A Força Sindical criticou a decisão do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central, que manteve hoje, pelo segundo mês seguido, a taxa básica de juros da economia em 19,75% ao ano. Para o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, a manutenção dos juros em patamares elevados combinada à crise política ameaça a possibilidade de crescimento econômico no segundo semestre do ano.
“A inércia em discutir uma agenda voltada para o desenvolvimento, a crise de moralidade do governo com a percepção de corrupção generalizada no poder público unida à alta taxas de juros deterioram de forma assustadora as expectativas da sociedade”, disse Paulinho.
Segundo ele, os juros altos vão “continuar estrangulando o setor produtivo e inibindo o consumo e a criação de novos postos de trabalho”. “Mais uma vez, o governo frustra as expectativas de voltarmos a ter esperança de crescimento econômico. Essa taxa já aponta recessão para o segundo semestre.”
Paulinho voltou a cobrar mudanças na política econômica. “O governo precisa urgentemente mudar os rumos da economia e implantar uma política direcionada para o desenvolvimento e crescimento.”
CUT
O presidente-interino da CUT, Wagner Gomes, disse que foi “insensatez” do Copom manter os juros nesse patamar elevado.
“Diante do grave momento político que vivemos, a CUT acredita que melhor seria convocar a sociedade, incluindo trabalhadores, movimentos sociais, empresários e classe política, para estabelecer uma negociação ampla em torno de metas de crescimento e de defesa do processo democrático”, disse Gomes.
Segundo ele, esse processo “incluiria a queda da taxa básica de juros”. “Essa é condição essencial para o crescimento econômico, que garantirá a manutenção do processo de geração de empregos.”
Gomes afirmou ainda que “nem os habituais argumentos para defender essa política monetária encontram respaldo no mundo real: a inflação já recuou e cede espaço à deflação”.
Fonte: Folha Online
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