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Diretora da Organização Internacional do Trabalho pede defesa de emprego e renda no pós-crise

Em evento de preparação para o 10º Concut, modelo de desenvolvimento com distribuição de renda e sustentabilidade são debatidos

Um novo modelo de desenvolvimento, baseado no emprego, na distribuição de renda e na sustentabilidade. Este foi o entendimento comum do debate O desenvolvimento necessário pós-crise, realizado na tarde desta segunda-feira (3) no Expo Center Norte, em São Paulo (SP). Organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), o debate foi o primeiro da programação do seminário internacional Crise e Estratégias Sindicais, que segue até esta terça-feira e precede o 10º Congresso Nacional da CUT (Concut).

“O atual modelo mostra uma deformação no modo como se utilizam os recursos”, ponderou o economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo Ladislau Dawbor. “Hoje, o PIB mundial é de US$ 60 trilhões, e só os 20% mais ricos detêm nada menos que 83% do total destes recursos”, afirmou. Dawbor considera ainda que é necessário buscar um modelo de desenvolvimento que tenha como objetivos a sustentabilidade e a preservação e recuperação do meio ambiente.

Laís Abramo, diretora do escritório brasileiro da Organização Internacional do Trabalho (OIT), avalia que a crise é resultado do processo de globalização da economia, que já penalizava os trabalhadores. “Existia uma crise de emprego desde 2007, quando havia 195 milhões de desempregados no mundo. E metade dos que trabalhavam eram pobres”, avalia.

Ela acrescenta que a OIT defende que é preciso rever os fundamentos do atual modelo econômico. “Não se trata apenas de salvar o mercado financeiro, mas sobretudo o emprego e a renda. Por isso, não podemos voltar ao status quo anterior à crise”, complementou.

Para o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República Luiz Dulci, os efeitos da crise não foram tão nocivos no Brasil, porque o país conseguiu superar várias dicotomias e aliar o crescimento econômico com o social. O principal instrumento para isso, segundo ele, são programas de distribuição de renda, que ajudaram a fortalecer o mercado interno.

“Desde setembro de 2008 – quando eclodiu a crise internacional –, o governo tomou uma série de medidas que ajudaram a minimizar os impactos no Brasil”, adiciona Dulci. “É o caso da concessão de créditos aos setores produtivos, da redução da taxa de juros e do aumento dos gastos sociais”, afirma o ministro.

Congresso

O 10º Congresso Nacional da CUT será aberto oficialmente nesta terça-feira (4) à noite, também no Expo Center Norte. O evento deve reunir 2.500 delegados de todo o país para debater ações sindicais para os próximos três anos, além de eleger a nova direção da entidade. O Concut se encerra nesta sexta-feira (7).

Por Solange do Espírito Santo, especial para Rede Brasil Atual.

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Para OCDE, só empregos salvam os bancos

Para secretário geral da organização, custo da crise é igual ao de uma guerra mundial

“O emprego está no coração da crise financeira internacional. Por isso, é preciso salvar os empregos para salvar os bancos”. A avaliação foi feita pelo secretário geral da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), John Evans, durante o debate “O sistema financeiro internacional e suas instituições: as transformações necessárias”, realizado no final da tarde desta segunda-feira (3), o segundo do Seminário Internacional “Crise e Estratégias Sindicais”, que acontece até o início da tarde desta terça-feira, no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

O evento é organizado pela Central Única dos Trabalhadores e reúne sindicalistas de 48 países de todos os continentes. Ele antecede o 10º Congresso Nacional da CUT, que tem início na noite desta terça e prossegue até sexta-feira (8), no mesmo local.

Para John Evans, o custo desta crise é igual ao de uma guerra mundial e, diante disso, os trabalhadores são os maiores prejudicados. “É preciso repensar o mercado financeiro, para que ele seja voltado ao sistema produtivo, com mecanismos de proteção efetiva ao consumidor e aos trabalhadores e coberto por uma regulamentação e fiscalização bancária eficiente”, defendeu o secretário da OCDE.

Por sua vez, o diretor do Center for Economic and Policy Research, Mark Weisbrot, que participou do debate por meio de teleconferência, as mudanças no sistema financeiro acontecerão em âmbito local e regional, porque as grandes potências não permitirão um regramento global do sistema. Outro debatedor, o economista Marcos Cintra, do IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Avançada), também tem esta avaliação: “Os EUA, por exemplo, não permitirão que nenhuma instituição supra-nacional regule seu mercado interno. Por isso, cada país estabelecerá a sua regulamentação. E ela é extremamente necessária, e em todo o sistema financeiro, que ganhou uma complexidade muito grande, sem nenhuma regra”.
Diálogo social

Evans lembrou que alguns países integrantes do G-20 (grupo de nações em desenvolvimento), como o Brasil, estão dando espaço para o diálogo social, para a participação de entidades sindicais e sociais. “A regulamentação do sistema financeiro é uma reivindicação do movimento sindical e as entidades devem lutar por assentos em instituições como o Fundo Monetário Internacional, porque os trabalhadores têm de ser ouvidos. Entendo que a crise não pode ser superada apenas com uma regulação financeira, mas com o equilíbrio entre o papel do Estado e o do mercado, entre o salário e a renda, a sustentabilidade e o meio ambiente”, complementou o secretário da OCDE.

Por Solange do Espírito Santo, especial para Rede Brasil Atual.

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Sindicalista defende “blindagem social” contra crise

No último debate preparatório para o 10º Concut, economistas e sindicalistas pedem distribuição de renda e pacto global

A principal crise pela qual o mundo atravessa não é a financeira, mas de justiça distributiva. Enquanto as nações não agirem para solucionar as crises social, ambiental, energética e alimentar, não haverá um desenvolvimento econômico saudável e sustentável. A opinião é de Victor Baez, secretário geral da Confederação Sindical das Américas e dirigente da Central Sindical Internacional (CSI).

Para ele, é necessário que se faça uma “blindagem social”, no lugar da “blindagem financeira” feita atualmente em parte da agenda dos governos para solucionar a crise. Baez foi um dos debatedores da manhã desta terça-feira (4) do seminário internacional “A crise e as estratégias sindicais”, organizado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) como atividade preparatória ao seu 10º Congresso Nacional (Concut). O Concut tem início às 19h30 e prossegue até sexta-feira (7), no Expo Center Norte, em São Paulo (SP).

“É preciso articular economias mais justas, com mais e melhores empregos, e chegar, no caso das Américas, à igualdade social, que foi golpeada pelo conceito neoliberal do Estado mínimo”, afirmou Baez.

A presidente da CSI, a australiana Sharan Burrow, por sua vez, defendeu que é necessário um novo modelo de globalização, com um pacto global sobre vários aspectos. Por meio de vídeoconferência, ela defendeu que, entre os pontos desse pacto estariam proteção social, um piso salarial internacional, a preocupação com o meio ambiente e a sustentabilidade.

“A economia real tem de ser revista e os trabalhadores devem reivindicar espaços em fóruns decisivos, como a OMC (Organização Mundial do Comércio), o G-8 e o G-20”, destacou Sharan. “Este é o verdadeiro desafio para o movimento sindical internacional, para que se possa moldar uma nova economia mundial”, reforçou.
Desenvolvimento sustentável

Para Ricardo Abramovay, professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo, a busca de um modelo de desenvolvimento sustentável passa, necessariamente, por definir não como será distribuída a riqueza, mas o conteúdo da própria riqueza. “Trata-se de alterar a concepção do que é riqueza e a relação da sociedade com os recursos que ela usa. Esta é a matriz do sistema, que deve respeitar os limites e a potencialidade dos ecossistemas. E este debate não é só de ambientalistas, mas de todos, para o estabelecimento de um novo patamar para a humanidade”, avaliou Abramovay.

Já o economista Theotonio dos Santos defendeu que é preciso também rever a qualidade e a concepção do trabalho. “Hoje a jornada de trabalho é absurda em relação à produção. As atividades tecnológicas avançam cada vez mais e, com isso, o trabalhador produz dez, 20 vezes mais do que vinha fazendo antes”, constata.

Nesse cenário, ele questionou por que o trabalhador deveria sustentar o sistema, sem retorno para ele. “É preciso diminuir o ritmo de trabalho, para que ele possa, além de ter mais tempo livre, consumir mais e, assim, gerar mais emprego”, defendeu Theotonio Santos.

Para o secretário de Relações Internacionais da CUT, João Felício, o momento é propício para uma articulação mais profunda do movimento sindical internacional, porque a crise evidenciou a necessidade de estabelecimento de patamares de desenvolvimento que, em primeiro lugar, garantam direitos e avanços sociais para os trabalhadores em todo o mundo.

Por Solange do Espírito Santo.

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