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Por 22:36 Sem categoria

Cortar benefício de aposentados com o país crescendo é pura sacanagem

Tem ministro que parece que nunca teve mãe

Centrais sindicais vão a Lula pelos 7,72% de aumento e fim do redutor previdenciário

O aumento de 7,72% para os aposentados, representa, segundo os auditores fiscais, um aumento nas despesas da Previdência de R$ 860 milhões. A Seguridade Social (da qual faz parte a Previdência), mesmo com a crise e o fim da CPMF, encerrou 2009 com um superávit de R$ 22 bilhões. Em 2008, esse superávit foi de R$ 40 bilhões. Com o crescimento do país, esse superávit crescerá bem mais. Dinheiro, portanto, não falta para o aumento – até porque as isenções de pagamento da Previdência irão a R$ 18,95 bilhões este ano.

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“Seguridade Social é e sempre foi superavitária”, diz Lindolfo Santos

“A Seguridade social brasileira é superavitária, sempre foi superavitária”, afirmou Lindolfo dos Santos, diretor de finanças da Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e representante da entidade no Conselho Nacional da Previdência. “Em 2008, houve um superávit de R$ 40 bilhões e em 2009 ela fechou o ano com saldo de R$ 22 bilhões, apesar da crise”, ressaltou.

O sindicalista destacou que a Central tem travando uma luta contra todas as tentativas de se impingir um suposto déficit nas contas da Previdência, que na realidade são gastos criados a partir da Constituição de 88, destinados a assegurar direitos à saúde, à previdência e à assistência social.

“O que existe é uma contabilidade que apresenta só os recursos da Previdência, oriundos da folha do trabalho, do salário e da contribuição do empregador”, ressaltou, lembrando que o orçamento da seguridade inclui outras fontes de financiamento, como a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) e a Contribuição para o financiamento da Seguridade (Cofins).

Lindolfo denunciou que os ataques à Previdência partem de “um sistema financeiro que quer desvincular os recursos que a União deve destinar à seguridade, para atender o superávit primário”. “Queremos reafirmar o nosso compromisso com a luta para a seguridade social no Brasil continuar cada vez mais nas mãos dos brasileiros”, destacou.

Várias lideranças sindicais e de inúmera entidades sociais, amigos e parentes se reuniram sábado passado (22), no Clube Tietê, em São Paulo, para comemorar o aniversário de 59 anos do sindicalista. A confraternização teve ainda a presença de dirigentes do Partido Pátria Livre (PPL), PDT e do PT, que homenagearam a extensa trajetória sindical do aniversariante.

“O Lindolfo é um companheiro que tem dedicado sua vida à luta em defesa do povo, à construção de projeto de desenvolvimento que traga justiça social e progresso ao nosso país, além de garanta a soberania nacional”, destacou o ex-vereador e vice-prefeito de São Carlos, Emerson Leal.

Para o presidente do PPL no Estado de São Paulo, Miguel Manso, o sindicalista é um dirigente sindical exemplar, que liderou greves e os movimentos sociais de resistência à ditadura e sempre esteve presente nas batalhas pela redemocratização do país. “O Brasil só será verdadeiramente livre, se os trabalhadores estiverem cada vez mais organizados e bem representados em todas as instâncias da sociedade”, disse.

O dirigente da Força Sindical e do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Tadeu Morais, lembrou o compromisso de Lindolfo e a dedicação que tem emprestado às bandeiras dos trabalhadores, como a luta para aprovar a emenda constitucional que reduz a jornada de trabalho para 40 horas semanais.

Por WALTER FÉLIX.

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Questão de justiça

Superávit da Seguridade Social permite 7,72% aos aposentados

“Fator Previdenciário” é mecanismo para reduzir as aposentadorias e desviar os recursos públicos para pagar os bancos

Em 2007, o presidente Lula, numa entrevista coletiva em Davos, perguntado sobre o suposto déficit da Previdência Social no Brasil, esclareceu que esse déficit não existia: “Se você pegar o que pagam os trabalhadores e o que recebem, não há déficit”. Em seguida, o presidente explicou que “em 1988, o Congresso Nacional, com o voto de todos nós, aprovou a extensão de benefícios previdenciários para trabalhadores rurais. Depois, criamos o Estatuto do Idoso. Então, é uma carga que o Tesouro tem que assumir, não como déficit, mas como política social” (cf. HP, 07/02/2007).

O presidente, naturalmente, estava com toda razão. O que acontece é que, como disse Luiz Nassif, “juntam-se na mesma conta os dados da Previdência urbana e as políticas assistenciais que nada têm a ver para passar a falsa impressão de déficit – e poder impor aumentos de alíquotas ou redução de benefícios”.

Por isso, o presidente Lula mostrou, em 2007, que dentro dos R$ 42 bilhões que, naquela época, a mídia e a oposição propalavam como déficit da Previdência, estavam “despesas que não são de responsabilidade da Previdência Social como o pagamento dos benefícios aos cerca de 7 milhões de trabalhadores rurais, o auxílio dado às pessoas idosas e com problemas de saúde e incapacidade física [e] as perdas provocada pelas isenções fiscais dadas a diversos setores da sociedade”.

O então ministro da Previdência, Nelson Machado (hoje secretário executivo do ministério da Fazenda), declarou que essas isenções deveriam ser contabilizadas pelo Tesouro Nacional como política fiscal de governo, e não como déficit da Previdência Social. (HP, 07/02/2007).

O suposto déficit da Previdência sempre foi conversa de neoliberal desocupado (ou ansioso por privatizar a Previdência, o que é a mesma coisa). A economista Denise Lobato Gentil, professora da UFRJ, numa série de estudos impecáveis, mostrou não apenas a falsidade desse déficit, como o caráter ideológico e os interesses por trás dessa lenda de mau agouro (v., p. ex., “A falsa crise do Sistema de Seguridade Social no Brasil – Uma análise financeira do período 1990–2005”, Brasília, 2007).

ESPANTALHO

Assim, nos parece esquisito que, agora, três anos depois do presidente Lula ter refutado esse suposto déficit, os ministros Mantega, da Fazenda, e Paulo Bernardo, do Planejamento, venham levantar esse espantalho neoliberal para não conceder o aumento de 7,72% aos aposentados que ganham mais de um salário-mínimo e o fim do sinistro “fator previdenciário” – um redutor completamente arbitrário das novas aposentadorias, entulho remanescente do governo Cardoso.

Pior ainda quando os ministros recorrem a números que, no mínimo, teriam que demonstrá-los como verdadeiros.

A Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP) calcula que o aumento de 7,72%, aprovado por unanimidade pelo Senado (aumento que corresponde à inflação mais 80% do crescimento do PIB), implica num aumento das despesas, em relação à proposta original do governo, de R$ 860 milhões em 2010 (cf. o recente artigo do presidente da Fundação ANFIP e ex-secretário executivo do Ministério da Previdência, Floriano Martins de Sá Neto, “Aposentados e pensionistas: eternos injustiçados”).

Os ministros Mantega e Bernardo dizem que o aumento da despesa seria de R$ 1,5 bilhão. Mas essa diferença é irrelevante, em vista do seguinte:

1) A Previdência é parte do Sistema de Seguridade Social (Previdência, Assistência Social e Saúde Pública), estabelecido pela Constituição de 1988. Esse sistema, além das contribuições de trabalhadores e patrões para a Previdência, é financiado pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e pela Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Antes, também pela CPMF.

2) Em 2009, mesmo com a crise (e com o fim da CPMF), a Seguridade Social apresentou um superávit de R$ 22 bilhões. Em 2008, esse superávit foi de R$ 40 bilhões. Evidentemente, com o país crescendo às taxas previstas por Mantega (5%, 6% ou 10%), esse superávit também tende a crescer, com o aumento dos contribuintes para a Previdência e com o aumento da arrecadação da COFINS e CSLL.

3) As “renúncias previdenciárias”, isto é, isenções na contribuição à Previdência, para pequenas empresas (Simples Nacional), entidades filantrópicas, exportação rural e TIC (tecnologia da informação e comunicação) somaram, em 2009, R$ 17.132.974.059 (17 bilhões, 132 milhões, 974 mil e 59 reais). A previsão orçamentária é que essas “renúncias” aumentem este ano para R$ 18.955.418.014 (18 bilhões, 955 milhões, 418 mil e 14 reais). V. anexo IV.6 das LDO de 2009 e 2010.

Como diz o presidente da Fundação ANFIP, uma pequena redução nessas “renúncias” seria suficiente para pagar o aumento dos aposentados. Mas, na verdade, nem isso é necessário, pois o aumento significa meros 0,38% a mais em relação às despesas da Previdência em 2009. Portanto, o superávit da Seguridade é suficiente para cobri-lo – contanto que não se desvie todo o dinheiro da COFINS e CSLL para fazer superávit primário, ou seja, para pagar juros aos bancos.

JUROS

A propósito, somente para juros, o Orçamento deste ano prevê um gasto de R$ 110.398.829.913,00 (110 bilhões, 398 milhões, 829 mil e 913 reais). E depois argumenta-se que R$ 860 milhões ou R$ 1,5 bilhão, se forem para os aposentados, desequilibram o Orçamento…

Segundo o economista Amir Khair, se Meirelles conseguir puxar os juros para 11,25% até dezembro (dizem que sua meta 11,50%), a despesa adicional do governo, somente com esse aumento de juros, será de R$ 8,5 bilhões – quase seis vezes mais do que o aumento da despesa com os aposentados, se Mantega e Bernardo estiverem certos.

Quanto ao “fator previdenciário”, antes de tudo é uma questão de justiça – pois ele não passa de um redutor das aposentadorias, inventado por uma Maga Patalójika do governo Fernando Henrique (infelizmente, graças ao Jobim, hoje na presidência da ANAC). Trata-se de um casuísmo típico de regimes onde impera o arbítrio (se bem que a ditadura jamais fez algo semelhante).

Temos condições de viver sem ele? Somente elementos como o sr. Giambiagi, adeptos tardios (e tucanos) do escravagismo, é que podem berrar que o fim do mundo está próximo, se tamanho estrupício for abolido.

O objetivo do “fator previdenciário”, assim como o de negar aumento aos aposentados, é óbvio: desviar dinheiro público para a dívida, isto é, para os bancos. Não fará falta alguma, pelo contrário, contanto que respeitemos a Constituição e não separemos a Previdência da Seguridade Social, tal como alguns feitores do Orçamento – que depois saem propalando que há déficit na Previdência.

Por CARLOS LOPES. Fonte: HORA DO POVO.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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