Brasília – O crescimento econômico da América Latina não tem se refletido em aumento real do salário e da renda dos trabalhadores, afirmou hoje (27) a diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo.
De acordo com Laís, entre 2004 e 2008, a região apresentou crescimento anual de 5,4% em média. Apesar disso, a taxa de crescimento da Remuneração Média Real (RMR) do trabalhador ficou em 3,2% em 2008 e 3,7% em 2007.
A taxa seria ainda menor se a Argentina, que teve crescimento da RMR superior a 8%, fosse excluída da conta. Nesse caso, a Remuneração Média Real dos trabalhadores da América Latina teria crescido no ano passado apenas 0,6%, mesmo num momento em que a média de crescimento econômico da região foi de 4,6%.
Apesar de o aumento dos rendimentos dos trabalhadores no Brasil também não ter sido na mesma proporção do crescimento econômico do país, os indicadores aqui apresentam resultados um pouco melhores que os do resto da América Latina. Segundo a OIT, o aumento do RMR no Brasil foi de 1,6% e o salário mínimo cresceu 3,2% em 2008.
Laís Abramo disse que a política de fortalecimento do mínimo, que fez com que ele crescesse mais de 50% entre 2000 e 2008, “é importante para a redução das desigualdades”. “A gente vê claramente que, quando aumenta o mínimo, cai o Gini”.
O Quociente Gini é uma medida usada em pesquisas sobre desigualdade social. A classificação vai de 0 a 1, sendo que 0 representaria uma situação de absoluta igualdade social. Atualmente, o índice no Brasil é de 0,528.
Por Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil.
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Diálogo é fundamental para contornar o problema do desemprego, avalia diretora da OIT
Brasília – Diante de previsões pessimistas divulgadas hoje (27) pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) sobre o nível de emprego na América Latina e Caribe em 2009, a diretora da OIT no Brasil, Laís Abramo alerta que o diálogo social entre trabalhadores, empregadores e governo é “fundamental para contornar o problema”.
De acordo com o Panorama Laboral 2008, o crescimento econômico de 4,6% que a região obteve em 2008 pode desacelerar para até 1,9% este ano. Com isso, até 2,4 milhões de pessoas podem perder o emprego.
Segundo Laís Abramo, a OIT não tem um posicionamento oficial sobre os acordos trabalhistas com a redução da jornada de trabalho com redução de salários, que vêm sendo propostos por alguns setores como a indústria automobilística, para tentar evitar as demissões em massa. Mas ela defende que “a solução não pode ser a precarização do trabalho”.
“É preciso que os atores envolvidos façam uma análise para saber até que ponto uma medida que pode ser vista como conjunturalmente necessária pode ser mais negativa ainda. Nós sabemos que neste momento é necessário manter as condições de consumo”, disse a diretora da OIT.
Por Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil.
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Crise deve derrubar 2,4 milhões de empregos na América Latina em 2009
Brasília – A crise econômica mundial deverá atingir fortemente os empregos urbanos na América Latina e no Caribe em 2009. De acordo com o Panorama Laboral, estudo divulgado anualmente pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), a expectativa é de que cerca de 2,4 milhões de pessoas percam os empregos este ano na região.
O estudo apresentado hoje (27) mostra que o ciclo de redução do desemprego, que vinha se desenhando nos últimos cinco anos, vai chegar ao fim em 2009. Desde 2003, quando o nível de desocupação na América Latina e no Caribe atingiu o patamar de 11,2%, o indicador vinha caindo e chegou a 7,5% no último ano.
Os aumentos consecutivos no número de empregos vinham sendo provocados pelo crescimento econômico da região, que em 2008 ficou em 4,6%. Mas, em tempos de crise, as previsões negativas da OIT indicam que esse crescimento deverá desacelerar para 1,9% este ano, aumentando o número de desempregados, hoje de 15,7 milhões. Com isso, a taxa de desocupação da população economicamente ativa nas cidades pode voltar aos 8,3% de 2007.
“A crise vem interromper a evolução positiva que se observou nos últimos anos”, avaliou a diretor da OIT no Brasil, Laís Abramo. Mas, segundo ela, apesar das previsões negativas não é só o Brasil que vai sofrer menos que em outras ocasiões. “Nós sabemos que essa é a crise mais severa desde os anos 30 e seus efeitos começaram a ser sentidos em setembro. Mas ela pega uma América Latina mais preparada e forte”, afirmou Laís.
O Panorama Laboral alerta ainda que a perda da renda e do emprego de chefes de família e um processo de retorno de migrantes aos seus lugares de origem podem pressionar ainda mais os mercados.
Por Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil.
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Indústria manufatureira e construção civil devem ser mais afetadas com a crise, segundo OIT
Brasília – A indústria manufatureira de exportação, como a de roupas e calçados, e a construção civil devem ser os setores da economia brasileira que mais vão sentir os efeitos da crise econômica mundial e que mais vão fechar postos de trabalho. Essa é a avaliação da diretora da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Laís Abramo.
Segundo ela, o perfil dos trabalhadores a serem demitidos vai variar de acordo com a política adotada pela empresa para contornar o mau momento.
“Mas nós temos uma preocupação com as mulheres, os jovens e os trabalhadores negros. Nós sabemos que eles tendem a ser os primeiros a perderem os empregos e os últimos a conseguirem recuperá-los”, avaliou Laís.
Em toda a América Latina outros setores como o turismo, a indústria automobilística e áreas que dependem dos preços das matérias primas no mercado externo também devem ser afetados pela crise mundial.
No Brasil, os efeitos já começaram a aparecer, de acordo com dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho e Emprego, cerca de 600 mil postos de trabalho foram fechados em dezembro. Apesar de este ser um período habitualmente propenso às demissões, no qual as indústrias fecham postos abertos exclusivamente para a preparação dos estoques de Natal, o número foi quase o dobro do registrado em 2007, quando foram fechados 319 mil postos.
A OIT não tem previsões sobre em quanto poderá ficar o nível de desemprego no Brasil, que atualmente é de 8%. Mas a organização prevê que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deverá desacelerar para 2,1%, o que poderá fazer a quantidade de desocupados aumentar, segundo Laís.
“As políticas de enfrentamento da crise em cada país são um fator que tem que ser considerado. Elas também são determinantes sobre a maneira como o mercado de trabalho vai se comportar”, avalia Laís.
Por Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil.
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