Esclarecimento sobre o editorial e artigo publicados recentemente pelo jornal Folha de S. Paulo a respeito da relação entre a Central Única dos Trabalhadores e a agricultura familiar:
1º – Os trabalhadores rurais sempre tiveram, desde a fundação da nossa entidade em 1983, o maior número de sindicatos filiados à Central.
2º – A ampliação de recursos para a agricultura familiar, segmento responsável por mais de 70% da produção agrícola nacional, 40% do PIB agropecuário, 10% do PIB brasileiro, e por uma distribuição de renda mais eqüitativa no campo, superando as evidentes limitações do agronegócio – tanto a nível de emprego quanto de salário – necessita, por uma questão de justiça social e viabilidade econômica, da proteção do Estado. De cada dez empregos gerados na zona rural, sete são da agricultura familiar.
3º – Por sua altíssima capacidade de mobilização e pressão política, tanto a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) quanto a Federação dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (Fetraf-Brasil) são organizações que cresceram de forma expressiva nos últimos anos e, apesar do inconformismo de alguns, continuarão ampliando sua representação.
4º – Todo e qualquer ramo beneficiado pelo crescimento econômico deve registrar, pelos reflexos positivos nos acordos salariais e contratos coletivos, melhorias nas suas condições de vida e trabalho, e, conseqüentemente, em seus níveis de sindicalização.
5º – Tanto o editorial como a matéria da Folha buscam desqualificar o crescimento do nível de organização e consciência dos trabalhadores rurais, tentando passar que o fortalecimento das suas entidades se dá como “dádiva” e não como conquista de uma luta histórica, materializada obviamente pelo compromisso político de um governo popular.
6º – Todos os segmentos da economia sempre buscaram legitimamente recursos públicos para o seu progresso e desenvolvimento – o que é absolutamente natural. Os empresários solicitam apoio para alavancar seus negócios e fortalecer seus empreendimentos, sem que haja maiores questionamentos. Por que a Folha expressa tamanha contrariedade quando se trata de defender os interesses da agricultura familiar?
7º – A despeito destas matérias preconceituosas, para nós é motivo de orgulho contarmos nas fileiras da CUT com mais de 1.200 sindicatos de trabalhadores rurais e de agricultores familiares, registrarmos um expressivo aumento da sindicalização de mulheres e termos organizações altamente representativas, com vínculo real com a sua base.
8º – Sugiro à Folha de S. Paulo que entreviste a base desse segmento para que possa manifestar-se sobre os avanços que vêm sendo obtidos em vez de publicar apenas e tão somente as opiniões dos seus editores, sobrepondo suas vontades à rica realidade. Há uma diferença abismal entre o jornalismo “saudável”, norteado pela verdade e pela melhoria da qualidade da informação, e aquele que, servindo à manipulação, se apequena ao ser confrontado com os fatos. Ainda é tempo para que a Folha supere esta fronteira confusa.
Por João Antonio Felício, presidente da CUT nacional
Publicada em: 23/05/2006 às 16:27 Seção: AGÊNCIA CUT DE NOTÍCIAS.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.
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