Informes
(Brasília) A cidade indiana de Mumbai (antiga Bombaim) se prepara para receber o 4° Fórum Social Mundial, a partir desta sexta-feira, 16. O evento é “um espaço de encontro da diversidade de atores sociais de uma emergente cidadania planetária”, na definição de um dos seus idealizadores, Cândido Grzybowski, diretor do Instituto Brasileiro de Análise Sociais e Econômicas (Ibase), uma das oito entidades que deram início ao fórum, em 2001.
O Fórum, que vai até o dia 21 de janeiro, acontece fora do Brasil pela primeira vez. Para Grzybowski, a transferência para a Índia faz parte do processo de internacionalização previsto durante a concepção do Fórum. “Estamos trabalhando para construir um evento global, abrindo espaço para a participação de organizações e movimentos asiáticos que, por conta da distância, não puderam estar presentes nas edições anteriores, em Porto Alegre (RS). Há a intenção de levar o evento também para o continente africano”, explica.
Segundo Grzybowski, a mudança essencial nessa quarta edição se dá por conta da consolidação já conquistada.
“Nosso desafio agora é tornar o Fórum um ator de impacto, pois já somos um espaço de articulação e reflexão.
Nossas dificuldades já não são mais de ordem organizativa, e sim metodológicas com implicações políticas”, afirma.
Nos 800 seminários e debates previstos, os temas variam entre globalização imperialista, militarismo, fanatismo religioso, violência, sectarismo, racismo e sociedade segmentada, trabalho, exclusão e discriminação social.
História – O Fórum Social Mundial entrou na agenda das organizações não-governamentais e dos movimentos sociais em janeiro de 2001, quando cerca de 20 mil pessoas se encontraram em Porto Alegre com a intenção de adicionar o termo “solidariedade” à tão celebrada “globalização”. Organizações de diferentes setores da sociedade se reuniram para mobilizar as discussões em torno da construção de “um outro mundo possível”.
Além do Ibase, participaram da criação do FSM o Movimento do Sem Terra (MST), Central Única dos Trabalhadores (CUT), Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais (Abong), Ação pela Tributação das Transações Financeiras em Apoio aos Cidadãos (Attac), Comissão Brasileira Justiça e Paz da CNBB, Associação Brasileira de Empresários pela Cidadania (Cives), Rede Social de Justiça e Direitos Humanos.
FSM surgiu para ser um contraponto ao encontro de Davos, denominado Fórum Econômico Mundial. Na Suíça, executivos e representantes de milhares das maiores empresas multinacionais, de bancos internacionais e organismos multilaterais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) se reúnem anualmente desde 1971.
Deixe um comentário