A iminência de uma vitória de Lula neste domingo, 29 de outubro, repercute em toda a América Latina. O jornal “Página 12”, de Buenos Aires, estampa entrevista com Marco Aurélio Garcia, refutando a acusação de “populista” feita a Lula.
SÃO PAULO – Em toda a América Latina se espera com alguma ansiedade o resultado dessa eleição de 29 de outubro. O diário mexicano La Jornada, por exemplo, acompanhou todos os debates entre Lula e Alckmin neste segundo turno. Em sua edição deste sábado, 28, o jornal repercutiu o tom de Alckmin no debate do dia 27, descrito como “mais agressivo do que nunca”. Citou a acusação feita a Lula de que ele privatizado a Amazônia, graças às concessões de áreas na floresta para exploração. Citava também a defesa de Lula, de que essa lei das concessões fora aprovada por todos os partidos, e que as atividades de empresas privadas na região seriam fiscalizadas pelo Ministério Público.
Já o diário argentino Página 12 estampou, na edição do sábado, uma entrevista com o presidente interino do PT, Marco Aurélio Garcia, também coordenador da campanha de Lula, feita por seu correspondente Dario Pignotti. Na entrevista, entre outras afirmações, Marco Aurélio refuta comparações com o ex-presidente argentino Juan Perón e as acusações de “populismo” que os adversários do presidente brasileiro, entre eles Fernando Henrique Cardoso, têm feito a ele seguidamente.
Diz Garcia: “A comparação que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso fez entre Lula e Perón merece ser analisada com atenção. Ao fazê-la FHC quer criticar Lula, assumindo implicitamente uma avaliação negativa de Perón e do peronismo. Cardoso compartilha as críticas ao “populismo” feitas pela direita latino-americana. Com leviandade intelectual e conservadorismo político, quer explicar a recente irrupção das classes trabalhadoras na cena política regional como a reedição tardia do “populismo” de décadas passadas, sem se dar conta do que significou nos últimos anos a ampliação do espaço público no continente e seu impacto no fortalecimento da democracia. Ele não entendeu as origens do peronismo e muito menos o fenômeno Lula/PT”.
Ressaltando as diferenças de estilo e de momentos históricos, Marco Aurélio reconhece como semelhanças entre Perón e Lula no que se refere à “ênfase na definição de um programa de desenvolvimento social”.
“Separados por mais de meio século, em meio a enormes transformações mundiais, dão ênfase à solidariedade continental. O governo Lula, em seus primeiros quatro anos, deu início a importantes mudanças sociais, semelhantes às do peronismo, sobretudo quanto à inclusão e à igualdade social. Tanto Lula como o peronismo, independentemente das críticas que se possam fazer a seus distintos projetos, permitiram que “os de baixo” construíssem uma identidade sobre seu lugar na sociedade e na política.”
Questionado sobre o que significaria para a América Latina uma derrota de Lula, Marco Aurélio preferiu falar do significado da possível vitória: “A reeleição de Lula, depois de um ano de uma campanha forte orquestrada pela direita brasileira contra nosso governo, representa para o Brasil e para o resto do continente a demonstração de que os trabalhadores da cidade e do campo, aliados às classes médias progressistas, assumem cada vez mais papel de protagonistas no processo de transformações democráticas que nossos países necessitam para vencer a pesada herança de décadas de ditaduras e dependência, seguidas pela desconstrução do nacional e do social, imposta pelo neoliberalismo. Aliados a setores produtivos do empresariado de nossos países, será possível levar adiante um projeto de crescimento com distribuição de renda, aprofundamento da democracia, soberania nacional e solidariedade continental”.
Por Flávio Aguiar.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.
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