A maior concentração de cursos que obtiveram as notas mais altas no Exame Nacional de Desempenho (Enade) no ano passado está nas universidades e faculdades públicas. Segundo os dados divulgados nesta quarta-feira (6) pelo Ministério da Educação e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), 44,3% dos cursos de instituições públicas ficaram com notas 4 e 5 e 13,5% tiveram conceitos 1 e 2 no item chamado Conceito Enade. Entre as instituições privadas, 11,6% tiveram as duas notas mais altas e 24,9% ficaram com as notas mais baixas. O Conceito Enade, cujas notas variam de 1 a 5, avalia o desempenho dos formandos e dos calouros.
Dos 3.238 cursos superiores que participaram do Enade em 2007, 722 ficaram com as notas mais baixas: 1 e 2, o que corresponde a 22,3% do total. Excluindo os que ficaram sem conceito, a maioria dos cursos avaliados ficou com nota 3 (24,2%). Outros 621 obtiveram as maiores notas 4 e 5 (19,2%), sendo que 134 ficaram com a nota máxima, que é 5. As provas foram aplicadas a 190 mil estudantes de todo o país.
Ao analisar os dados, parlamentares da bancada petista na Câmara avaliram que o melhor desempenho do setor público está diretamente ligado aos constantes investimentos que ocorreram nos últimos anos no governo Lula. “Isso é resultado de programas como o Reuni, que promove a valorização dos profissionais da educação; da interiorização do ensino público e reestruturação das instituições de ensino em todo o país. Apesar dos amargos anos vividos pelo ensino superior brasileiro anteriores ao governo Lula, esses dados revelam que já é possível identificar respostas positivas”, disse o deputado Pedro Wilson (PT-GO).
Para as instituições privadas, Pedro Wilson acredita que investimentos em pesquisa e pós graduação poderá resgatar os níveis de qualidade do ensino. Ainda no âmbito do ensino público, o parlamentar acredita que a implementação do piso salarial nacional dos professores no valor de R$ 950,00, também deverá resultar em uma melhora significativa nos índices de qualidade do ensino superior.
O deputado Elismar Prado (PT-MG) também atribui o desempenho do setor aos investimentos do governo Lula. “Apesar da dívida histórica que o país tem com o ensino superior, se percebe mudanças significativas. Os programas de interiorização do ensino superior, expansão e investimentos em infra-estrutura acadêmica do governo Lula foram fundamentais para esse desempenho”, disse. Para as instituições privadas, o parlamentar recomenda que o governo aumente o rigor. “A educação tem que ser tratada como um bem público, por isso o governo precisa aumentar o rigor com os índices de qualidade da educação privada”.
Exame – A região Centro-Oeste foi a que teve a maior concentração de notas baixas: 24,7% dos cursos ficaram com notas 1 e 2. Já na região Sul foi registrado o maior índice de cursos com notas 4 e 5: 27,9%. No curso de farmácia, 43,2% das notas ficaram entre 1 e 2, e no curso de fonoaudiologia, 48,9% obtiveram notas 4 e 5.
O Enade avaliou no ano passado cursos de 16 áreas do conhecimento: agronomia, biomedicina, educação física, enfermagem, farmácia, fisioterapia, fonoaudiologia, medicina, medicina veterinária, nutrição, odontologia, serviço social, radiologia, agroindústria, terapia ocupacional e zootecnia. O exame foi criado em 2004 para avaliar a qualidade dos cursos e instituições de ensino superior em todo o Brasil e o grau de aprendizado dos estudantes. As provas incluem questões de formação geral e de conteúdos específicos.
Por Edmilson Freitas com agências.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.
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Ministério da Educação divulga novo indicador para avaliação de universidades
Brasília – O Ministério da Educação divulgou hoje (6) os primeiros números do Conceito Preliminar de Cursos (CPC), novo indicador de avaliação das instituições de nível superior. O CPC leva em conta os resultado da prova do Exame Nacional de Desempenho de Estudantes (Enade) e do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observados e Esperados (IDD), que avaliam a quantidade de conhecimento que o aluno agregou durante a graduação, além da infra-estrutura do curso, a titularidade dos professores e uma avaliação dos alunos sobre o currículo.
O novo índice dá às instituições pontuação de 1 a 5. As que receberem conceito igual ou superior a 3, poderão ser dispensadas da visita de inspetores do MEC e receberão a renovação automática de suas autorizações de funcionamento.
“Isso vai desburocratizar os processos. A avaliação in loco vai ser direcionada. Vamos deixar de ter que vistoriar os cerca de 30 mil cursos e dar atenção especial aos 25% que tiveram notas baixas, que nos preocupam mais”, apontou o ministro da Educação, Fernando Haddad.
A instituição que receber conceito 1 ou 2 será vistoriada pelo MEC e poderá ser reavaliada após assinatura de termo de ajustamento de conduta com metas e prazos a serem cumpridos. “Nosso maior objetivo é preservar o estudante. Não estamos aqui para descredenciar cursos, mas se for preciso vamos fazê-lo”, afirmou o secretário de Educação Superior do MEC, Ronaldo Mota.
Os representantes de instituições particulares reagiram ao novo método de avaliação alegando que não foram consultados sobre a adoção do CPC para medir a qualidade do ensino. Em nota divulgada hoje, o Fórum das Entidades Representativas do Ensino Superior Particular, classificam o novo indicador como “uma implantação parcial do Sistema Nacional de Avaliação de Ensino Superior (Sinaes)”, que, segundo eles, “prejudicará sobremaneira a imagem das instituições”, que terão expostas as avaliações preliminares.
“As entidades representativas do ensino superior particular em nenhum momento foram ouvidas sobre a instituição do denominado Conceito Preliminar de Curso. Não houve sequer a realização de uma audiência pública sobre o tema”, de acordo com o documento.
Em resposta às críticas, Haddad afirmou que “só se preocupa com avaliação quem não faz bom trabalho”. De acordo com o ministro, o CPC aproxima o sistema de avaliação das regras previstas no Sinaes ao considerar itens como infra-estrutura e corpo docente na avaliação, e não só o desempenho dos estudantes.
“Quem tem um bom trabalho na questão da qualidade não tem medo da avaliação porque ganha com a visibilidade que os conceitos oferecem. Nosso desejo é ajudar quem faz bom trabalho; e quem estiver em dificuldade receberá apoio técnico do ministério para firmar os termos de compromisso e garantir o direito dos estudantes à educação de qualidade”, avaliou.
Por Luana Lourenço – Repórter da Agência Brasil.
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Menos de 1,5% dos cursos superiores receberam nota máxima no novo indicador do MEC
Brasília – Menos de 1,5% dos cursos de ensino superior avaliados pelo novo indicador do Ministério da Educação (MEC) receberam nota máxima. Das 3.238 graduações listadas pelo MEC, apenas 47 conseguiram alcançar nota 5 no Conceito Preliminar de Curso (CPC). Cerca de 15% receberam os conceitos 1 e 2 e passarão por vistoria do MEC. Além disso, correm o risco de serem fechados se não cumprirem termos de compromisso para melhorar a qualidade do ensino.
Com base em dados de 2007, o CPC avaliou cursos das áreas de saúde, agrárias e serviço social de cerca de 2 mil instituições de ensino superior. O índice será estendido a cursos de todas as áreas à medida que os alunos forem submetidos ao Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), um dos itens do CPC.
O novo método também inclui o resultado do Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observados e Esperados (IDD), que avalia a quantidade de conhecimento que o aluno agregou durante a graduação, além da infra-estrutura do curso, a titularidade dos professores e uma avaliação dos alunos sobre o currículo.
Entre os cursos com nota máxima, apenas um é de instituição privada, o de Tecnologia em Radiologia, do Centro Universitário São Camilo, em São Paulo. Minas Gerais é o estado que mais concentra os cursos considerados excelentes pela avaliação do CPC, com 13 graduações na lista das que receberam conceito 5. São Paulo aparece em seguida, com nove cursos e em terceiro lugar, o Paraná, com sete cursos com nota máxima.
No outro extremo, dos 24 cursos com a pior nota – conceito 1 – , 19 são de instituições particulares. Entre os cursos de instituições públicas reprovados, estão os de educação física das Universidades Federais da Bahia (UFBA) e do Espírito Santo e a graduação em serviço social, da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Ao comentar os resultados, o ministro da Educação, Fernando Haddad, evitou apontar causas diretas para a disparidade entre os resultados das instituições públicas e privadas, também verificado nos resultados do Enade.
“Possivelmente tem a ver com o regime de trabalho, com a titulação dos professores, mas pode estar ligado também com a condição sócio-econômicas dos alunos, entre outras tantas variáveis”, apontou.
Segundo Haddad, o MEC patrocina grupos de pesquisa para avaliar indicadores educacionais e subsidiar as políticas de melhoria da qualidade do ensino. “O melhor a fazer é fomentar a academia para trabalhar esse tema e trazer para o conhecimento dos órgãos públicos o que pode ser feito para melhorar”, ponderou.
Com o CPC, o Haddad espera “racionalizar e desburocratizar” os processos de avaliação do ensino superior, já que apenas as instituições com conceitos 1 e 2 – “mais preocupantes”, segundo Haddad – passarão por vistorias in loco. Quem tiver conceito 3, 4 ou 5 será dispensado da visita.
Por Luana Lourenço – Repórter da Agência Brasil.
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