”.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria de Equipamentos e Serviços para o Varejo (Abiesv), Marcos Andrade, a decisão representa um “balde de água fria para o varejo” pois deverá restringir a expansão de toda a cadeia ligada ao setor neste ano. Andrade diz que o “modelo tecnicista” adotado pelo BC para a definição da Selic não leva em conta que os juros praticados pelo mercado continuam em patamares altíssimos. “O aumento prejudicará ainda mais a busca de capital de giro por parte da indústria de equipamentos para o varejo”, diz ele.
fonte: Valor Econômico
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