O Encontro reuniu 130 dirigentes sindicais, representando bancários de todo o País
A defesa do emprego será a prioridade dos bancários do Itaú no próximo período, conforme deliberou o Encontro Nacional de Dirigentes Sindicais do Itaú Unibanco, promovido pela Contraf-CUT, que se encerrou ontem (15/12), em Nazaré Paulista (SP).
O Encontro contou com a participação de 130 representantes das 10 Federações existentes no Brasil, numa clara demonstração de representatividade. Os Sindicatos do VIDA BANCÁRIA foram representados por Wanderley Crivellari, presidente do Sindicato de Londrina, Damião Rodrigues, presidente do Sindicato de Apucarana e Eliseu Galvão, diretor do Sindicato de Cornélio Procópio.
Os sindicalistas de todo o País repudiaram o processo de demissões em curso no banco e definiram a pauta de reivindicações específicas para ser negociada com a instituição.
“Nada justifica o Itaú eliminar postos de trabalho, implementar uma rotatividade tão alta e desrespeitar tanto os seus funcionários, que são os principais responsáveis pelos lucros recordes alcançados pelo banco neste ano, os maiores do setor financeiro nacional”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e funcionário do banco.
“Vamos lutar por garantia de emprego, com a aplicação das diretrizes da Convenção 158 da OIT”, completa.
Os trabalhadores vão cobrar ainda o cumprimento da jornada de trabalho e mais contratações. “O Itaú dos comerciais da TV não é o Itaú do dia-a-dia. Os funcionários convivem com sobrecarga de trabalho e pressão pelo cumprimento de metas abusivas. Precisamos mudar essa realidade, que vem levando muitos ao adoecimento”, defende Wanderley Crivellari, coordenador nacional da COE (Comissão de Organização dos Empregados) do Itaú e presidente do Sindicato de Londrina. Wanderley afirma que o objetivo é reivindicar melhores condições de trabalho e de segurança para bancários, vigilantes, clientes e usuários.
Para Damião Rodrigues, presidente do Sindicato de Apucarana, outro item importante da pauta de reivindicações diz respeito à PCR (Participação Complementar nos Resultados). “É necessário discutir uma melhor remuneração para os funcionários, com PCR maior e o fim do desconto dos valores dos programas próprios da PLR (Participação nos Lucros e Resultados)”, destaca Damião.
Também consta da pauta a luta por previdência complementar fechada para todos os funcionários, melhorias no Plano de Saúde e medidas para garantir igualdade de oportunidades e o fim das discriminações de gênero, raça, orientação sexual e contra pessoas com deficiência dentro da empresa.
“A mobilização é nossa principal arma contra os abusos e a intransigência do Itaú Unibanco”, alerta Eliseu Galvão, diretor do Sindicato de Cornélio Procópio.
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DIEESE analisa conjuntura e dados do Itaú no encontro de dirigentes sindicais
Durante o primeiro dia do Encontro Nacional dos Dirigentes Sindicais do Itaú Unibanco, na quarta-feira (14), promovido pela Contraf-CUT em Nazaré Paulista, o economista do Dieese, Sergio Mendonça, falou aos sindicalistas sobre a conjuntura econômica, política e social. O início da avaliação foi sobre a incerteza trazida pela crise internacional, não apenas do ponto de vista econômico, mas também político.
O economista abordou a evolução recente do capitalismo nas três últimas décadas, especialmente a desregulação do mercado financeiro, passando pela vitória do neoliberalismo no final dos anos setenta do século passado. Incluiu nessa abordagem a inserção do Brasil no contexto internacional.
Mendonça lembrou que o país, apesar de ser a quinta economia do mundo, ocupa a décima pior colocação em desigualdade de renda. “O país tem a oportunidade histórica de construir um projeto de desenvolvimento. É fundamental compreender esse momento histórico, entender que estamos diante de uma oportunidade única de transformação econômica e social no Brasil”.
O movimento sindical terá de fazer apostas estratégicas, em conjunto com outros atores políticos importantes, para viabilizar políticas públicas que reduzam a desigualdade, avalia Mendonça. Citou como exemplo o programa Minha Casa, Minha Vida. “O sucesso no enfrentamento da desigualdade de renda é um fator poderoso para levar o Brasil adiante”, afirma o economista do Dieese.
O país continuará passando nos próximos 20 anos pelo que os especialistas em demografia denominam de janela de oportunidade demográfica. Esse período é caracterizado pelo auge do potencial produtivo de um país. Isso significa que a razão de dependência, que é a relação entre a população que estará inserida no mercado de trabalho e a população inativa será a mais favorável.
“É uma oportunidade histórica que deve ser aproveitada. Para tanto é preciso crescer e aproveitar esse potencial produtivo gerando empregos de qualidade e construindo políticas públicas que promovam o desenvolvimento do país”, salientou.
O economista ressalta o papel do movimento sindical brasileiro neste momento histórico. “O movimento sindical é um ator político fundamental para propor mudanças ao Brasil. Ele deve se preparar, mobilizar os trabalhadores e viabilizar arranjos políticos para propor políticas públicas que visem o desenvolvimento com distribuição de renda e valorização do trabalho. A educação, por exemplo, é a grande política pública responsável para quebrar o ciclo de pobreza. Por isso a importância de priorizá-la para dar um grande salto de qualidade que deve, sobretudo, assegurar ensino de alta qualidade para as crianças e jovens das famílias de menor renda”, afirma.
Emprego e remuneração
Bárbara Vallejos, técnica do Dieese, apresentou e analisou dados sobre Emprego e Remuneração Bancária. “Os bancos se utilizam da rotatividade e ampliação de correspondentes para diminuir seus custos. No Itaú não é diferente”, afirma.
No terceiro trimestre, exemplifica a técnica do Dieese, as despesas de pessoal do banco aumentaram 4,1%, apesar de já ter sido provisionado nesse montante o reajuste de 9% referente à Convenção Coletiva. “Isso quer dizer que a rotatividade nesses meses já impactou os ganhos da campanha nacional dos bancários”, explica.
Além disso, de março a setembro, houve fechamento de 4.202 postos de trabalho, fazendo com que o número de funcionários da holding passasse de 104.022 em março para 99.820 em setembro. “Essa diminuição pode ser resultado do que eles chamam de ‘reestruturação da área de crédito’. O Itaú Unibanco iniciou um duro programa de corte de custos e reorganização interna para atingir o grau de eficiência que seus acionistas esperam”, salienta Bárbara.
A meta de Setubal, anunciada ao mercado neste ano, é tornar o banco mais magro do que era antes de 2008, ano da fusão com o Unibanco, o que significa que o índice de eficiência teria de baixar dos atuais 50% para 41% em dois anos. “Enquanto há cortes de funcionários, os gastos com remuneração do conselho de administração do banco cresceram 28,87%”, critica Bárbara.
Ao mesmo tempo em que há reduções dentro da holding, o número de correspondentes vinculados ao Itaú ou a alguma empresa do conglomerado cresceu 24% desde dezembro de 2009 e o número de correspondentes autorizados a realizar operações relacionadas a crédito aumentou 37%.
Balanço do Itaú
Cátia Uehara, técnica do Dieese, apresentou os principais resultados do Itaú Unibanco entre janeiro e setembro de 2011. “O ano foi de bons resultados para o banco”, afirma Cátia. A técnica do Dieese ressalta os principais dados:
– O Lucro Líquido nos primeiros nove meses do ano de 2011 atingiu R$ 10,9 bilhões (crescimento de 16% com relação ao mesmo período de 2010);
– O Produto Bancário (Margem Financeira + Receitas de Prestação de Serviços + Resultado de Seguros, Previdência e Capitalização) atingiu R$ 54,7 bilhões – crescimento de 12,5%;
– A Rentabilidade do PL foi de 22,4% no período (23,8%, de janeiro a setembro de 2010);
– O Resultado Bruto da Intermediação Financeira cresceu 12,6% atingindo R$ 26,1 bilhões nos nove meses;
– As Despesas de Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa atingiram R$ 14,5 bilhões com crescimento de 22,8% no período;
– Ativos Totais apresentaram crescimento de 22,6% em relação a setembro de 2010, atingindo R$ 837 bilhões no período;
– A Carteira de Crédito atingiu a cifra de R$ 382,2 bilhões em setembro de 2011 – crescimento de 22,8%;
– A Carteira de Títulos e Valores Mobiliários cresceu 33,3%, chegando a R$ 171 bilhões;
– O Patrimônio Líquido da instituição atingiu o valor de R$ 68,2 bilhões, com crescimento de 19% em relação a setembro de 2010;
– Fechamento de 3.867 postos de trabalho entre março e setembro de 2011;
– “Reestruturação” da área de crédito ao consumidor e cartão de crédito;
– Pontos de Atendimento de Correspondente Bancário – maio/2011: 14.912.
Cátia destacou ainda que, enquanto o banco bate recordes de lucro, a despesa de pessoal que mais avançou foi a referente a processos trabalhistas advindos de desligamentos de funcionários. O aumento foi de 121% em relação ao mesmo período de 2010. “Já a remuneração teve uma variação positiva de apenas 6,4%”, afirma Cátia.
Outro dado relevante é que, dentre as despesas operacionais, as maiores estão concentradas na rubrica de prestação de serviços a terceiros, ou seja: terceirização. Dentre as contas do resultado nas operações de crédito, estão as operações de cartão de crédito e financiamento de veículos, que também são amplamente terceirizadas. Ou seja, está evidente o esforço do grupo Itaú em diminuir suas despesas operacionais reduzindo o quadro de pessoal próprio e ampliando a terceirização.
“Isso é um absurdo. Diante da alta lucratividade do conglomerado Itaú, no mínimo o banco deveria ter o compromisso social de não só manter, mas gerar melhores postos de trabalho”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e funcionário do Itaú.
Fonte: Contraf-CUT
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