Bancários de Brasília decidiram em assembléia nesta terça-feira não continuar as paralisações da categoria. Hoje, mais de 70% dos bancos do DF ficaram fechados em uma paralisação que durou 24 horas. Com exceção de alguns bancos privados e agências do Banco de Brasília (BRB), cerca de 18 mil bancários e 307 agências decidiram suspender suas atividades. O movimento não registrou nenhuma ocorrência de agressão ou violência. Amanhã os bancos voltam a funcionar normalmente.
“O setor financeiro é o que mais lucra nesse país, por isso tem que dividir a receita com os bancários, que ajudam os bancos a produzir os resultados”, afirmou o presidente do Sindicato dos Bancários do Distrito Federal, Jacy Afonso. As negociações começaram há mais de um mês. Segundo o Sindicato dos Bancários do DF, já foram feitas cinco reuniões desde agosto com a Federação Nacional dos Bancos (Fenabam) e nenhuma proposta foi apresentada. Apesar de já terem passado 25 dias da data-base da categoria, a mobilização no DF se limitou a manifestações e distribuições de panfletos, até a paralisação de hoje.
Eles reivindicam reajuste de 7,05%, além da inflação do período, retroativo a 1º de setembro, data-base da categoria. Querem ainda Participação nos Lucros e Resultados de 5% do lucro líquido linear, mais um salário bruto acrescido de R$ 1,5 mil. Na pauta de reivindicações, consta também aumento no piso salarial – passaria de R$ 839 para R$ 1,5 mil.
Uma nova assembléia deve acontecer na próxima quinta-feira (28), na qual a categoria analisará o resultado das negociações previstas para amahã (27) com representantes da Fenaban.
Nacional
A greve de 24 horas desta terça envolveu cerca de 120 mil bancários em todo o país, segundo a Contraf-CUT. A greve de hoje aconteceu em todos os Estados brasileiros com exceção de Tocantins, Amazonas e Goiás, que não são filiados à Contraf. De acordo com a central, em algumas agências a polícia foi chamada. O presidente do Sindicato dos Bancários do Rio de Janeiro, Vinícius Assumpção, foi preso quando estava em atividade próximo ao Bradesco.
O Sindicato de São Paulo Osasco e Região informou que pararam cerca de 34 mil bancários em 279 agências. No Rio de Janeiro, cerca de 80% do centro financeiro pararam. Brasília teve adesão nas agências e prédios administrativos. Belo Horizonte teve paralisação na Caixa Federal, no Banco do Brasil e em bancos privados. No Rio Grande do Sul, foram 236 agências, incluindo as agências e prédios administrativos de Porto Alegre. Em Curitiba, houve paralisação do centro financeiro. No ABC paulista, 130 agências pararam.
Com a greve, os bancários querem pressionar os bancos a conceder reajuste salarial. Segundo o sindicato, após mais de 40 dias de negociação, não há proposta de reajuste. No ano passado, quando houve greve de seis dias, os bancários receberam reajuste de 6% (1% de aumento real), mais R$ 1.700 de abono e PLR (participação nos lucros e resultados) mínima de 80% do salário mais R$ 800.
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