A determinação do governador Roberto Requião em não aumentar a tarifa de energia elétrica representa opção por beneficiar maior número de pessoas, explicou, nesta quinta-feira (18), o economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos (Dieese-Pr), Sandro Silva. O percentual de reajuste deverá ser oficializado e divulgado nos próximos dias pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
De acordo com o economista, a recente baixa nas ações da Copel reflete menor expectativa no lucro que os investidores teriam caso a tarifa subisse. “A queda dos preços das ações mostra que o aumento de tarifa, pelo menos em parte, iria para os acionistas. A decisão por não reajustar significa que, ao contrário dos investidores, a opção política é por beneficiar maior número de pessoas – aqueles que pagam as tarifas e a sociedade em geral”, explicou.
A expectativa dos investidores por lucratividade menor da Copel vem se refletindo nos últimos pregões da Bolsa de Valores de São Paulo, mas no contexto geral do mercado de ações, os papéis da Companhia vêm tendo desempenho consistente com a média. Neste mês, as ações preferenciais da Copel, que são mais negociadas, acumularam, até o fechamento do pregão de quarta-feira (17), queda de 4%, enquanto o Ibovespa – que reflete a variação média do preço das ações mais negociadas na casa – caiu 4,05%.
FAMÍLIAS – Sandro lembrou ainda que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) da Região Metropolitana de Curitiba, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), demonstra que 4,74% dos gastos das famílias que ganham entre um e 6 salários mínimos vai para as tarifas de energia elétrica, e o aumento desse preço acarretaria em inflação. “Qualquer medida para não repassar, seja integralmente ou parcialmente, é positiva tanto no aspecto dos consumidores quanto no índice de inflação, que sofreria impacto”, afirmou.
Todo ano, a Aneel analisa as tarifas de energia elétrica e calcula as variações ocorridas no intervalo, podendo autorizar tanto a redução quanto a elevação dos preços. No caso da Copel, a data-base dos reajustes e revisões de tarifas é 24 de junho. Sandro destaca que a agência vem, nos últimos anos, buscando corrigir distorção das tarifas em que os consumidores residenciais acabavam subsidiando a energia das indústrias.
“Era uma situação absurda em que havia um subsídio cruzado, que gerou como resultado o Brasil ter hoje uma das tarifas residenciais mais caras do mundo, sendo que as das indústrias estão entre as mais baratas. Por isso, há alguns anos a Aneel vem concedendo reajustes diferenciados entre os setores”, lembrou.
ACIONISTAS – Em 2008, a Copel teve lucro líquido de R$ 1,79 bilhão e, no primeiro trimestre de 2009, registrou lucro de R$ 272 milhões, resultado 6,5% superior ao do mesmo período do ano passado. Além disso, entre 2002 e 2009, a empresa reduziu a sua dívida líquida de R$ 2 bilhões para R$ 64 milhões. A dívida total da Copel, ao fim de março deste ano, foi de R$ 1,657 bilhão, equivalente a 19,9% do patrimônio líquido.
A empresa paranaense é, há um ano, umas 40 companhias listadas no Nível 1 de Governança Corporativa da Bovespa, formado por empresas comprometidas com boas práticas de gestão. Além disso, as suas ações fazem parte da seleção dos 50 papéis mais negociados, que ajudam a compor o índice IBX-50 da Bolsa de São Paulo.
Com esses dados, o presidente da Copel, Rubens Ghilardi, lembrou na última terça-feira (16) que a empresa vem cumprindo seu papel com os interesses de seus acionistas. “Quem investiu na Copel não tem do que reclamar, pois se trata de uma das empresas mais sólidas e lucrativas do país”, resumiu.
Ghilardi também ressaltou que as tarifas cobradas pela Copel são praticamente as mesmas desde junho de 2006. “De lá para cá, tivemos em junho de 2007 reajuste médio negativo de 1,22% e, no ano passado, reajuste de 0,04%”, detalhou. “Dessa forma, é possível dizer que o bom desempenho da Copel, seja em termos de lucratividade, de competitividade dentro do setor ou dos investimentos que tem feito, pode ser atribuído muito mais à seriedade da sua gestão que ao tamanho do reajuste de suas tarifas”.
DESCONTOS – Em janeiro de 2003, o governador Roberto Requião recebeu a Copel com o maior prejuízo de sua história (R$ 320 milhões) e às voltas com contratos de compra de energia cara e desnecessária, impossíveis de serem cumpridos. No entanto, paralelamente ao trabalho de reconstrução da Companhia, Requião decidiu privilegiar o interesse do Paraná e da população ao estabelecer que transformaria o aumento nas tarifas elétricas em desconto aos consumidores pontuais no pagamento da conta de luz.
O percentual autorizado, de 25,27%, foi absorvido pela Copel e só repassado parcialmente meses depois, em janeiro de 2004, quando a tarifa subiu 15%. O restante foi aplicado apenas em junho, quando a Aneel autorizou um novo reajuste (de 14,43%), que também demorou a ser aplicado: só em fevereiro de 2005 parte dele (5%) foi repassado às tarifas, permanecendo a diferença como desconto aos clientes pontuais. Em junho de 2005, novo reajuste (agora de 7,80%) foi autorizado mas só em agosto a tarifa subiu (4,4%), conservando ainda desconto de 6,8%.
Em junho de 2006, a Copel incorporou definitivamente à sua tabela de preços esse percentual que vinha sendo dado como desconto aos consumidores adimplentes.
Ao optar por evitar o repasse imediato e integral dos percentuais de reajuste tarifário autorizados, o Governo do Estado e a Copel mantiveram nas mãos da população e em circulação na economia paranaense cerca de R$ 1,3 bilhão, ou o equivalente a quatro meses de energia elétrica de graça a todos os consumidores, de todas as categorias e de todos os níveis de renda.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.aenoticias.pr.gov.br.