Depois de inúmeras ilegalidades já constatadas na atual gestão da Nossa Caixa, uma nova denúncia veio à tona nesse final de semana por meio do jornal Folha de S. Paulo, dando conta de que o banco estatal estaria beneficiando aliados do governador do estado, Geraldo Alckmin, em troca de apoio político.
Na matéria, são apontados documentos comprovando que o Palácio dos Bandeirantes pressionou a Nossa Caixa a direcionar recursos publicitários para favorecer jornais, revistas e programas de rádio e televisão mantidos ou indicados por deputados da base aliada na Assembléia Legislativa. De acordo com a publicação, os deputados envolvidos são: Wagner Salustiano (PSDB), Geraldo “Bispo Gê” Tenuta (PTB), Vaz de Lima (PSDB), Edson Ferrarini (PTB) e Afanázio Jazadji (PFL), que chegou a incriminar, em entrevista à rádio CBN neste domingo, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) de negociar o esquema pessoalmente.
“É uma espécie de ‘mensalinho’ montado pelo governo Alckmin em todas as estatais do estado e com indícios de contratos superfaturados e de revezamentos entre as empresas para anunciarem em meios de comunicação de deputados da base governista, cuja lista pode ser bem maior do que a divulgada pelo jornal Folha de S. Paulo”, declara o diretor de Bancos Estaduais da FETEC/CUT-SP, Elias Maalouf.
Na avaliação do dirigente, esse é mais um dos inúmeros escândalos que têm marcado a atual administração da Nossa Caixa, dentre os quais o processo de privatização, cujas ilegalidades já foram reconhecidas pela Justiça. “São inúmeros os problemas nas agências e com contratos superfaturados, assim como superfaturamento em contratos de informática, contratos sem licitação, como o recém-divulgado com a Consultoria Quest, de propriedade do ex-ministro das Comunicações, de Luiz Carlos Mendonça de Barros, grande coordenador de todo o processo de privatização do governo FHC, enquanto presidente do BNDES e depois como ministro das comunicações, e hoje um dos mais importantes conselheiros de Alckmin, chegando a ser cotado para futuro ministro, caso do governador de SP seja eleito presidente da República nas próximas eleições”, adverte Maalouf ao listar também a inexistência de contratos com as empresas de publicidade Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda.
Reportagem divulgada também pelo jornal Folha de S, Paulo, em dezembro último, revelou que as agências de propaganda Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda. continuaram prestando serviços sem amparo legal, após o banco não ter renovado os contratos expirados em setembro de 2003. De acordo com a matéria, as empresas teriam recebido R$ 43 milhões no período de setembro de 2003 a julho de 2005.
Outro escândalo na Nossa Caixa é a contratação sem concurso público do atual assessor de comunicação do governador Alckmin, o jornalista Roger Ferreira, o qual teria vencimentos de R$ 17 mil, salário acima do recebido pelo presidente do banco estatal, em torno de R$ 12 mil.
“São indícios sobre indícios de má-gestão e, mesmo assim, o governador diz que não tem o que apurar e, o que é ainda pior, o esquema parece realmente grande e com fraudes contábeis. Muito me estranha o Tribunal de Contas do Estado não ter questionado nada sobre a continuidade da prestação de serviços pela Full Jazz Comunicação e Propaganda Ltda. e Colucci Propaganda Ltda. à Nossa Caixa sem que o banco tivesse renovado contrato. Porque o TCE não se manifestou? Além disso, como era feita a contabilização dessas agências se não havia um suporte legal? A inexistência desses contratos, como base para contabilizar os pagamentos, supõe a prática de fraudes na contabilidade do banco”, avalia o diretor da FETEC SP.
Para o dirigente, tanto o governador, como a direção do banco tem muitas contas a prestar à sociedade. “Os indícios não são de hoje e, mesmo assim, a direção do banco nunca tomou providências, a não ser a recente demissão por justa causa do ex-gerente Jaime de Castro, numa clara tentativa de abafar o caso. O governador, por sua vez, se faz de morto, apesar de ter prometido um banho de ética na política tão logo seu nome foi confirmado para a disputada presidencial. O fato é que ambos só apostam na impunidade. Por isso, o movimento sindical e todos os orgãos de representação devem continuar firmes nas pressões para que as denúncias sejam apuradas com as devidas punições aos envolvidos”.
Fonte: Fetec SP
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