Fonte: Beatriz Araújo – Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região
Publicado em: 17/5/2004 – 17:51
Em entrevista publicada ontem, dia 16, pelo jornal Zero Hora, o presidente-executivo do HSBC, Emilson Alonso, afirmou que “os bancos querem emprego e renda”. No entanto, esta preocupação não se aplica ao banco inglês, já que não pára de demitir, apesar do lucro apurado de R$ 190 milhões em 2003.
Alonso anunciou que neste ano o HSBC vai investir R$ 40 milhões em uma campanha publicitária, que já está sendo veiculada nos meios de comunicação. O objetivo, conforme o representante do banco, é tornar a empresa mais conhecida pelos brasileiros.
“Enquanto isso, os empregados do banco sofrem as conseqüências de trabalhar para um banco estrangeiro que prioriza a publicidade e negligencia a situação de seus trabalhadores”, denuncia o diretor do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, Orlando Ribeiro.
“Há sete anos o HSBC retira lucros exorbitantes no país e, em troca, tem promovido demissões, demonstrando falta de responsabilidade social”, reforça o representante do RS na Comissão de Organização dos Empregados (COE) do HSBC.
Para Alonso, “os bancos são fundamentais para o crescimento do país”. Porém, ao contrário do que disse, as demissões promovidas pelo HSBC só contribuem para o aumento do desemprego. “É a típica história de quem quer mudar o mundo e não arruma a própria casa”, compara Orlando.
Veja a íntegra da reportagem e entrevista
do presidente-executivo do HSBC:
O HSBC investiu R$ 40 milhões em uma campanha publicitária, que começou a ser veiculada recentemente, para se tornar mais conhecido dos brasileiros. O banco, que chegou ao Brasil em 1997 ao comprar o Bamerindus, quer aumentar em 50% a atual base de 3 milhões de clientes, no período de três anos.
– Demoramos mais de 20 anos para chegar. Não dependemos de resultados de curto prazo para justificar a presença aqui – afirma o presidente-executivo do HSBC do Brasil, Emilson Alonso.
Essa foi a resposta da Alonso à pergunta sobre os motivos de investir pesado em marketing no Brasil, quando algumas instituições emitiram sinais de certa decepção com o baixo crescimento da economia brasileira. Na entrevista a seguir, concedida no Palácio Avenida, em Curitiba, conhecido no país pelos comerciais de Natal do antigo Bamerindus, Alonso analisa a condução da economia pelo governo Lula e o papel dos bancos no crescimento do País:
– Os bancos querem emprego e renda.(Lúcia Ritzel)
Zero Hora – Quais as estimativas do banco para o desempenho da economia este ano e 2005?
Emilson Alonso – Nossa projeção é de um crescimento da economia entre 3% e 4%, taxa Selic podendo chegar ao final do ano a 14%, dólar estável em torno de R$ 3. A economia brasileira tem uma dinâmica nova, representada pelos superávits da balança comercial. Essa é uma mudança dos últimos três ou quatro anos, e muita gente não percebeu. O Brasil exporta muito, inclusive produtos industrializados. Isso reduz, aos poucos, a vulnerabilidade do país. Nós já vamos perceber tudo isso na próxima crise global.
ZH – Essa próxima crise global pode ser deflagrada pela alta dos juros dos Estados Unidos?
Alonso – Pode ser. Hoje, a liquidez internacional é boa. O fluxo de recursos é volátil, pode estar tudo diferente dentro de um ano ou dois. Mas hoje o Brasil está melhor, tanto nos fundamentos econômicos quanto na vulnerabilidade externa.
ZH – Qual a sua avaliação sobre os relatórios pessimistas que alguns bancos e agências de risco divulgaram sobre o Brasil?
Alonso – Acho que, às vezes, falta uma visão de longo prazo. Outras vezes ocorre que os investidores querem fazer aplicações de curto prazo, então a análise tem de contemplar essa necessidade. Obviamente, existe algum desconhecimento do mercado. Essa disputa entre o governo e o partido do governo, que são absolutamente normais para o PT, não são tão normais para analistas de fora.
ZH – As críticas ao ministro Antonio Palocci, da Fazenda, principalmente as relacionadas com o baixo valor do salário mínimo e o pequeno crescimento, são justificáveis?
Alonso – A administração econômica do Brasil é altamente eficiente e uma das mais profissionais do mundo. Essa equipe que está no Banco Central (BC) é muito boa. A política econômica não é muito diferente da dos países que querem crescer e atrair investimentos. As taxas de juros são altas porque a dívida do país é grande. Tenho certeza de que o BC reduzirá os juros na medida em que a inflação caia e se estabilize. Mas, quando há a ameaça de alta das taxas de juros norte-americanas, o governo tem de se preparar porque pode haver uma reversão nas expectativas de mercado e, assim, diminuir a liquidez internacional.
ZH – A indústria, o comércio e os bancos estão preocupados porque a renda da população não cresce, inibindo a produção, as vendas e a ampliação dos clientes. Não há nada para ser corrigido na política econômica?
Alonso – Pode ter muita coisa. É fácil falar. Responsabilidade social, maior eficiência do Estado, que tem de gastar melhor o que arrecada. Há muitas coisas que poderiam dar vantagens para a máquina pública ser mais eficiente. Agora, temos de atrair investimentos porque a poupança é pequena. Sem isso, não há emprego nem renda.
ZH – Qual é o papel dos bancos no crescimento do país?
Alonso – São uma alavanca importante para o crescimento porque conseguem assegurar, pelo crédito, o consumo futuro. Com condições mais estáveis, os bancos captam com prazos mais longos e podem emprestá-los também com prazos mais longos. Cerca de 84% da receita do HSBC no Brasil vem dos serviços prestados aos clientes. Por isso, nosso interesse é que a população brasileira tenha emprego e renda.
ZH – Se os juros fossem mais baixos, o maior número de tomadores não acabaria diluindo os riscos de inadimplência, uma das causas das taxas elevadas?
Alonso – Não dá para fazer esse tipo de operação de forma isolada. Os custos são os mesmos: impostos, falta de informações sobre os clientes. Eu não sei se um sujeito está tomando em um banco ou em cinco ou em 10. Em alguns casos, como no crédito imobiliário, a retomada do bem é difícil. Assim, não é possível mexer no spread (diferença entre a taxa com a qual o banco capta recursos e a que cobra dos clientes). Se os bancos começarem a dar empréstimos para a população cobrir o mês, estão mortos. O empréstimo é destinado a quem tem uma renda futura.
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