São Paulo- A indústria automobilística exportou entre janeiro e setembro 4,4% mais veículos do que em igual período do ano passado, incluindo automóveis, caminhões e ônibus. Só os embarques de máquinas agrícolas aumentaram 4% nos nove primeiros meses de 2011. Mesmo assim, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) mantém a projeção de queda de 3,4% no volume exportado até dezembro.
Segundo o vice-presidente da Anfavea, Luiz Moan Yabiku, em novembro o setor deve apresentar uma revisão das metas anunciadas para 2011, como consequência da crise econômica internacional. Ele informou que, por enquanto, também estão mantidas as previsões de crescimento de 5% nas vendas no mercado doméstico e de aumento de 1,1% na produção.
Na análise do executivo, “foi absolutamente normal e esperado” o recuo de 19,7% no número de unidades vendidas pelas montadoras instaladas no país ao longo do mês passado. “Setembro sempre apresenta uma queda sobre agosto. Além disso, tivemos dois dias úteis a menos, greve em algumas montadoras e fábricas de autopeças e o feriado de Sete de Setembro”, justificou ele.
Com relação à concorrência da indústria nacional com os carros que vêm do exterior, o dirigente disse que um estudo do setor apresentado ao governo federal para subsidiar uma política industrial específica mostra que, caso não sejam tomadas medidas para conter a entrada de veículos importados, o produto nacional será minoria nas revendas até 2020. Em oito anos, a participação dos importados pode chegar a 51% em um mercado estimado de 6,3 milhões de veículos.
Sobre a entrada de veículos do Uruguai com isenção do Imposto Sobre Produto Industrializado (IPI), Moan Yabiku disse que, nesse caso em particular, há o acordo comercial do Mercosul, com regime semelhante ao que existe nas relações com o México e a Argentina. O comércio com o Uruguai é superavitário em US$ 240 milhões por ano.
Yabiku esclareceu que o apoio das montadoras à elevação do IPI em 30 pontos percentuais sobre os carros importados leva em consideração a proteção dos empregos internos. Em setembro, havia 145,1 mil trabalhadores empregados no setor automotivo, ante 144,7 em agosto. No acumulado do ano, as fábricas ampliaram o número de postos de trabaçho em 8,3%.
Para manter a competitividade, a indústria automobilística nacional promete investir US$ 21 bilhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos até 2015.
Por Marli Moreira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria
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Renault produzirá um carro por minuto no Paraná
Investimento de R$ 1,5 bilhão foi formalizado hoje (05) entre a montadora e governo do estado. Capacidade anual da fábrica de São José dos Pinhais saltará de 280 mil para 380 mil
A montadora Renault formalizou junto ao governo do estado, hoje pela manhã, o investimento de R$ 1,5 bilhão na fábrica da montadora, localizada em São José dos Pinhais (PR). Com isso, a capacidade produtiva anual da fábrica saltará de 280 para 380 mil unidades. “Esse investimento possibilitará a produção de um carro por minuto”, disse o governador Beto Richa, ao lado do presidente mundial da Renault, Carlos Ghosn. Atualmente a produção é de 40 carros por hora.
Além da modernização do espaço físico (equipamentos e ampliação da fábrica), parte do investimento será destinado a criação de um centro de desenvolvimento de engenharia e tecnologia. Com isso, a Renault espera aumentar até 2015 sua participação no mercado nacional, saltando dos atuais 5% para 8%. “Até 2015, lançaremos 13 novos modelos. Hoje, 3% da participação refere-se ao Sandero”, disse Ghosn.
Além dos investimentos na fábrica, a Renault pretende incentivar a vinda de fornecedores de auto peças para o estado. “Queremos aumentar a integração local de fornecedores. O objetivo é que essa integração chegue a um patamar de 90%, mesmo padrão da China e India.”, disse Ghosn. No momento, o fornecimento de peças locais para a montadora gira em torno de 65%.
Segundo o governo e a montadora, os incentivos levados em conta para a ampliação da fábrica foram a proximidade com o Porto de Paranaguá, a capacidade energética (eletricidade) do PR, as condições de acesso ao porto e aos países do Mercosul, a qualidade da mão de obra e a cadeia produtiva dos fornecedores.
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Investimentos da Renault-Nissan no Brasil vão reduzir necessidade de importações
Com a ampliação da fábrica da Renault no Paraná e a construção de uma planta da Nissan em Resende, no sul do estado do Rio, anunciadas no úlitmo sábado grupo franco-japonês deve reduzir as importações de carros para o Brasil. Segundo o presidente mundial da empresa, o brasileiro Carlos Ghosn, as duas marcas pretendem aumentar o índice de nacionalização dos veículos vendidos no país.
O executivo disse que, atualmente, a maioria dos carros da Nissan vendidos no país são importados, principalmente do México. Enquanto o Brasil deve se tornar, até o final do ano, o segundo maior mercado da Renault, perdendo apenas para a França, para a Nissan ainda figura como um mercado potencial. “O que queremos fazer é manter um mercado estratégico para a Renault, mas também permitir à Nissan contribuir mais com o desenvolvimento do mercado brasileiro”. disse o Ghosn.
Com relação ao aumento do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre carros importados, Ghosn disse que a decisão incentiva as montadoras a produzir localmente. Segundo ele, o índice de 65% de nacionalização para que o veículo não pague a alíquota é baixo se comparado ao de outros países que recebem investimentos das montadoras globais. A China, por exemplo, exige uma taxa de nacionalização de peças e partes de 90% e a Índia, de 95%.
Ghosn disse que a meta da aliança Renault-Nissan é dobrar a participação atual no mercado brasileiro, de 6,5% (5,5% da Renault e 1% da Nissan). Essa fatia de mercado está, inclusive, abaixo dos 10% de participação da companhia nas vendas em nível mundial. Segundo Gosn, até 2016, a participação da empresa no mercado mundial será 8% com a Renault e 5% com a Nissan. Ele explicou, no entanto, que a “estratégia não considera o número atual de 3,6 milhões de carros vendidos por ano no país, mas cerca de 4,5 milhões ao ano daqui a cinco anos”.
O executivo disse que, atualmente, o Brasil tem 250 carros para cada grupo de mil habitantes, muito menos do que o índice de 580 por mil da Europa e de mais de 800 por mil dos Estados Unidos. Para o principal executivo do grupo automobilístico, isso indica um grande potencial para as vendas de automóveis. Ghosn anunciou os investimentos do grupo após reunião com a presidenta Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto.
Fonte: Agência Brasil – 01/10/2011
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Metalúrgicos da Renault fecham maior acordo salarial do País: R$ 61,5 mil mais até 20,19% de aumento real
Trabalhadores da montadora vão receber, entre 2011 e 2013, até 20,19% de aumento real, R$ 61,5 mil de PLR e abono, além do reajuste na tabela salarial. Só a PLR e o abono injetarão R$ 343 milhões na economia do Paraná
Os metalúrgicos da Renault do Brasil, localizada em São José dos Pinhais (PR), aprovaram em assembleia, em porta de fábrica, na tarde desta segunda-feira (29), o pacote de benefícios negociado entre Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) e empresa. Os trabalhadores vão receber entre 2011, 2012 e 2013, até 20,19% de aumento real (acima da inflação) e mais R$ 61,5 mil referentes à Participação nos Lucros ou Resultados (PLR) e abono salarial. Além disso, a tabela de salários da empresa também terá aumento. O acordo vai injetar R$ 343 milhões na economia paranaense nos próximos dois anos. Considerando o volume de recursos, esse é o maior acordo salarial já fechado pelos trabalhadores em toda a história das negociações salariais no Brasil, informa o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócioeconômicos (Dieese).
O acordo sela definitivamente como tendência para os próximos anos a nova modalidade de negociação para o País, inaugurada pelo Sindicato dos Metalúrgicos da Grande Curitiba (SMC) na Volkswagen, em maio, de se fechar pacotões salariais com prazos mais longos e sinaliza o amadurecimento da relação entre capital e trabalho. “Quando há bom senso, é possível fechar bons acordos, que beneficiam tanto o trabalhador, que vê sua mão-de-obra valorizada, quanto a empresa, que aumenta sua competitividade no mercado de trabalho”, comenta Sérgio Butka. “Esse acordo é uma resposta aqueles que criticam as lutas dos trabalhadores por melhores condições salariais, dizendo que isso irá espantar empresas do nosso Estado. Graças a essa mobilização, somente de PLR e abono estarão sendo injetados R$ 343 milhões no Paraná, o que faz com que a roda da economia continue girando, aumentando a produção e incentivando a geração de empregos. Desse modo, nós, metalúrgicos do Paraná, estamos mostrando o caminho que o País deve seguir para se prevenir dos efeitos da crise mundial” , diz Butka.
A fábrica da Renault tem 5.700 trabalhadores diretos e tem capacidade para fabricar 224 mil carros por ano. Atualmente são produzidos os modelos Novo Renault Sandero, Novo Renault Sandero Stepway, Logan e Grand Tour, além de dez milhões de peças anuais que alimentam o mercado brasileiro e o argentino. As exportações representam 41% da produção, tendo como destinos as fábricas da Renault na Argentina (22%), Colômbia (13%), Romênia e México (4%). Este ano a montadora comemorou a marca de 1 milhão de carros produzidos desde a sua inauguração em 1998. A empresa ocupa o quinto lugar no ranking nacional das montadoras.
Confira aqui os detalhes do acordo
– Reajuste salarial
2011: 2,5% de aumento real + 100% do INPC acumulado nos últimos doze meses, aplicados em setembro
2012: 3% de aumento real + 100% do INPC acumulado nos últimos doze meses, aplicados em setembro
2013: 3,5% de aumento real + 100% do INPC acumulado nos últimos doze meses, aplicados em setembro
– Abono salarial
2011: R$ 5 mil (para setembro de 2011)
2012: R$ 5 mil + INPC dos últimos doze meses + 3% de aumento real = R$ 5.500* (para setembro 2012)
2013: R$ 5.500 + INPC dos últimos doze meses + 3,5% de aumento real = R$ 6 mil* (para setembro de 2013
* estimativa Dieese
– Participação nos Lucros e Resultados
2012: R$ 15 mil para 100% das metas (1ª parcela de R$ 7.500 para maio de 2012 e 2ª conforme metas, paga em fevereiro de 2013)
2013: R$ 18 mil (1ª parcela de R$ 9 mil para maio de 2013 e 2ª parcela conforme metas, paga em fevereiro de 2014)
– Plano de Cargos e Salários
– Reajuste de 10% na 1ª faixa salarial, que vai beneficiar 80% dos trabalhadores da fábrica
– reajuste de 5% nas demais faixas
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