Representantes do Paraná no Encontro Nacional de Mulheres Bancárias
O 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias que reuniu dirigentes de todo o Brasil no Instituto Cajamar/SP, abriu no dia 25 de novembro, data de início dos “16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher” .
Não foi coincidência! Muitas são as formas de violência com as mulheres além da agressão física, pela carga de responsabilidade que a sociedade atribue como tarefa feminina do cuidado com os filhos, a escola, a casa, a comida. A nova forma de dominação do capital atinge intensamente as mulheres, pelo domínio da indiferença, pelas metas que são impostas , pela desigualdade nos salários , que nos bancos chega a ser 56% menor para bancárias quando analisados os aspectos de escolarização de homens e mulheres com doutorado nos bancos. Embora a categoria seja na luta pelos direitos da mulher, as bancárias apesar de mais escolarizada ainda recebem 23,9% a menos.
Os três dias foram de intensos debates e palestras formativas sobre questões não apenas do mundo do trabalho, mas também aquelas que envolvem a participação da mulher nos espaços públicos, na esfera política, na cultura, no meio ambiente, na autogestão , na construção de transformações urgentes e necessárias para a nossa sociedade e o nosso planeta.
A análise de conjuntura com Néstor Bercovich da Comissão Econômica para América Latina e Caribe e da Deputada Federal Érika Kokay reforçou a importância das mulheres assumirem mais espaços de poder como um instrumento fundamental para mudar o quadro de discriminação existente. “Não mudaremos este cenário se os que fazem e votam o projetos da sociedade são machistas, racistas e homofóbicos”, declara a deputada federal.
O encontro culminou com a formação do Coletivo Nacional das Bancárias da Contraf, composto por representantes de todas as federações. A Fetec/PR participou da atividade com oito companheiras do Pacto, do Vida e de Curitiba.
“Fizemos mais do que um encontro, na verdade estivemos reunidas e entre nós estavam alguns companheiros, assentando tijolos, que são os compromissos que assumimos e outros que reforçamos para continuar a luta e dar o passo seguinte, ampliando os coletivos estaduais, promovendo a formação e a mobilização de nossas companheiras e companheiros” .
Maria de Fátima Costamilan
Secretaria de Políticas Socias
=========================================
Encontro da Contraf-CUT implementa Coletivo Nacional de Mulheres
Crédito: Paulo Pepe/Contraf-CUT
O Coletivo Nacional de Mulheres da Contraf-CUT instituído no encontro
O 3º Encontro Nacional das Mulheres Bancárias, realizado pela Contraf-CUT entre 25 e 27 de novembro no Instituto Cajamar, em São Paulo, aprovou e elegeu o primeiro Coletivo Nacional de Mulheres, que tem por objetivo debater e formular políticas para as questões de gênero no sistema financeiro nacional.
Coordenado pela Contraf-CUT, o Coletivo será formado por duas representantes (uma titular e uma suplente) de cada federação de bancários, necessariamente pelas dirigentes que estiverem à frente das secretarias que tratam das questões de gênero.
“Além das federações, o Coletivo também está aberto à participação das companheiras que atuam nessa área nos sindicatos, porque temos uma grande demanda pela frente”, explica Deise Recoaro, secretária da Mulher da Contraf-CUT.
É a primeira vez que a categoria bancária cria um Coletivo Nacional de Mulheres. As discussões sobre gênero vinham sendo realizadas até agora pela CGROS (Comissão de Gênero, Raça e Orientação Sexual), mas não em caráter orgânico.
A questão de gênero na perspectiva de classe
“Temos agora o desafio de ampliar a discussão sobre gênero por toda a categoria, criar os coletivos estaduais da mulher, elevar o nível de formação das militantes do tema e formular políticas para a questão das mulheres no sistema financeiro, onde ainda são grande os preconceitos e as discriminações”, afirma Deise.
Segundo a secretária da Contraf-CUT, o 3º Encontro Nacional das Mulheres teve caráter formativo e organizativo. “Com a contribuição dos palestrantes convidados, fizemos um debate muito rico, focando a questão de gênero dentro da perspectiva de classe. Com isso estamos superando a discussão de que a questão de gênero divide a luta dos trabalhadores”, avalia Deise Recoaro.
No terceiro e último dia do encontro, a técnica do Dieese-Seção Contraf-CUT, Bárbara Vallejos, apresentou estudo da entidade mostrando como persiste a discriminação contra as mulheres no sistema financeiro.
Conheça aqui a pesquisa do Dieese.
O último dia do Encontro teve ainda três outras mesas. Na primeira, a vice-presidenta da CUT Nacional, Carmem Foro, fez uma exposição sobre a trajetória da luta de organização das mulheres dentro da central, que no último congresso aprovou a implementação da paridade de gênero na direção, e como ela influiu na conscientização sobre o tema em toda a sociedade.
‘Nosso desejo é transformar a realidade’
“Temos uma sociedade capitalista, patriarcal, homofóbica e machista. Essa é a nossa realidade. E nossas entidades acabam reproduzindo o que a sociedade é. O patriarcado e o machismo estão tão culturalmente arraigados que a gente respira isso nos locais de trabalho, nas ruas, nas instituições públicas e também nos sindicatos. E nosso desejo é transformar essa realidade”, disse Carmem.
A diretora regional da UNI Américas Briceida Gonzalez apresentou as campanhas mundiais e regionais sobre questões de gênero desenvolvidas pela UNI-Sindicato Global, que representa mais de 20 milhões de trabalhadores dos setores de serviços em todo o mundo – e à qual a Contraf-CUT é filiada. A UNI aprovou em 2010 o princípio de que as entidades sindicais filiadas devem ter pelo menos 40% de mulheres nas direções.
Reforma política para mais democracia
Por fim, a presidenta do Sindicato dos Bancários, Juvanda Moreira, falou sobre a importância da reforma política para ampliar a democracia e a luta das mulheres por igualdade. No Congresso Nacional, dos 513 deputados federais só há 45 mulheres (8%) e no Senado apenas 12 senadoras no total de 81.
“O Congresso Nacional é branco, masculino e conservador. Para mudar isso precisamos participar da luta pela reforma política, implementar cota de participação de gênero, mudar as formas de financiamento para alterar a correlação de forças”, propõe Juvândia.
Veja também o que foi discutido no 3º Encontro Nacional das Mulheres Bancárias:
> Desigualdade prejudica inserção da mulher no mercado de trabalho
> Novas formas de gestão exploram gênero e fragilizam mulher, diz professor
> Mulheres refletem sobre opressão de gênero a partir de peça teatral
> 3º Encontro Nacional de Bancárias debate luta por igualdade de gênero
> Palestra sobre Rosa Luxemburgo abre 3º Encontro Nacional das Bancárias
Fonte: Contraf-CUT
=======================================
Discriminação das mulheres nos bancos aumenta com ascensão e escolarização
Crédito: Paulo Pepe – Contraf-CUT
Técnica do Dieese apresenta pesquisa sobre discriminação nos bancos
Exceto em São Paulo e no Rio de Janeiro, as mulheres ainda são sub-representadas no sistema financeiro em comparação com a população economicamente ativa no Brasil. Elas já são maioria nos bancos privados, principalmente nas faixas salariais até sete salários mínimos, são mais escolarizadas que os homens, mas ganham em média 23,9% a menos que os trabalhadores do sexo masculino – diferença que cresce com a ascensão profissional e com o aumento da escolarização das mulheres bancárias.
Essas são as principais conclusões da pesquisa realizada pelo Dieese-Rede Bancários com base nos dados da Rais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), apresentada nesta quarta-feira 27 no terceiro e último dia do 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, organizado pela Contraf-CUT no Instituto Cajamar-Cooperinca, em São Paulo.
Veja aqui a íntegra da pesquisa do Dieese.
Dos 512 mil trabalhadores do sistema financeiro nacional em dezembro de 2012, as mulheres representavam 48,7% – índice menor que o da participação feminina na População Economicamente Ativa (PEA), que no mesmo período era de 54,1%. Tomando o sistema como um todo, as mulheres só são maioria em São Paulo (53%) e no Rio de Janeiro (51%).
Embora a porta de entrada das mulheres no sistema financeiro tenha sido nos bancos públicos – primeiro no Banespa e depois no Branco do Brasil, na década de 1960 -, houve uma inversão nas últimas décadas e hoje elas são maioria nos bancos privados.
“Não é difícil compreender por que isso ocorreu. Com a mudança do trabalho bancário, que se transformou essencialmente em venda de produtos, os bancos privados passaram a ressaltar as ‘qualidades das características femininas’, como paciência e habilidade no trato com os clientes, e nos casos mais graves chegando a explorar a imagem do corpo feminino”, interpreta Barbara Vallejos Vazquez, técnica do Dieese-seção Contraf-CUT que fez a apresentação do estudo.
No topo, bancárias são minoria e ganham menos
As mulheres só são maioria nos bancos até os postos de trabalho com remuneração até sete salários mínimos. Na faixa entre sete e dez salários mínimos, é igual o número de homens e mulheres no setor como um todo. A partir daí, a participação feminina vai decrescendo quase que na mesma proporção do aumento da remuneração. Exceto no segmento de gerência, que tem contato direto com os clientes, onde as mulheres são maioria (52,5%). Nas diretorias dos bancos, há 1.798 homens e apenas 457 mulheres.
Na média do sistema financeiro, as mulheres ganham 23,9% menos que os homens. Mas cresce a diferença salarial em relação aos trabalhadores do sexo masculino à medida que as mulheres vão ascendendo na carreira e aumentando a sua escolarização.
A remuneração média dos homens gerentes, por exemplo, é de R$ 7.251 e o das mulheres gerentes cai para R$ 5.221 – uma diferença de 38,8%.
A diferença de remuneração também aumenta quanto maior for a escolaridade da categoria bancária. Entre os que têm superior incompleto, as mulheres ganham 19% a menos que os homens. No segmento de superior completo, a diferença aumenta para 27%. Sobe para 33% entre os que possuem mestrado e chega a 56% na faixa dos que têm doutorado.
PCS para combater a discriminação
“Essa discriminação é inaceitável e a melhor estratégia para combatê-la é por intermédio da implementação de planos de cargos e salários em todos os bancos”, afirmou o presidente da Contraf-CUT, Carlos Cordeiro, que esteve no 3º Encontro das Mulheres Bancárias. “Por isso é importante que as mulheres participem das comissões de empresa dos funcionários dos bancos para fortalecer a luta pela erradicação das discriminações de gênero na categoria.”
Carlos Cordeiro fez um balanço da Campanha Nacional dos Bancários de 2013, “vitoriosa em razão da ousadia, da mobilização e da unidade dos bancários em todo o país, na qual as mulheres tiveram papel de destaque”.
O presidente da Contraf-CUT avalia que os principais desafios dos bancários no futuro imediato são as negociações nas mesas temáticas (como saúde e condições de trabalho, igualdade de oportunidades, segurança bancária) e as campanhas por bancos, com foco na defesa do emprego, principalmente nas instituições privadas.
Fonte: Contraf-CUT
=============================
Desigualdade prejudica inserção da mulher no mercado de trabalho
Crédito: Paulo Pepe – Contraf-CUT
A inserção historicamente privilegiada dos homens em relação às mulheres é o principal aspecto relacionado à desigualdade de gênero no mercado de trabalho. A avaliação foi feita pela economista, pesquisadora do Cesit/Unicamp e assessora sindical Marilane Oliveira Teixeira, no painel sobre “Articulação entre Trabalho Produtivo e Trabalho Reprodutivo”, apresentado na terça-feira (26), no 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, que se encerra nesta quarta (27), em Cajamar, no interior de São Paulo.
Para a pesquisadora, o problema não está na recuperação econômica, que tem sido favorável nos últimos anos, com considerável geração de postos de trabalho. A questão central está na inserção do homem num contexto bem mais favorável que o das mulheres.
Segundo Marilane, o capitalismo acentuou a disparidade entre homens e mulheres no mercado de trabalho ao considerar inconciliável a atividade feita em casa e fora por uma única pessoa que seria responsável ao mesmo tempo pela reprodução social e mercado de trabalho.
“Se parte da reprodução da força de trabalho é exercida gratuitamente no âmbito doméstico, parte dos meios necessários para se produzir a força de trabalho também é gratuita. Por este motivo, a força de trabalho também se reduz”, explica Marilane.
A especialista ainda destaca que há posicionamentos divergentes sobre o trabalho realizado no mercado de trabalho e o trabalho doméstico dentro da produção capitalista. Enquanto o primeiro é percebido como um processo de acumulação e benefícios, o segundo é destinado ao bem estar das pessoas e tem como validade a redução das tensões que se estabelece nom próprio ambiente de mercado.
“A resposta que precisamos dar não está na dinâmica do mercado de trabalho, mas sim porque ao considerarmos a população não economicamente ativa de mulheres 84% delas estão na faixa etária de 25 a 39 anos?”, questiona Marilane. “Em compensação, ao consideramos a faixa etária entre 16 a 24 anos, o número é reduzido para 63%”, completa.
Para ela, a explicação está possivelmente associada ao período reprodutivo, o que impulsiona o debate sobre a falta de políticas públicas que falharam ao tentar reinserir as mulheres no mercado de trabalho.
“A evolução das mulheres no mercado de trabalho nos últimos quinze anos é irrisória. Entre 1998 e 2011 passou de 40,9% para 42%. Praticamente estacionou. Precisamos incluir a dinâmica da reprodução social como compartilhamento e discussão de política pública. O fato de ser mulher não pode representar tratamento desigual no mercado de trabalho. Homens e mulheres podem se reinserir com igualdade, e também do ponto de vista social”, conclui Marilane.
Fonte: Contraf-CUT
=================
Novas formas de gestão exploram gênero e fragilizam mulher, diz professor
Crédito: Paulo Pepe – Contraf-CUT
O professor da Unesp Marília, Giovanni Alves, abordou na terça-feira (26) o tema “Trabalho, Corpo e Subjetividade”, durante palestra no 3º Encontro Nacional de Mulheres Bancárias, promovido pela Contraf-CUT, que teve início na segunda (25) e se encerra nesta quarta (27), no Instituto Cajamar, interior de São Paulo.
Para ele, o corpo funciona como elemento da subjetividade, o que está intimamente relacionado ao trabalho moderno. “As formas de gestão inseridas nos escritórios e demais locais de trabalho se caracterizam pela captura do corpo e mente”, aponta Giovanni.
O especialista destaca que vivemos uma nova era de dominação do capital e atravessamos um verdadeiro desmonte da pessoa humana, sendo a mulher o elo mais frágil neste processo. “Todos somos iguais, pertencemos à espécie humana, porém o capital tem se aproveitado da diferença de gênero e explorado a desigualdade, quando, por exemplo, trata as pessoas com indiferença na questão da gestão”, explica.
Segundo o professor da Unesp, o capital não se interessa se a força de trabalho é exercida por homem ou mulher. “As novas formas de precarização do trabalho e de gestão desmontam as pessoas e alteram a subjetividade quando instauram relações de captura que destroem até mesmo as relações de vida pessoal”, afirma.
“A tarefa que se coloca a nós numa sociedade é de luta, reflexão e formação. Este é o trinômio da emancipação humana. Luta sem reflexão não vale nada, e reflexão sem formação também não se sustenta. É preciso também dar continuidade ao processo de formação que está inserido na luta. Enfim, o homem foi feito para fluir e ter uma vida plena de sentido”, conclui Giovanni.
Fonte: Contraf-CUT