Sai Leonel Andrade, executivo que assumiu o comando em agosto de 2004 e que estava na financeira há sete anos, e entra Henrique Frayha, que foi da área de cartões de crédito e que no último ano e meio se dedicou à área de crédito consignado.
O destino de Andrade ainda não está definido.
Sabe-se apenas que ele assumirá novas funções no banco no Brasil.
As mudanças não param por aí.
Toda a área de crédito consignado e empréstimos com desconto em folha, antes administrados pelo HSBC, passarão para a Losango.
” Com a financeira ficarão aquelas operações que chamamos de transacionais, em que não é preciso que o tomador do crédito seja cliente do banco ” , explicou Emilson Alonso, presidente executivo do HSBC.
Alonso nega que as mudanças sejam uma resposta ao forte crescimento da inadimplência verificado no segundo semestre do ano passado, como afirmam alguns de seus concorrentes.
Segundo ele, a inadimplência existe, mas já está controlada.
” Pagamos essa conta no ano passado.
” O índice de atrasos acima de 180 dias atingiu 14% em 2005, em comparação com 11% em 2004.
No primeiro trimestre deste ano, segundo Alonso, a inadimplência cresceu 43%.
” É um aumento importante, mas inferior ao de meus competidores, que, em alguns casos, dobraram a inadimplência ” , afirma Alonso.
A carteira da Losango era, em abril, de R$ 2,2 bilhões, incluindo empréstimos pessoais e o Crédito Direto ao Consumidor (CDC).
O presidente do HSBC diz que a Losango entra agora em uma nova fase, com mudança em seu perfil e produtos.
” Temos de adaptar a financeira à mudança do mercado ” , explica Alonso, em referência às alterações provocadas pelo crédito consignado.
Os financiamentos com desconto em folha – inclusive para aposentados do INSS – reduziram a renda disponível e levaram antigos clientes a atrasar seus pagamentos ou a deixar de honrá-los.
Por isso, as operações das financeiras hoje envolvem mais risco ou são direcionadas às pessoas que nunca tomaram crédito antes.
Na Losango, os chamados novos entrantes já correspondem a um terço dos clientes.
As mudanças na Losango também marcam uma importante etapa na integração entre a financeira e o banco.
A duplicidade de setores como o jurídico, de marketing, tecnologia e recursos humanos foi eliminada, reduzindo custos.
De acordo com Emilson Alonso, em um primeiro momento o HSBC investiu no front externo da Losango, ampliando o número de lojas e os acordos com varejistas.
” Agora, a integração chegou à área interna.
Isso estava previsto desde o início e embutido no ágio que pagamos na aquisição da Losango ” , diz Alonso.
Em 2003, o HSBC pagou US$ 815 milhões ao Lloyds Bank, controlador da Losango.
Só a financeira e o banco no Brasil custaram US$ 451 milhões.
O restante do valor se referia a empréstimos externos concedidos ao Brasil, entre outros ativos.
Em dezembro de 2003, quando o HSBC assumiu a Losango, a financeira tinha 119 lojas e 15 mil varejistas.
Hoje, são 305 pontos de venda e há acordos com 21 mil varejistas.
No mesmo período, o número de funcionários se manteve praticamente inalterado – de 2,9 mil para 3 mil.
Fonte: Valor Econômico
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