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FNU-CUT cobra mais investimentos em fontes alternativas de energia

Nota Oficial sobre o apagão do dia 10/11

Na avaliação da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU-CUT) – entidade que representa quase a totalidade dos trabalhadores eletricitários do País -, muitas impropriedades estão sendo veiculadas quanto à interrupção de energia elétrica ocorrida às 22h13 do último dia 10, por pessoas que desconhecem inteiramente a complexidade do setor elétrico brasileiro.

Essas opiniões distorcidas da realidade têm constrangido os trabalhadores eletricitários, que se sentem atingidos profissionalmente. É importante ressaltar que os trabalhadores eletricitários – técnicos e especialistas altamente qualificados e respeitados internacionalmente – construíram e operam um dos melhores e mais confiáveis sistemas elétricos do mundo.

Um sistema complexo, eficiente e robusto, usado como paradigma por países do Primeiro Mundo, que por essas razões tentam imitá-lo. O sistema elétrico brasileiro é motivo de orgulho para os profissionais do setor, e temos convicção de que o é também para toda a população brasileira. Foi construído dentro de rígidos padrões que obedecem a critérios rigorosos de qualidade e eficiência, sendo elogiado mundialmente. É um sistema formado por empresas estatais e privadas de geração, transmissão e distribuição de energia elétrica, sendo a Eletrobrás e suas controladas responsáveis por aproximadamente 56% da transmissão e 38% da geração.

Esse sistema interliga todas as bacias hidrográficas brasileiras e usinas de outras fontes de energia, otimizando a operação dos recursos energéticos, reduzindo com isto déficits, geração de origem térmica, vertimentos etc. Além disso, disponibiliza ao maior número de consumidores a energia associada ao próximo projeto mais econômico, independentemente de sua localização. Para isso, é necessário construir um sistema moderno, robusto e confiável, composto de milhares de quilômetros de linhas de transmissão e centenas de subestações de pequeno, médio e grande porte.

Apesar da robustez, qualidade e eficiência do sistema elétrico brasileiro, ele não é infalível, como não o é nenhum outro sistema no mundo. Infelizmente, para que um sistema elétrico seja completamente seguro, o preço da tarifa seria exorbitante, principalmente no Brasil, que tem dimensões continentais e em razão também da complexidade do setor.

A história mostra que muitos países, inclusive do Primeiro Mundo, enfrentaram blecautes de proporções semelhantes às do Brasil e levaram um tempo maior para recompor o sistema, como exemplificado no quadro do verso deste informativo.

Os trabalhadores eletricitários brasileiros entendem que houve uma melhoria substancial no setor com a implementação do novo marco regulatório, que trouxe a modicidade tarifária e o retorno do órgão planejador centralizado. Além disso, houve um fortalecimento da Eletrobrás e de suas controladas por meio do aperfeiçoamento da governança corporativa, da reorganização dos negócios de distribuição, da reformulação institucional da Holding e da reorganização do modelo de gestão empresarial para o Sistema Eletrobrás.

Cabe destacar os fortes investimentos no setor nos últimos anos, com a transmissão crescendo cerca de 33.000 Km e a geração, 26.000 Mw. Atualmente, o Brasil produz energia suficiente para abastecer a demanda do País. Está investindo na construção de novas hidrelétricas e na geração de energias alternativas, bem como na ampliação e modernização do sistema de transmissão, com vistas a assegurar o desenvolvimento do País, como demonstram os números acima. Estão previstos vultosos investimentos do Programa de Ações Estratégicas – PAE 2009-2011 – em geração, transmissão e distribuição, da ordem de R$ 30 bilhões.

Quanto à interrupção parcial de energia elétrica registrada na noite de 10 de novembro último – que atingiu 18 Estados e aproximadamente 60 milhões de pessoas, provocada, segundo informações oficiais do governo, por “curto-circuitos próximos à subestação de Itaberá, em São Paulo” que acarretaram o desligamento de três linhas de alta tensão que transportavam energia da usina de Itaipu e o desligamento das máquinas geradoras desta usina e de outras da Região Sudeste , a FNU-CUT entende que é fundamental haver uma investigação profunda e rigorosa, objetivando identificar as causas do problema e propor medidas que aumentem a segurança e a confiabilidade do sistema elétrico brasileiro.

Além disso, a FNU-CUT propõe:

1. a manutenção da política de priorização da geração hidráulica, por meio do aproveitamento dos potenciais hidrelétricos brasileiros, com respeito ao meio ambiente, a exemplo das usinas do rio Madeira, Jirau e Santo Antônio e Belo Monte, no rio Xingu, entre outros;

2. a diminuição da alta dependência energética de Itaipu, agilizando-se a construção das novas hidrelétricas previstas. Itaipu, apesar de ser extraordinária, é binacional (Brasil e Paraguai), portanto sofre influência política externa. Por outro lado, não é aconselhável que uma única hidrelétrica seja responsável por cerca de 20% do consumo de energia elétrica do Brasil, como é o caso de Itaipu;

3. a diversificação da matriz de energia elétrica, investindo-se em fontes alternativas e usinas que possam ser instaladas próximas aos centros de carga, como usinas termonucleares e térmicas a gás natural, entre outros;

4. a redução dos encargos setoriais e tributários, que representam quase 50% da conta de energia elétrica, para evitar que a diversificação da matriz aumente a tarifa de energia elétrica para o consumidor final;

5. a criação de grupo de trabalho específico, com prazo de conclusão, a fim de estudar e propor soluções para que possíveis falhas no sistema de transmissão sejam reparadas na origem, o que se denomina “ilhamento”, evitando-se, desta forma, que o problema se espalhe por uma região maior.

6. a permanente valorização dos profissionais do setor elétrico, objetivando a manutenção do nível de excelência do mesmo. Finalmente, é importante frisar que os trabalhadores eletricitários se esforçaram ao máximo para que o restabelecimento da energia elétrica se desse no menor prazo possível e sem nenhum acidente de trabalho ou danos aos equipamentos, e para diminuir ao máximo os transtornos causados à população.

Diretoria da Federação Nacional dos Urbanitários – FNU-CUT.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.cut.org.br.

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