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Flávio Bolsonaro é investigado no STF por lavagem de dinheiro

O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, passou a ser investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de lavagem de dinheiro em um caso que envolve o advogado Willer Tomaz, alvo de apurações sobre fraudes no INSS. O novo inquérito foi aberto a pedido da Polícia Federal (PF) e teve o aval da Procuradoria-Geral da República (PGR). O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do caso. Com isso, o senador passa a responder a duas investigações simultâneas na Corte.

Por que Flávio Bolsonaro é investigado?

  • Por que Flávio Bolsonaro é investigado no STF: a PF identificou indícios de que o senador tinha acesso privilegiado a uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado Willer Tomaz, e que essa relação pode ter sido usada para lavagem de dinheiro com recursos de origem ilícita.
  • Qual a ligação de Flávio Bolsonaro com o caso do INSS: Willer Tomaz é investigado por fraudes previdenciárias. A PF aponta que empresas ligadas a ele custearam viagens de Flávio à Europa e que o senador constava como “usuário master” de uma conta offshore do advogado.
  • Quem é Willer Tomaz: Advogado e amigo pessoal de Flávio Bolsonaro, Tomaz é apontado como proprietário de fato da Rede Loto, primeira bet autorizada no Rio de Janeiro, e já foi alvo da Operação Sem Desconto por suspeita de lavagem de dinheiro.

Flávio Bolsonaro é investigado no STF por lavagem de dinheiro

O inquérito que colocou Flávio Bolsonaro no radar do STF nasceu de uma apuração da PF no Rio Grande do Sul sobre crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e uso de casas de apostas. A quebra do sigilo telemático de Willer Tomaz revelou e-mails que indicavam o senador como “usuário master” de uma conta bancária da empresa Alcazar Holdings, de propriedade do advogado. Em maio de 2025, o próprio Tomaz teria solicitado a exclusão do acesso de Flávio, o que, segundo a PF, indica que o vínculo operacional existia até aquela data.

Devido ao foro privilegiado do senador, o caso subiu para o STF em 8 de outubro. A PGR analisou os indícios e se manifestou favoravelmente à abertura da investigação. O relator, ministro Alexandre de Moraes, conduzirá a tramitação e poderá autorizar medidas cautelares, como quebras de sigilo e buscas. A defesa de Flávio nega irregularidades e afirma que ele não é investigado, alegando que os autos ainda não teriam sido convertidos em inquérito formal.

Qual a ligação de Flávio Bolsonaro com o caso do INSS

A conexão entre Flávio Bolsonaro e as fraudes no INSS passa diretamente por Willer Tomaz. O advogado é investigado por envolvimento com desvios previdenciários e, segundo a PF, utilizava empresas de sua propriedade para movimentar recursos e custear despesas pessoais do senador.

Uma reportagem da Folha de S.Paulo revelou que uma bet de Tomaz pagou três voos de Flávio para a Europa em 2025, atuando como intermediária na compra das passagens e custeando viagens de caráter pessoal que envolviam os núcleos familiares de ambos.

Além disso, a PF identificou que Flávio possuía acesso operacional relevante como “usuário master” em uma conta bancária da offshore Alcazar Holding, da qual Tomaz é sócio. Para os investigadores, esse conjunto de elementos evidencia uma relação de proximidade e de possível lavagem de dinheiro por meio de estruturas empresariais do advogado.

Quem é Willer Tomaz?

Willer Tomaz é advogado e amigo pessoal de longa data de Flávio Bolsonaro. Ele ganhou notoriedade nas investigações por ser apontado como proprietário de fato da Rede Loto, a primeira casa de apostas a obter autorização estadual no Rio de Janeiro para explorar apostas esportivas. Os sócios formais da empresa possuem vínculos com ele, segundo a PF.

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Foto de Flávio recuperada pela PF no ICloud de Willer Tomaz e passagens reservadas da viagem de Flávio com o investigado por roubos no INSS – Reprodução

Tomaz já foi alvo de busca e apreensão em agosto, na Operação Sem Desconto, autorizada pelo ministro André Mendonça, por suspeita de realizar operações de lavagem de dinheiro e ocultação de recursos para o senador Weverton Rocha (PDT-MA). Naquele caso, Flávio não era alvo.

A nova investigação no STF, no entanto, menciona registros de festas, encontros e reuniões entre Tomaz e Flávio, além do pagamento de viagens e do vínculo na conta da Alcazar Holding.

Mais uma vez e Flávio Bolsonaro pode pedir música no Fantástico

Este não é o primeiro inquérito em que Flávio Bolsonaro figura como investigado no Supremo. Desde julho, ele responde a outra apuração, sob relatoria do ministro André Mendonça, que investiga o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.

A suspeita é que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do antigo Banco Master, tenha repassado R$ 61 milhões (de um total de R$ 134 milhões acordados) para a produção da obra a pedido do senador. A PF apura possible prática dos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção.

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Composição de imagens de Flávio Bolsonaro e reprodução de conversa com Vorcaro, do Banco Master divulgadas pelo The Intecept Brasil. Imagens: Foto de Flávio Bolsonaro por Maura Martins/TV Brasil

Com o novo inquérito, Flávio passa a ser alvo de duas investigações simultâneas na Corte, ambas com potencial de impactar sua candidatura à Presidência. O portal do STF acompanha a tramitação dos inquéritos relacionados a autoridades com foro privilegiado.

Quais perguntas Flávio Bolsonaro não respondeu no debate da Band

O novo inquérito veio à tona um dia após o primeiro debate do segundo turno entre Flávio Bolsonaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, promovido pela Band. Analistas e colunistas apontaram que o candidato do PL adotou uma estratégia de confronto e provocações, mas evitou responder a perguntas centrais.

Entre as questões que Flávio não respondeu de forma direta estão:

  • O que fez com os mais de R$ 60 milhões repassados pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
  • Se pretende entregar as terras raras brasileiras aos Estados Unidos.
  • Por que apoiou o projeto que prevê o fim da marcação de munições adquiridas por órgãos de segurança.
  • Caso Ana Clara: por que advogou em favor de um policial militar que matou uma menina de 5 anos com um tiro de fuzil, mesmo já sendo senador.
  • Se aceitaria o desafio de Lula de abrir os sigilos bancários e telefônicos de sua família.

Texto: Alexandre Barbosa

Fonte: TVT News

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