Brasília – O diretor indicado de Política Monetária do Banco Central, Aldo Luiz Mendes, defendeu hoje (24), ao ser sabatinado no Senado Federal, a manutenção de precondições necessárias para o crescimento sustentável do país, como a busca intransigente da estabilidade de preços, considerada uma das maiores conquistadas da sociedade brasileira nos últimos 15 anos.
Para Mendes, a estabilidade é um bem público por excelência e seu valor deve ser preservado como condição absolutamente necessária para o crescimento sustentável da economia brasileira. Ele defendeu ainda a política monetária como instrumento para estabelecimento da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), de 4,5% ao ano para o biênio 2009-2010.
Mendes ressaltou, porém, que para isso é importante que o BC disponha de autonomia, como já ocorre com boa parte dos bancos centrais no mundo.
“No caso brasileiro, é importante dispor de autonomia operacional de fato para calibrar com eficiência os instrumentos de política monetária, com base em em critérios estritamente técnicos”.
Aldo Luiz Mendes se disse favorável à continuidade da atual política de crédito para regular o acesso da população e a oferta dos financiamentos, que além de favorecer a competição do mercado assegura a oferta adequada de recursos para o crescimento econômico.
Outro ponto que ele defendeu foi a política cambial, por visar ao aperfeiçoamento permanente do regime flutuante (sem parâmetro fixo). “Regime adotado pelas autoridades brasileiras e que tem se mostrado adquado para a nossa realidade”.
Aldo Luiz Mendes foi indicado para a vaga deixada por Mário Torós, que estava no cargo há dois anos. Torós deixou o cargo depois da veiculação de uma entrevista dada ao jornal Valor Econômico na última sexta-feira (13).
Na entrevista, ele relatou os bastidores do governo na crise e contou detalhes sobre as dificuldades enfrentadas por determinadas instituições financeiras. Aldo Mendes já foi vice-presidente do Banco do Brasil.
Por Daniel Lima – Repórter da Agência Brasil. Edição: Tereza Barbosa.
================================================
Deficit das contas do país com exterior supera previsão e fecha outubro em US$ 2,9 bilhões
Brasília – O deficit em conta corrente do país no mês passado chegou a US$ 2,911 bilhões e acumulou US$ 14,788 bilhões de janeiro a outubro deste ano, segundo dados divulgados hoje (24) pelo Banco Central (BC).
O resultado de outubro foi maior do que o projetado pelo BC para o mês: US$ 2 bilhões. No mesmo mês de 2008, o deficit era de US$ 1,239 bilhão. Nos meses de janeiro a outubro de 2008, o resultado negativo foi maior (US$ 24,122 bilhões) do que no mesmo período deste ano.
A conta corrente registra as compras e vendas de mercadorias e serviços do país com o exterior. Entre os itens dessa conta estão serviços e rendas (remessas de lucros e dividendos, pagamentos de juros, viagens internacionais e outros) que ficaram negativos em US$ 4,456 bilhões, em outubro, e em US$ 40,088 bilhões no acumulado dos dez meses.
A balança comercial, que registra as exportações e importações, teve superavit de US$ 1,328 bilhão em outubro, contra US$ 1,262 bilhão no mesmo período de 2008. O superavit comercial de janeiro a outubro deste ano ficou em US$ 22,641 bilhões, contra US$ 20,920 bilhões registrados no mesmo período de 2008.
As transferências unilaterais correntes (registros de transferências de bens e serviços, doações recebidas ou enviadas sem contrapartida) somaram US$ 216 milhões em outubro e US$ 2,659 bilhões nos dez meses do ano. Nos mesmos períodos de 2008 as transferências foram maiores: US$ 501 milhões e US$ 3,372 bilhões, respectivamente.
Além da conta corrente, os dados do balanço de pagamentos (as transações comerciais e financeiras do Brasil com o exterior) também registram a conta capital e financeira (empréstimos e investimentos). Quando o país tem deficit em conta corrente, precisa cobrir o resultado negativo com empréstimo ou receber investimentos do exterior.
O investimento estrangeiro direto, que vai para o setor produtivo da economia, ficou em US$ 1,563 bilhão, abaixo da projeção do BC (US$ 1,7 bilhão). Em outubro de 2008, o ingresso foi bem maior: US$ 3,913 bilhões. De janeiro a outubro, foram investidos US$ 19,254 bilhões, contra US$ 34,768 bilhões registrados nos dez meses de 2008.
A projeção do BC é chegar ao final deste ano com esses investimentos totalizando US$ 25 bilhões e o deficit em conta corrente, S$ 18 bilhões.
Por Kelly Oliveira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Tereza Barbosa.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.
==================================================
NOTA PARA A IMPRENSA – 24.11.2009
Setor Externo
I – Balanço de pagamentos – Outubro de 2009
O balanço de pagamentos registrou superávit de US$9,2 bilhões em outubro. A conta capital e financeira apresentou superávit de US$11,7 bilhões e as transações correntes, déficit de US$2,9 bilhões. No mês, destacaram-se os ingressos líquidos de investimentos estrangeiros em carteira, US$17,1 bilhões.
A conta de serviços apresentou déficit de US$2 bilhões em outubro, 158,7% acima do registrado no mesmo mês de 2008. As despesas líquidas com viagens internacionais somaram US$785 milhões, com redução de 6,1% nas receitas e elevação de 59,6% nas despesas com viagens ao exterior. O item transportes registrou despesas líquidas de US$297 milhões, ante déficit de US$148 milhões em outubro do ano anterior. Dentre os demais itens da conta de serviços, no mesmo período comparativo, ocorreram elevações nas despesas líquidas com aluguel de equipamentos, 5,8%; royalties e licenças, 27,6%; e seguros, 57,5%. O item computação e informações apresentou estabilidade nas despesas líquidas, 0,2%. Os outros serviços registraram ingressos líquidos de US$651 milhões, 26,6% inferiores ao resultado do mesmo mês de 2008.
As remessas líquidas de renda para o exterior somaram US$2,5 bilhões em outubro, incremento de 10,8% em relação ao mesmo mês do ano anterior. As saídas líquidas de renda de investimento direto totalizaram US$1,9 bilhão, ante US$1,8 bilhão observado em outubro de 2008. As remessas líquidas de renda de investimentos em carteira atingiram US$324 milhões, diante de US$58 milhões no mesmo mês do ano passado. A despesa líquida de renda de outros investimentos somou US$328 milhões. As remessas líquidas de rendas de investimento direto mantiveram trajetória descendente, recuando 39,3%, nos dez primeiros meses do ano, em comparação com igual período do ano anterior.
Os investimentos brasileiros diretos no exterior apresentaram aplicações líquidas de US$111 milhões em outubro, compreendendo US$244 milhões em constituição de investimentos líquidos no exterior, na modalidade participação no capital, e US$134 milhões em amortizações líquidas de empréstimos intercompanhias, recebidas do exterior.
Os investimentos estrangeiros diretos registraram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão em outubro, resultantes de US$1,8 bilhão em participação no capital de empresas no País, incluídas as conversões em investimentos, e US$289 milhões em amortizações líquidas de empréstimos intercompanhias.
Os investimentos estrangeiros em carteira registraram ingressos líquidos de US$17,1 bilhões em outubro. Os investimentos em ações e em títulos de renda fixa, ambos negociados no País, apresentaram ingressos líquidos de US$11,7 bilhões, comparados a US$6,9 bilhões no mês anterior. Os ingressos líquidos de bônus negociados no exterior somaram US$126 milhões, resultado de desembolsos de US$1,3 bilhão referentes à emissão do Global 41, amortizações de US$1,1 bilhão e ágios, relacionados às recompras de papéis soberanos, de US$30 milhões. Os investimentos em notes e commercial papers apresentaram ingressos líquidos de US$521 milhões, ante saídas líquidas de US$164 milhões ocorridas em setembro. Os títulos de curto prazo apresentaram desembolsos líquidos de US$49 milhões.
Os outros investimentos brasileiros no exterior resultaram em remessas líquidas de US$9,1 bilhões em outubro, compreendendo a constituição líquida de depósitos de bancos no exterior, US$7,8 bilhões; e a concessões líquidas de empréstimos ao exterior, US$1,2 bilhão.
Os outros investimentos estrangeiros no País registraram ingressos líquidos de US$1,6 bilhão em outubro, ante US$1 bilhão ocorrido em setembro. O crédito comercial de fornecedores apresentou desembolsos líquidos de US$499 milhões, resultado de US$492 milhões em ingressos líquidos de créditos comerciais de curto prazo e US$8 milhões em desembolsos líquidos das operações de médio e longo prazos. Os empréstimos aos demais setores apresentaram ingressos líquidos de US$1,1 bilhão, resultado de desembolsos líquidos de organismos, US$445 milhões; compradores, US$350 milhões; empréstimos diretos, US$321 milhões; e agências, US$147 milhões. Os empréstimos de curto prazo somaram amortizações líquidas de US$124 milhões em outubro.
II – Reservas internacionais
As reservas internacionais no conceito liquidez, que inclui o saldo das operações de empréstimo em moedas estrangeiras, somaram US$232,9 bilhões em outubro, crescimento de US$8,7 bilhões comparativamente ao mês anterior. No conceito caixa, as reservas internacionais atingiram US$231,1 bilhões, acréscimo de US$9,5 bilhões em relação ao mês anterior.
As intervenções totais da autoridade monetária somaram compras líquidas de US$7,5 bilhões, distribuídas em compras à vista, US$6,7 bilhões, e retorno de operações de empréstimo, US$787.
Destacaram-se o lançamento do bônus Global 41, US$1,3 bilhão, e as receitas de juros que remuneram as reservas internacionais, US$332 milhões. As demais operações externas, incluídas variações de preços e de paridades, elevaram o estoque em US$362 milhões.
III – Dívida externa
A dívida externa total, estimada para o mês de outubro em US$204 bilhões, aumentou US$2,1 bilhões em relação à posição estimada do mês anterior. A dívida externa de médio e longo prazos aumentou US$2,2 bilhões, atingindo US$172 bilhões. O estoque de dívida de curto prazo permanece em US$32,3 bilhões, após queda de US$74 milhões.
No mês de outubro, os ingressos líquidos em bônus, US$155 milhões, decorreram do lançamento, pelo governo federal, do Global 41, US$1,3 bilhão, prazo de 30 anos, cupom de 5,625% ao ano; da liquidação do Global 09, US$1 bilhão; e de recompras no mercado secundário, US$119 milhões. Houve ainda ingressos líquidos em Notes, US$526 milhões, organismos internacionais, US$445 milhões, Buyers e Suppliers, US$358 milhões, empréstimos em moedas, US$321 milhões, e agências governamentais, US$147 milhões. A ampliação da dívida externa decorrente de variações por paridades foi estimada em US$245 milhões.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bcb.gov.br.