A Secretaria de Políticas Sociais e Estudos Socioeconômicos do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região convidou a bancária aposentada Marisa Stedile, funcionária dos tempos de Banestado, que também é ex-presidenta do Sindicato dos Bancários de Curitiba e região, ex-presidenta da Federação dos Trabalhadores de Empresas de Crédito do Paraná (Fetec-CUT/PR) e ex-Secretária Geral da CUT Paraná, para falar sobre esse momento histórico em que o fim da escala de trabalho 6×1 está mais perto de se tornar realidade.
“A Marisa Stedile é uma mulher pioneira na luta sindical bancária, participou das principais lutas contra as privatizações no Estado na década de 1990 e mantém um conhecimento profundo, das pautas políticas atuais, fazendo também da sua aposentadoria como um espaço relevante de análise de conjuntura”, explica Ana Smolka, diretora da pasta.
Só é feliz quem tem tempo pra viver
Marisa defende que a jornada de trabalho de 40 horas com duas folgas semanais é um direito que já deveria ter sido estabelecido logo após a Constituição de 1988 e que desde aquela época já foram os parlamentares no Congresso Nacional quem travaram essa melhora na qualidade de vida da população.
Defende a importância do tempo para a felicidade, que segundo ela, também está interligada à possibilidade de todo mundo conseguir se cuidar, cuidas da saúde, cuidar dos filhos, cuidar da educação.
Projeto do governo Lula e embates na oposição
Marisa analisa, ainda, que o principal desafio que o Governo Lula enfrenta no Congresso, de maioria opositora, para aprovação da redução de jornada, é que os parlamentares querem viabilizar compensações para os empresários.
Luta histórica
A entrevistada desenha, ainda, uma linha do tempo das lutas sindicais pela redução de jornada ao longo das décadas, incluindo nos períodos anteriores de governos do Partido dos Trabalhadores, deixando um recado bem claro: que as pessoas precisam se conscientizar no voto sobre a escolha de deputados e senadores que estejam alinhados com a melhoria das condições de trabalho no país.
Confira a íntegra da entrevista:
Sindicato: Na sua opinião, qual a importância do fim da escala 6×1 para a classe trabalhadora?
Marisa Stedile: Só é feliz quem tem tempo pra viver. O fim da escala 6×1 possibilitará que trabalhadores e trabalhadoras tenham dois dias na semana para cuidar de suas vidas, da saúde, da educação dos filhos, tempo para o lazer. Em última instância é um direito a mais, que deveria ter sido consagrado ainda na Constituição de 1988. Na época tínhamos o slogan “Trabalhar menos para que todos trabalhem”.
Sindicato: Como você avalia as movimentações políticas no Congresso Nacional diante do Projeto de Lei encaminhado pelo Governo Lula?
Marisa Stedile: Os deputados da direita e extrema-direita vivem um paradoxo. Ao mesmo tempo em que querem agradar o eleitorado aderindo ao projeto de redução de jornada, também cedem ao empresariado, que tenta manter o povo brasileiro nas mesmas condições precárias vigentes no século passado, ou até mesmo numa grande senzala. Estão tentando embutir compensações ao empresariado, tipo isenções fiscais etc. O governo Lula está investido de muitos argumentos positivos para que o Projeto seja aprovado.
Sindicato: Na sua opinião, qual a importância desse debate em um ano eleitoral?
Marisa Stedile: Acredito que o fato do governo Lula ter enfrentado um Congresso hostil e uma tentativa de golpe na primeira semana de seu governo pode ter atrasado a proposição de várias agendas positivas, entre elas a isenção de Imposto de Renda para quem ganha até 5 mil Reais e o fim da jornada 6×1.
Neste ano eleitoral a busca pelos holofotes será ainda maior entre os deputados que tentarão a reeleição. Isso pode sugerir que pautas favoráveis à classe trabalhadora podem ser mais facilmente aprovadas, porém, sendo um congresso dominado pela direita e extrema-direita, pode ocorrer o contrário e o Projeto apresentado pelo Governo Lula pode sair desfigurado. A pressão sobre os deputados é para dar alguma compensação aos setores envolvidos.
O congresso é majoritariamente de oposição e poderá não querer dar o crédito ao governo Lula. Entretanto, será muito positivo para o Brasil que o povo tenha dois dias de descanso na semana, e isso é ponto para Lula.
Sindicato: Com base no seu histórico de militância, qual a importância dos trabalhadores lutarem para seguir garantindo direitos e melhores condições de vida?
Marisa Stedile: Na época da elaboração da Constituição de 1988 a jornada era de 48 horas semanais. O movimento sindical e popular lutou pela jornada de 40 horas semanais e, infelizmente, naquela ocasião os deputados constituintes aprovaram as 44 horas semanais, que convergiu para a jornada 6×1. Seis dias trabalhados com um de folga.
Depois, com a eleição de Lula em 2002, pretendíamos conquistar a sonhada redução de jornada. O governo instalou o Fórum Nacional do Trabalho, que era tripartite: governo, empregadores e empregados. O Fórum não proporcionou avanços, jogou o debate para as conferências, que também não prosperaram. O atraso neste debate coincide com o avanço de forças reacionárias que vem ocupando os espaços de poder no Brasil, contaminando o debate público com falsas premissas, mentindo que a redução de jornada impactará negativamente na economia.
Nossa categoria bancária conquistou a jornada de 30 horas semanais ainda na década de 1950, e isso aconteceu após uma grande greve que denunciava as condições insalubres dentro dos bancos.
Muitas outras conquistas, como o próprio Salário Mínimo, provocaram grandes embates na sociedade brasileira. Os empregadores sempre tentaram evitar qualquer possibilidade de avanços. Não podemos esquecer que o desmonte dos direitos trabalhistas e a desfiguração da CLT só ocorreram após o golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência, assim como o desmonte dos direitos previdenciários foi obra do governo Bolsonaro com aval do Congresso Nacional, que em contrapartida obteve o poder sobre o Orçamento Federal, com a execução do Orçamento Secreto.
A classe trabalhadora tem de buscar a eleição de candidaturas que tenham compromisso com a melhoria das condições de trabalho, identificar projetos necessários para isso. Enfim, “Só é feliz quem tem tempo pra viver”.
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Foto: Joka Madruga
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região