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Credores aceitam negociar com Banco Santos

Um grupo de credores do Banco Santos, que têm a receber R$ 1,2 bilhão, já concordou em abrir negociação para buscar um caminho que impeça a liquidação do banco, sob intervenção do Banco Central desde novembro.

A Valora, consultoria contratada pelo controlador para montar um plano de recuperação do Santos, recuou da proposta que condicionava a negociação a uma moratória de 180 dias, período no qual nenhum credor tentaria sacar recursos do banco. Esse item estava travando a negociação.

Carlos Eduardo de Freitas, sócio da Valora e ex-diretor do BC, diz que desistiu de pedir a moratória, pois abriu mão da idéia transitar do regime de intervenção para o Raet (regime de administração especial temporária). “As dificuldades de caixa inviabilizam essa transição prolongada”, diz.

O problema é que no Raet, os credores que não aderissem à moratória poderiam sacar imediatamente, prejudicando os demais.

Segundo o interventor Vânio Aguiar, os fundos de pensão e um grupo de grandes empresas já haviam manifestado interesse em negociar. Ontem, o grupo de credores coordenados pela KPMG, donos de créditos no valor de R$ 500 milhões, também reafirmou sua disposição de buscar uma solução negociada.

Mas o grupo impôs algumas condições. “O comitê de credores representado pela KPMG solicita que o controlador demonstre de maneira clara o compromisso de aportar recursos ao banco”, diz Eduardo Farhat, diretor de Corporate Recovery da KPMG.

Segundo Freitas, nesta fase o que está se buscando é apenas a concordância em negociar com a consultoria. Com a manifestação do comitê da KPMG, segundo ele, estariam dispostos a negociar credores que respondem por 48% dos R$ 2,5 bilhões do passivo alvo da negociação nesta fase — os credores puros do banco. Só os fundos de pensão detêm 25% desse passivo, diz ele.

Reciprocidade

A Valora pretende, numa segunda fase da negociação, incluir todos os credores do grupo, o que totalizaria um passivo de cerca de R$ 3,7 bilhões. Trata-se de empresas que tomaram empréstimos no Banco Santos e, em contrapartida, compraram debêntures de empresas do grupo ou títulos de dívida emitidos por elas.

“A proposta da Valora é incorporar os passivos do grupo todo na segunda fase da negociação. Ninguém fica de fora”, afirma Freitas. Parte dos credores do banco vêm resistindo à essa estratégia da consultoria, temendo aumentar suas perdas no rateio dos ativos do banco com um número maior de credores.

Farhat, do comitê da KPMG, vê com restrições a proposta. “Se foram feitas transações com outras empresas do grupo Santos, isso terá de ser avaliado futuro. Nosso objetivo é minimizar as perdas para os credores do banco”, diz.

Freitas da Valora, diz que incluir todos os credores do grupo na negociação é uma questão de princípio. “Se não for possível o caminho natural é a intervenção desaguar na liquidação do banco”, diz.

Para o interventor é cedo para definir se o caso terminará na liquidação do banco ou na sua recuperação negociada com os credores. “Estamos na primeira fase do processo que é os credores concordarem em ter a Valora como interlocutora do processo”, diz Aguiar. Só depois será discutida a modelagem de um plano de revitalização do banco.

Fonte: Folha Online

Por 11:18 Notícias

Credores aceitam negociar com Banco Santos

Um grupo de credores do Banco Santos, que têm a receber R$ 1,2 bilhão, já concordou em abrir negociação para buscar um caminho que impeça a liquidação do banco, sob intervenção do Banco Central desde novembro.
A Valora, consultoria contratada pelo controlador para montar um plano de recuperação do Santos, recuou da proposta que condicionava a negociação a uma moratória de 180 dias, período no qual nenhum credor tentaria sacar recursos do banco. Esse item estava travando a negociação.
Carlos Eduardo de Freitas, sócio da Valora e ex-diretor do BC, diz que desistiu de pedir a moratória, pois abriu mão da idéia transitar do regime de intervenção para o Raet (regime de administração especial temporária). “As dificuldades de caixa inviabilizam essa transição prolongada”, diz.
O problema é que no Raet, os credores que não aderissem à moratória poderiam sacar imediatamente, prejudicando os demais.
Segundo o interventor Vânio Aguiar, os fundos de pensão e um grupo de grandes empresas já haviam manifestado interesse em negociar. Ontem, o grupo de credores coordenados pela KPMG, donos de créditos no valor de R$ 500 milhões, também reafirmou sua disposição de buscar uma solução negociada.
Mas o grupo impôs algumas condições. “O comitê de credores representado pela KPMG solicita que o controlador demonstre de maneira clara o compromisso de aportar recursos ao banco”, diz Eduardo Farhat, diretor de Corporate Recovery da KPMG.
Segundo Freitas, nesta fase o que está se buscando é apenas a concordância em negociar com a consultoria. Com a manifestação do comitê da KPMG, segundo ele, estariam dispostos a negociar credores que respondem por 48% dos R$ 2,5 bilhões do passivo alvo da negociação nesta fase — os credores puros do banco. Só os fundos de pensão detêm 25% desse passivo, diz ele.
Reciprocidade
A Valora pretende, numa segunda fase da negociação, incluir todos os credores do grupo, o que totalizaria um passivo de cerca de R$ 3,7 bilhões. Trata-se de empresas que tomaram empréstimos no Banco Santos e, em contrapartida, compraram debêntures de empresas do grupo ou títulos de dívida emitidos por elas.
“A proposta da Valora é incorporar os passivos do grupo todo na segunda fase da negociação. Ninguém fica de fora”, afirma Freitas. Parte dos credores do banco vêm resistindo à essa estratégia da consultoria, temendo aumentar suas perdas no rateio dos ativos do banco com um número maior de credores.
Farhat, do comitê da KPMG, vê com restrições a proposta. “Se foram feitas transações com outras empresas do grupo Santos, isso terá de ser avaliado futuro. Nosso objetivo é minimizar as perdas para os credores do banco”, diz.
Freitas da Valora, diz que incluir todos os credores do grupo na negociação é uma questão de princípio. “Se não for possível o caminho natural é a intervenção desaguar na liquidação do banco”, diz.
Para o interventor é cedo para definir se o caso terminará na liquidação do banco ou na sua recuperação negociada com os credores. “Estamos na primeira fase do processo que é os credores concordarem em ter a Valora como interlocutora do processo”, diz Aguiar. Só depois será discutida a modelagem de um plano de revitalização do banco.
Fonte: Folha Online

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