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CUT PROMETE MAIS PRESSÃO EM 2004, “PARA AJUDAR LULA”

CM

João Felício, ex-presidente da central sindical, afirma que não é possível admitir desemprego elevado e salários em queda num governo do PT.

(São Paulo) O secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, disse nesta sexta-feira (30) que a entidade está “profundamente insatisfeita” com os resultados obtidos até agora pelo governo Lula nas áreas do emprego e da geração de renda. Segundo ele, que presidiu a entidade até junho do ano passado, o movimento sindical deve cumprir seu papel e exercer mais pressão política sobre o governo Lula em 2004.
“É assim que ajudaremos Lula: pressionando. Nós não podemos admitir que um governo de esquerda e do PT mantenha desemprego alto e queda dos salários”, disse Felício, ao falar a dirigentes cutistas que participavam de seminário sobre economia solidária, em São Bernardo do Campo (SP).

Na quinta-feira (29), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos) e a Fundação Seade haviam divulgado que a deterioração do mercado de trabalho atingiu níveis recordes em 2003 – primeiro ano de Lula na Presidência.

A taxa de desemprego fechou o ano em 19,9%, o mais elevado patamar desde 1985, e o rendimento médio dos ocupados recuou pelo sexto ano consecutivo, para R$ 928 por mês, 6,4% a menos do que em 2002.

Felício criticou os “companheiros” que evitam contestar o governo Lula por conta das relações do presidente com o movimento sindical – Lula foi um dos fundadores da CUT no início dos anos 80.

“Se nem o (ministro) José Dirceu (Casa Civil) gosta do Lisboa (Marcos de Barros Lisboa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda) e do Levy (Joaquim Vieira Ferreira Levy, secretário do Tesouro Nacional do mesmo ministério), por que nós temos de gostar?”, disse ele, em tom bem-humorado, provocando sorrisos na platéia.

O secretário-geral da CUT se referia aos supostos desentendimentos entre Dirceu e dois dos principais assessores do ministro Antonio Palocci (Fazenda).

Apesar das críticas de Felício, é pouco provável que as relações entre o governo e a CUT sofram um grande desgaste em 2004. Pelo contrário, a expectativa é que seja mantida a tendência de, primeiro, sempre buscar o diálogo e a cooperação.

Vale lembrar que foi essa a decisão do 8º Congresso Nacional da central, realizado em 2003, quando foram definidas as propostas que nortearão o rumo da entidade até 2006. Na ocasião, com quase 80% dos votos dos 2.735 delegados, venceu a proposta mais conciliatória, que se contrapunha àquelas mais radicais de rompimento com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e suspensão do pagamento da dívida externa.

Além disso, as posições de Felício muitas vezes não ecoam dentro da CUT com a mesma intensidade. O atual presidente, Luiz Marinho, costuma se manifestar de maneira mais branda em relação ao governo Lula. Ele afirma, por exemplo, que a queda dos juros em 2003 ocorreu num ritmo mais rápido do que o defendido pela própria central.

Felício admite a “afinidade”. “Temos uma identificação ideológica com esse governo, e se ele não der certo, será a derrota da classe trabalhadora”, argumenta. “Mas não podemos ter receio. Para o governo Lula dar certo tem de haver mais pressão”.

Em 2004, a agenda da CUT está cheia. As reformas das legislações trabalhista e sindical devem entrar em pauta no Executivo e do Congresso. Os prognósticos de que o país voltará a crescer neste ano, por sua vez, abrem espaço para que os sindicatos obtenham mais sucesso nas negociações coletivas.

Fonte: Agência Carta Maior

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CUT PROMETE MAIS PRESSÃO EM 2004, “PARA AJUDAR LULA”

CM
João Felício, ex-presidente da central sindical, afirma que não é possível admitir desemprego elevado e salários em queda num governo do PT.
(São Paulo) O secretário-geral da CUT (Central Única dos Trabalhadores), João Felício, disse nesta sexta-feira (30) que a entidade está “profundamente insatisfeita” com os resultados obtidos até agora pelo governo Lula nas áreas do emprego e da geração de renda. Segundo ele, que presidiu a entidade até junho do ano passado, o movimento sindical deve cumprir seu papel e exercer mais pressão política sobre o governo Lula em 2004.
“É assim que ajudaremos Lula: pressionando. Nós não podemos admitir que um governo de esquerda e do PT mantenha desemprego alto e queda dos salários”, disse Felício, ao falar a dirigentes cutistas que participavam de seminário sobre economia solidária, em São Bernardo do Campo (SP).
Na quinta-feira (29), o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-econômicos) e a Fundação Seade haviam divulgado que a deterioração do mercado de trabalho atingiu níveis recordes em 2003 – primeiro ano de Lula na Presidência.
A taxa de desemprego fechou o ano em 19,9%, o mais elevado patamar desde 1985, e o rendimento médio dos ocupados recuou pelo sexto ano consecutivo, para R$ 928 por mês, 6,4% a menos do que em 2002.
Felício criticou os “companheiros” que evitam contestar o governo Lula por conta das relações do presidente com o movimento sindical – Lula foi um dos fundadores da CUT no início dos anos 80.
“Se nem o (ministro) José Dirceu (Casa Civil) gosta do Lisboa (Marcos de Barros Lisboa, secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda) e do Levy (Joaquim Vieira Ferreira Levy, secretário do Tesouro Nacional do mesmo ministério), por que nós temos de gostar?”, disse ele, em tom bem-humorado, provocando sorrisos na platéia.
O secretário-geral da CUT se referia aos supostos desentendimentos entre Dirceu e dois dos principais assessores do ministro Antonio Palocci (Fazenda).
Apesar das críticas de Felício, é pouco provável que as relações entre o governo e a CUT sofram um grande desgaste em 2004. Pelo contrário, a expectativa é que seja mantida a tendência de, primeiro, sempre buscar o diálogo e a cooperação.
Vale lembrar que foi essa a decisão do 8º Congresso Nacional da central, realizado em 2003, quando foram definidas as propostas que nortearão o rumo da entidade até 2006. Na ocasião, com quase 80% dos votos dos 2.735 delegados, venceu a proposta mais conciliatória, que se contrapunha àquelas mais radicais de rompimento com o FMI (Fundo Monetário Internacional) e suspensão do pagamento da dívida externa.
Além disso, as posições de Felício muitas vezes não ecoam dentro da CUT com a mesma intensidade. O atual presidente, Luiz Marinho, costuma se manifestar de maneira mais branda em relação ao governo Lula. Ele afirma, por exemplo, que a queda dos juros em 2003 ocorreu num ritmo mais rápido do que o defendido pela própria central.
Felício admite a “afinidade”. “Temos uma identificação ideológica com esse governo, e se ele não der certo, será a derrota da classe trabalhadora”, argumenta. “Mas não podemos ter receio. Para o governo Lula dar certo tem de haver mais pressão”.
Em 2004, a agenda da CUT está cheia. As reformas das legislações trabalhista e sindical devem entrar em pauta no Executivo e do Congresso. Os prognósticos de que o país voltará a crescer neste ano, por sua vez, abrem espaço para que os sindicatos obtenham mais sucesso nas negociações coletivas.
Fonte: Agência Carta Maior

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