Em artigo, o deputado Ricardo Berzoini (PT-SP), comemora o sucesso dos dez anos com o PT no comando do governo federal. “São dez anos de melhoria da vida dos brasileiros”. Ele cita ainda os desafios imediatos e futuros do partido.
Dez anos de PT na Presidência da República, muito a comemorar, muito mais por fazer
Ricardo Berzoini(*)
No dia 1º de Janeiro de 2013, o Brasil completa dez anos com o PT no comando do governo federal. São cento e vinte meses de lutas importantes, com resultados decisivos para a mudança de rumo que o Brasil experimentou nesse período. Podemos, e devemos, comemorar feitos que pareciam impossíveis nos anos que antecederam a chegada de Lula à Presidência da República.
São inúmeras conquistas, tais como a forte redução da desigualdade social e regional, a reversão da tendência do mercado de trabalho, com a geração de 18 milhões de empregos e a redução da informalidade, a recuperação sustentável do salário mínimo, os programas inovadores como o Bolsa Família, o Luz para Todos, o Samu, a Farmácia Popular, o Prouni, a expansão da rede de nível superior federal e das escolas técnicas de nível médio, a recuperação financeira e administrativa da Previdência Social, os programas da agricultura familiar, etc.
Segundo levantamento da consultoria Boston Consulting Group (BCG), o Brasil foi o país que melhor aproveitou o crescimento econômico alcançado nos últimos cinco anos para aumentar o padrão de vida e o bem-estar da população, entre 150 países segundo 51 indicadores coletados em diversas fontes, como Banco Mundial, OCDE e FMI.
Reelegemos Lula em 2006 e elegemos Dilma, em 2010. Acabamos de sair vitoriosos da eleição municipal, na qual o PT foi atacado duramente pela mídia conservadora e pelo STF, que transformou o julgamento da Ação Penal 470 em um comício contra o PT, com discursos nunca vistos antes num tribunal. Foi a mais ousada e atrevida tentativa de constrangimento de um partido político. Enfrentamos tudo de cabeça erguida e, mais uma vez, crescemos. Nossos adversários, novamente, reduziram seu porte político.
Essa avaliação otimista não pode esconder as dificuldades que nosso projeto enfrenta. O PT e seus aliados com maior proximidade ideológica não conseguiram traduzir no Parlamento o apoio que tivemos para seguir governando o Brasil. Não tivemos sucesso na aprovação de uma reforma política, capaz de mudar o sistema de financiamento eleitoral e a forma personalista e não programática como são eleitos os parlamentares. Não conseguimos estabelecer uma estratégia para ampliar a liberdade de expressão e a democratização dos meios de comunicação. Não avançamos na reforma do sistema financeiro, nem na reforma tributária socialmente progressista, nem na reforma agrária estruturante. Fizemos uma reforma parcial do Judiciário com a Emenda 45, mas sem alcançar as raízes das distorções arraigadas, para criar uma nova cultura judicial, necessária à realização da prestação jurisdicional efetiva.
O PT, portanto, comemora o sucesso de dez anos de melhoria da vida dos brasileiros, mas sabe que apenas uma pequena parte do caminho foi percorrida. Nossos desafios imediatos são preparar a reeleição de Dilma, reforçando os laços com nossos aliados e dando sequencia à luta para fazer frente à crise internacional, mantendo om crescimento do emprego e da renda no Brasil. Nessa direção, a luta para reduzir os juros, que minora o impacto orçamentário da dívida interna e melhora o padrão de financiamento das atividades produtiva, deve merecer apoio e divulgação da nossa militância.
Da mesma forma, a estratégia de redução do custo da energia tende a impactar positivamente a inflação, a competitividade das empresas nacionais e a renda das famílias em 2013. Também merece ser bandeira do PT e aliados. Especialmente porque as empresas controladas por governos tucanos foram as que resistiram ao programa proposto pela presidenta Dilma.
Em São Paulo, temos reais condições de vencer as eleições para o governo estadual, desde que possamos constituir uma frente de partidos, que possam romper com o ciclo neoliberal que estagnou o desenvolvimento estadual e provoca crises de gestão na segurança pública, na saúde e na educação. O sistema penitenciário estadual está fora do controle público e as polícias civil e militar em crise de identidade, sem coordenação e desmotivadas. Precisamos abrir um processo imediato de preparação programática e dialogar com os partidos da base do governo Dilma, com vistas a reproduzir a aliança que se constituiu na capital no segundo turno das eleições municipais.
O PT, em São Paulo, precisa estabelecer um processo interno de unidade e coesão, para enfrentar os seguidos ataques à honra partidária. Essa mesma unidade é vital para incorporarmos os mais de 50 mandatos estaduais e federais, os 660 vereadores, os prefeitos e os dirigentes dos movimentos sociais para, desde já, fortalecer nossa luta para trazer ao governo estadual o modo de governar que estão construindo um novo Brasil.
O PED de 2013 é uma oportunidade para mobilizar todo o partido, realizando um debate maduro e ousado, movimentando todas as regiões do estado, e demonstrando a democracia interna de um partido, que aos 33 anos de vida, exerce a missão política de transformar o Brasil em uma nação verdadeiramente democrática, justa e fraterna, com a vocação de liderança internacional dos trabalhadores de todo o planeta.
(*) Deputado Federal, ex-presidente Nacional do PT e presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados
Artigo colhido no sítio http://www.ptnacamara.org.br