Com a rejeição de propostas em assembleia da Campanha Nacional 2026, empregados e empregadas da Caixa Econômica Federal entraram nesta terça-feira, 15 de setembro, no sexto dia de greve preparados para atingir 100% das agências da base do Sindicato de Curitiba e região na continuidade das mobilizações. As atividades no banco público continuarão paralisadas na quarta (16), quando as negociações serão retomadas, ainda sem horário e local definidos.
Conforme explica Samanta Almeida, representante do Paraná nas negociações com a Caixa, com o resultado das assembleia da última sexta-feira (11), após às 23h, o banco retirou informações de benefícios, como o vale alimentação e o vale refeição, do sistema interno, ameaçando retirar direitos dos empregados pela rejeição da proposta. E depois recuou. Samanta avalia que o banco, na pessoa do presidente da Caixa, Carlos Vieira, está tratando a campanha salarial como imposição e não negociação.

E para protestar contra esses acontecimentos durante a greve, centenas de empregados da Caixa de Curitiba e região, incluindo aposentados e pessoas de cargos gerenciais, compareceram a uma mobilização realizada no Centro de Curitiba, em frente à agência Carlos Gomes, onde também esta localizada a Sede 1 administrativa do banco.
“Na pandemia, o banco era presidido por Pedro Guimarães, que anos depois foi afastado por assédio sexual. O presidente da Caixa mudou, mas a gestão não. Carlos Vieira ameaçou dissídio. A gente falou com vocês dos riscos. A Caixa impôs o medo, mas voltou atrás e amanhã tem negociação. Eu espero que amanhã seja negociação e não imposição e eu espero que aqui vocês estejam fazendo greve. O Sindicato está com vocês, todos os dias, às 7h00 em frente às agências. A gente exige respeito porque nós somos o braço social do governo”, disse a dirigente.
“Esse ato exige respeito por parte dessa empresa que construímos todos os dias e nenhum movimento dá mais certo do que aquele que vem de base”, afirmou Denner Halama, secretário de Mobilização do Sindicato, abrindo o ato.

“Nós estamos aqui cobrando da Caixa resolução para um problema que ela mesma criou. A greve é instrumento legítimo e essa mobilização é a resposta coletiva, e se comunica com outras bases dos empregados da Caixa pelo Brasil, uma demonstração de força muito importante”, disse Cristiane Zacarias, presidenta do Sindicato. Ela explicou que a entidade está disponibilizando toda a estrutura, inclusive com a presença de advogados da assessoria jurídica, para tirar dúvidas e dar o suporte necessário aos empregados da Caixa durante o movimento grevista.
Cristiane avisou que a Caixa agendou a retomada das negociações para quarta-feira (16). “É importante que a gente amplie a mobilização”, convocou. “Precisamos ir até os colegas de trabalho que ainda não paralisaram as atividades e conversar sobre a importância desses momentos, que é preciso respeitar a decisão da assembleia, que é soberana. Temos que fazer uma greve forte e organizada. Temos mais de 40 agências paradas em Curitiba e queremos fazer isso junto com vocês. Essa greve não pode terminar sem uma solução que atenda os trabalhadores. Amanhã tem que estar 100% das agências em greve. A mesa tem dois lados e o outro lado quer retirar direitos”, situou a presidenta do Sindicato.
Apesar da greve dos empregados da Caixa ter como principal motivo de insatisfação os termos propostos para o plano de saúde Saúde Caixa, o deputado federal Tadeu Veneri, que articula em Brasília diálogo com o banco e com o governo sobre a greve, defendeu que deixar o Saúde Caixa fora da proposta, fracionando a negociação, não resolve o problema dos empregados da Caixa. “Ninguém faz greve porque gosta, faz porque precisa. Se não avança na mesa de negociação, tem que avançar na luta. Aquela nota foi emitida ela Caixa de forma arrogante, nossa preocupação é também com a população”, disse. Veneri informou que a também deputada federal Érika Kokay iria se reunir com o presidente da Caixa para interceder por uma proposta viável para ser apresentada na mesa de negociação. “Se essa disputa inviabiliza a Caixa Econômica, nós perderemos um patrimônio de 200 anos”, exemplificou.
O ato também teve a participação de Juliana Mildemberg, coordenadora do Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), que falou sobre o difícil processo de negociação com a Prefeitura, que só aconteceu com paralisação das diversas categorias, valorizando a mobilização dos empregados da Caixa em greve.

O encerramento do ato foi conduzido pelo presidente da Fetec-CUT/PR, Deonísio Schmidt, que convocou os empregados da Caixa a se manterem mobilizados presencialmente também na quarta-feira (16), durante a retomada das negociações. “Carlos Vieira, assuma a responsabilidade do que está acontecendo na Caixa”, cobrou. “Pedimos desculpas à população, mas estão atacando um dos direitos sagrados dos empregados, que é o Saúde Caixa, e a Caixa só está voltando à mesa de negociação porque a greve é forte”.
Você pode ver outras imagens do ato nos stories do Sindicato no Instagram @fetecpr e @bancariosdecuritiba.
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Fotos: Flávio Augusto Laginski
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região