Reaparelhamento das Forças Armadas inclui a construção do submarino de propulsão nuclear
O governo federal lançou, na quinta-feira (18/12), o plano de reestruturação e reaparelhamento das Forças Armadas, denominado Estratégia Nacional de Defesa. O decreto foi assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em solenidade realizada no Palácio do Planalto.
O Plano tem como objetivo reorganizar as FFAA, reestruturar a indústria nacional de material de defesa e elaborar uma política de composição dos efetivos das Forças Armadas.
“Um país que tem a dimensão do Brasil, um país que acaba de descobrir reservas imensas de petróleo em águas profundas, um país que tem a Amazônia para defender, tem que montar uma estratégia de defesa. Não pensando em guerra, mas pensando em se defender mesmo, em garantir o patrimônio”, afirmou o presidente Lula, ao avaliar o Plano, nesta segunda (22), durante o programa de rádio Café com o Presidente.
A Estratégia Nacional de Defesa foi elaborada pelo Ministério da Defesa, com participação do Ministério de Assuntos Estratégicos, Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão; da Fazenda; da Ciência e Tecnologia, da Marinha, do Exército e da Aeronáutica, e visa garantir a segurança das fronteiras do país, das reservas de petróleo e da região da Amazônica.
“Diante de eventual degeneração do quadro internacional, o Brasil e suas Forças Armadas deverão estar prontos para tomar medidas de resguardo do território, das linhas de comércio marítimo e plataformas de petróleo e do espaço aéreo nacionais”, defende o Plano.
Durante o lançamento do Plano Nacional de Defesa, o presidente Lula ressaltou a cooperação militar e a integração dos países da região para a criação do Conselho Sul-Americano. Para o presidente, o Conselho e a Estratégia Nacional “dão mais força a um objetivo que vimos perseguindo desde o ano passado: inserir os temas da defesa no debate nacional, reunir civis e militares num debate aberto, sobre todos os temas que envolvem a defesa nacional”.
Uma das questões principais que o Plano Estratégico destaca é a necessidade de capacitar a indústria nacional de material de defesa, assim como de tecnologias indispensáveis ao setor, como a das plataformas petrolíferas, das instalações navais e portuárias, dos arquipélagos e das ilhas oceânicas nas águas jurisdicionais brasileiras.
De acordo como programa, a Força Naval de superfície será equipada com navios de grande e pequeno porte capazes de patrulhar o litoral e os principais rios navegáveis brasileiros. Uma das prioridades é a ação conjunta das Forças Armadas, Aeronáutica e Marinha em defesa da Amazônia. Um dos investimentos previstos é o estudo para estabelecer uma base naval próxima ao rio Amazonas.
A Estratégia Nacional de Defesa prevê também ativar o “programa de submarino de propulsão nuclear com nacionalização completa e o desenvolvimento em escala industrial do ciclo do combustível (inclusive a gaseificação e o enriquecimento) e da tecnologia da construção de reatores, para uso exclusivo do Brasil”.
O programa definiu que e o monitoramento e controle sobre a região será prioridade, e ainda reafirma que “não será aceita qualquer tentativa de tutela sobre as suas decisões de preservação, desenvolvimento e defesa da região”, e que o Brasil não permitirá que “organizações ou indivíduos sirvam de instrumentos para interesses estrangeiros (políticos ou econômicos) que queiram enfraquecer a soberania brasileira. Quem cuida da Amazônia brasileira, a serviço da Humanidade e de si mesmo, é o Brasil”, diz o Plano Nacional de Defesa.
O comandante da Marinha, Julio Soares de Moura Neto, disse que a Estratégia “vai organizar a Defesa e as Forças Armadas. Com isso, vamos receber os meios necessários para cumprirmos nossa missão”, afirmou. Para Moura Neto, o programa de reaparelhamento irá garantir os instrumentos que a Marinha e as demais Forças necessitam. O Comandante defendeu o reposicionamento das tropas ao longo do território nacional, proposto pelo Plano Estratégico, e principalmente a vigilância dos Rios Amazonas e Paraguai-Paraná.
Para o setor espacial, também haverá um projeto para sua implementação sob integral domínio nacional. Entre os principais investimentos, estão a fabricação de veículos lançadores de satélites, e a fabricação de satélites de múltiplos usos.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.horadopovo.com.br.