Nunca em sua história o mundo teve que lidar com tantos desempregados como agora. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o número de pessoas sem emprego atingiu 185,9 milhões em 2003, praticamente equivalente à população de todo o Brasil. O que mais assusta os especialistas é que o aumento do desemprego está ocorrendo mesmo diante do crescimento da economia mundial, taxa que no ano passado atingiu 3,2%.
Em termos porcentuais, a OIT aponta que o desemprego mundial atingiu 6,2% da população econômica ativa em 2003. Em 2002, essa taxa era levemente superior e chegava à 6,3% da população, mas em números absolutos a população de desempregados em 2003 superou a de 2002 em 500 mil pessoas. A guerra no Iraque e a pneumonia atípica que atingiu a Ásia contribuíram para a crise no ano passado, em especial no setor de turismo. Durante a década, porém, os motivos para tanto desemprego são mais profundos e estão relacionados com os efeitos negativos da globalização. Nos últimos dez anos, 45 milhões de novos desempregados foram somados às estatísticas, uma população equivalente a da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos.
O problema da falta de empregos atinge tanto os países ricos como o mundo em desenvolvimento. Atualmente, o desemprego nos países desenvolvidos é de 6,8%, taxa superior à média mundial, mas inferior à da América Latina, com 8%. A região mais problemática é o Oriente Médio e Norte da África, com 12,2% das pessoas sem emprego. Outro alerta se refere ao número de pessoas trabalhando com renda insignificante. Mais de 550 milhões de pessoas no mundo que são contabilizadas como empregadas recebem menos de US$ 1,00 por dia.
Jovens – segundo a OIT, os mais afetados pelo desemprego hoje são os jovens entre 15 e 24 anos, que somam 88,2 milhões de pessoas no mundo.
Mulheres – a OIT observa uma leve redução do número total de desempregadas, que passou de 77,9 milhões, em 2002, para 77,8 milhões no ano passado.
Para 2004, a recuperação da economia mundial dá esperanças à OIT de que o aumento do número de desempregados possa ser freado no mundo.
Desta vez, porém, o crescimento terá que ser aproveitado pelos governos para que políticas de criação de empregos sejam estabelecidas. Juan Somavia, diretor da entidade ligada à ONU, ressalta que sem criação de empregos a redução de pobreza ficará comprometida. “Crescimento por si mesmo não criará os postos de trabalho que necessitamos.
Isso já ficou claro. Temos que adotar estratégias que coloquem o emprego no centro de políticas sociais e macroeconômicas”, afirma um especialista da OIT, que lembra que até 2015 o mundo terá de encontrar vagas para cerca de 514 milhões de pessoas que estarão entrando na idade de buscar um emprego.
Economia cresce abaixo do necessário
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que as economias latino-americanas terão de crescer em média 7% ao ano até 2015 para reduzir pela metade o número de seus desempregados. Em 2004, a população desempregada na região deverá chegar a 18 milhões de pessoas. A taxa de crescimento apontada como necessária, porém, é bem maior que a média da última década, que foi de 2,5%.
Nos últimos dez anos, o desemprego na América Latina sofreu um crescimento de 2,1%, atingindo um pico em 2002, quando 9% da população estava sem trabalho na região, um dos maiores índices no mundo.
Em 2003 foi observada uma queda da taxa para 8%, mas quase que exclusivamente graças à recuperação da economia argentina. Desde a crise de 2001, a região não parava de criar mais desempregados e o único país que estava indo contra a corrente era a Venezuela.
Mas, para que a recuperação em 2003 não seja apenas um fato isolado e restrito à Argentina, a OIT defende políticas macroeconômicas que possam não apenas dar estabilidade aos países, mas também criar empregos e melhores rendas.
Dados da entidade apontam que, enquanto a pobreza no mundo foi reduzida entre 1990 e 2000, a América Latina ganhou 8 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza nesse período. Segundo a OIT, um em cada sete latino-americanos ganha menos de US$ 1 por dia em seu emprego.
Outra característica da região é o fato de que o desemprego entre as mulheres ainda é bem maior que entre os homens, atingindo 10% desse grupo da população. Entre as jovens, a estimativa é que 20% delas não tenham trabalho. No total, 9,5 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos na América Latina estão desempregados, taxa que supera a média mundial.
Os dados sobre o desemprego entre os jovens no Brasil mostra que, em 1990, a parcela dessa população atingida pela falta de trabalho era de apenas 6,7%.
Em 2001, essa taxa chegou a 17,9%. Situação mais crítica que a do Brasil é observada na Argentina, onde 31,8% dos jovens não encontram trabalho. Mas o caso mais grave na América Latina é o da Colômbia, com 36,3% da população entre 15 e 24 anos sem emprego.
Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo
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Por Mhais• 1 de março de 2004• 15:14• Sem categoria
DESEMPREGO ASSOMBRA PAÍSES RICOS E POBRES
Nunca em sua história o mundo teve que lidar com tantos desempregados como agora. Dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) indicam que o número de pessoas sem emprego atingiu 185,9 milhões em 2003, praticamente equivalente à população de todo o Brasil. O que mais assusta os especialistas é que o aumento do desemprego está ocorrendo mesmo diante do crescimento da economia mundial, taxa que no ano passado atingiu 3,2%.
Em termos porcentuais, a OIT aponta que o desemprego mundial atingiu 6,2% da população econômica ativa em 2003. Em 2002, essa taxa era levemente superior e chegava à 6,3% da população, mas em números absolutos a população de desempregados em 2003 superou a de 2002 em 500 mil pessoas. A guerra no Iraque e a pneumonia atípica que atingiu a Ásia contribuíram para a crise no ano passado, em especial no setor de turismo. Durante a década, porém, os motivos para tanto desemprego são mais profundos e estão relacionados com os efeitos negativos da globalização. Nos últimos dez anos, 45 milhões de novos desempregados foram somados às estatísticas, uma população equivalente a da Argentina, Paraguai e Uruguai juntos.
O problema da falta de empregos atinge tanto os países ricos como o mundo em desenvolvimento. Atualmente, o desemprego nos países desenvolvidos é de 6,8%, taxa superior à média mundial, mas inferior à da América Latina, com 8%. A região mais problemática é o Oriente Médio e Norte da África, com 12,2% das pessoas sem emprego. Outro alerta se refere ao número de pessoas trabalhando com renda insignificante. Mais de 550 milhões de pessoas no mundo que são contabilizadas como empregadas recebem menos de US$ 1,00 por dia.
Jovens – segundo a OIT, os mais afetados pelo desemprego hoje são os jovens entre 15 e 24 anos, que somam 88,2 milhões de pessoas no mundo.
Mulheres – a OIT observa uma leve redução do número total de desempregadas, que passou de 77,9 milhões, em 2002, para 77,8 milhões no ano passado.
Para 2004, a recuperação da economia mundial dá esperanças à OIT de que o aumento do número de desempregados possa ser freado no mundo.
Desta vez, porém, o crescimento terá que ser aproveitado pelos governos para que políticas de criação de empregos sejam estabelecidas. Juan Somavia, diretor da entidade ligada à ONU, ressalta que sem criação de empregos a redução de pobreza ficará comprometida. “Crescimento por si mesmo não criará os postos de trabalho que necessitamos.
Isso já ficou claro. Temos que adotar estratégias que coloquem o emprego no centro de políticas sociais e macroeconômicas”, afirma um especialista da OIT, que lembra que até 2015 o mundo terá de encontrar vagas para cerca de 514 milhões de pessoas que estarão entrando na idade de buscar um emprego.
Economia cresce abaixo do necessário
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) estima que as economias latino-americanas terão de crescer em média 7% ao ano até 2015 para reduzir pela metade o número de seus desempregados. Em 2004, a população desempregada na região deverá chegar a 18 milhões de pessoas. A taxa de crescimento apontada como necessária, porém, é bem maior que a média da última década, que foi de 2,5%.
Nos últimos dez anos, o desemprego na América Latina sofreu um crescimento de 2,1%, atingindo um pico em 2002, quando 9% da população estava sem trabalho na região, um dos maiores índices no mundo.
Em 2003 foi observada uma queda da taxa para 8%, mas quase que exclusivamente graças à recuperação da economia argentina. Desde a crise de 2001, a região não parava de criar mais desempregados e o único país que estava indo contra a corrente era a Venezuela.
Mas, para que a recuperação em 2003 não seja apenas um fato isolado e restrito à Argentina, a OIT defende políticas macroeconômicas que possam não apenas dar estabilidade aos países, mas também criar empregos e melhores rendas.
Dados da entidade apontam que, enquanto a pobreza no mundo foi reduzida entre 1990 e 2000, a América Latina ganhou 8 milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza nesse período. Segundo a OIT, um em cada sete latino-americanos ganha menos de US$ 1 por dia em seu emprego.
Outra característica da região é o fato de que o desemprego entre as mulheres ainda é bem maior que entre os homens, atingindo 10% desse grupo da população. Entre as jovens, a estimativa é que 20% delas não tenham trabalho. No total, 9,5 milhões de pessoas entre 15 e 24 anos na América Latina estão desempregados, taxa que supera a média mundial.
Os dados sobre o desemprego entre os jovens no Brasil mostra que, em 1990, a parcela dessa população atingida pela falta de trabalho era de apenas 6,7%.
Em 2001, essa taxa chegou a 17,9%. Situação mais crítica que a do Brasil é observada na Argentina, onde 31,8% dos jovens não encontram trabalho. Mas o caso mais grave na América Latina é o da Colômbia, com 36,3% da população entre 15 e 24 anos sem emprego.
Fonte: Jornal O Estado de S.Paulo
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