Gazeta do Povo
Pesquisa mostra que 27,2% dos paranaenses com mais de 65 anos trabalham
Quase 30% dos paranaenses que têm mais de 65 anos de idade continuam trabalhando, contra 24% da média nacional.
Em sua grande maioria são aposentados que tiveram que voltar a ativa ou retardar a saída do mercado de trabalho por ter uma renda insuficiente.
“São pessoas idosas que estão trabalhando para complementar a renda familiar ou mesmo a aposentadoria”, comenta Cristiane Soares, analista do IBGE e uma das autoras da Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada ontem pelo IBGE.
Os dados compilados pelo IBGE fazem um retrato da vida econômica do trabalhador brasileiro e, em particular, do Paraná. Eles mostram que 22% da população economicamente ocupada do Paraná ganha até um salário mínimo.
Em números totais isto significa que mais de um milhão dos 4,9 milhões de trabalhadores paranaenses se encontram numa faixa socioeconômica crítica.
A analista do IBGE e uma das autoras do estudo, Cristiane Soares, conta que cerca de 350 mil paranaenses têm rendimentos de até meio salário mínimo, ou seja, abaixo da linha de pobreza estabelecida pelas Nações Unidas. “É a maior taxa de toda região Sul”, observou.
A taxa estadual de desemprego atingiu em 2002 a casa dos 7%. As novas informações divulgadas pelo IBGE mostram também os reflexos de uma realidade nacional: a relação do mercado de trabalho favorece amplamente aos homens.
Isto significa que as mulheres sofrem mais com o desemprego, que atinge 8,6% das trabalhadoras.
Atualmente, a taxa de ocupação no Paraná é de 65,4% da população que mantém atividades dentro do mercado formal ou informal.
Essa taxa está acima da média nacional, que foi registrada em 61,3% em 2002. A área metropolitana de Curitiba concentra 1,4 milhão de trabalhadores ocupados.
“Temos uma grande pressão no mercado de trabalho vindo dos jovens, mulheres e idosos”, analisa a economista do IBGE.
Outro número relevante é o que revela a situação dos idosos do estado.
O estado também cresce no segmento da não contribuição previdenciária. Em toda sua população ocupada dentro do mercado, 52,8% não pagam o INSS. Essa é o maior índice de toda Região Sul do Brasil.
O que se conclui que aumentou o emprego informal e empregados sem registro trabalhista.
“O Paraná tem a menor taxa de empregos com carteira assinada regional, com 68,5% dos empregados nesta condição”, relatou a técnica do IBGE.
A queda no rendimento dos trabalhadores foi “uma característica marcante do mercado de trabalho em 2002”, segundo concluiu o IBGE na Síntese de Indicadores Sociais 2003, divulgada ontem, que, compara os números dos censos demográficos de 1991 e de 2000, mais os números do Pnad de 2002,
Segundo a Síntese, essa queda no rendimento vem sendo registrada desde 1996, quando a renda média era de R$ 726, passando para R$ 636,50 em setembro de 2002 levando-se em conta a inflação do período.
Em 2002, o porcentual de trabalhadores brasileiros que ganhavam até um salário mínimo subiu para 27,1% do total de ocupados, já que em 2001 eram 24,1%.
A pesquisa do IBGE confirmou também a desigualdade de rendimento entre homens e mulheres.
Em 2002, as mulheres ocupadas tinham em média um ano a mais de estudo e recebiam cerca de 70% do rendimento dos homens.
Entretanto, houve um crescimento feminino no mercado, o que tem sido uma tendência observada nas últimas décadas.
Na população de ocupados, 42,5% são mulheres. O que representou um crescimento próximo a 1% em relação a 2001.
O IBGE conclui na relatório que “com a queda do rendimento, o desemprego em alta e a economia ainda sem sinais de aquecimento, e a população passando por um processo de transformação sócio-demográfica, a pressão sobre o mercado de trabalho tem aumentado”.
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