O Estado de São Paulo – Demétrio Weber e Sérgio Gobetti
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse ontem que a decisão do comitê disciplinar interno que inocentou os acusados de envolvimento num esquema de grampo telefônico e desvio de recursos não o convenceu e, por isso, ele pediu reavaliação por uma instância superior, formada por vice-presidentes. “A decisão desse comitê não pareceu envolver todas as variáveis contidas na denúncia e, sobretudo, na auditoria.”
Ele explicou que o comitê superior definirá se há necessidade de novas investigações antes de decidir se pune os acusados, entre eles a gerente nacional de Segurança, Valquíria Brito. Segundo a denúncia, Valquíria e o ex-vice-presidente Mário Haag teriam usado os serviços da Confederal, empresa que presta segurança à Caixa e é do líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), para instalar escutas na Caixa em 2002.
Mattoso confirmou que soube da denúncia ao assumir, em janeiro de 2003. A Caixa passou a apurar o caso em julho. A auditoria constatou “fortes indícios” de crime e propôs novas apurações. A Sindicância que a seguiu propôs a suspensão dos acusados. O comitê disciplinar, porém, os inocentou.
“O que eu não podia era engavetar. Achei por bem pegar a denúncia e encaminhar”, disse Mattoso.
Além de imagens da suposta instalação dos grampos, a auditoria descobriu que a Confederal recebeu R$ 120.367,91 por serviços extraordinários à Caixa em 2002. Os 5 pagamentos extras contrariam o contrato com a Confederal. “Para fazer um serviço legal, a Caixa teria de ter aditado o contrato, o que não ocorreu”, diz o presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal, Jervalino Rodrigues Bispo, que acusa a Confederal de ter repassado o dinheiro ao esquema.
A cópia das notas revela que a própria Valquíria e seu subordinado, o gerente de Representação de Segurança, Dimas de Souza Júnior, autorizaram o pagamento – inicialmente negado pela gerente. O diretor da Confederal, Ricardo Lopes Augusto, não retornou a ligação para falar sobre o assunto.
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Por Mhais• 21 de janeiro de 2004• 10:41• Sem categoria
INVESTIGAÇÃO SOBRE GRAMPO NÃO CONVENCE PRESIDENTE DA CAIXA
O Estado de São Paulo – Demétrio Weber e Sérgio Gobetti
O presidente da Caixa Econômica Federal, Jorge Mattoso, disse ontem que a decisão do comitê disciplinar interno que inocentou os acusados de envolvimento num esquema de grampo telefônico e desvio de recursos não o convenceu e, por isso, ele pediu reavaliação por uma instância superior, formada por vice-presidentes. “A decisão desse comitê não pareceu envolver todas as variáveis contidas na denúncia e, sobretudo, na auditoria.”
Ele explicou que o comitê superior definirá se há necessidade de novas investigações antes de decidir se pune os acusados, entre eles a gerente nacional de Segurança, Valquíria Brito. Segundo a denúncia, Valquíria e o ex-vice-presidente Mário Haag teriam usado os serviços da Confederal, empresa que presta segurança à Caixa e é do líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), para instalar escutas na Caixa em 2002.
Mattoso confirmou que soube da denúncia ao assumir, em janeiro de 2003. A Caixa passou a apurar o caso em julho. A auditoria constatou “fortes indícios” de crime e propôs novas apurações. A Sindicância que a seguiu propôs a suspensão dos acusados. O comitê disciplinar, porém, os inocentou.
“O que eu não podia era engavetar. Achei por bem pegar a denúncia e encaminhar”, disse Mattoso.
Além de imagens da suposta instalação dos grampos, a auditoria descobriu que a Confederal recebeu R$ 120.367,91 por serviços extraordinários à Caixa em 2002. Os 5 pagamentos extras contrariam o contrato com a Confederal. “Para fazer um serviço legal, a Caixa teria de ter aditado o contrato, o que não ocorreu”, diz o presidente do Sindicato dos Empregados de Empresas de Segurança e Vigilância do Distrito Federal, Jervalino Rodrigues Bispo, que acusa a Confederal de ter repassado o dinheiro ao esquema.
A cópia das notas revela que a própria Valquíria e seu subordinado, o gerente de Representação de Segurança, Dimas de Souza Júnior, autorizaram o pagamento – inicialmente negado pela gerente. O diretor da Confederal, Ricardo Lopes Augusto, não retornou a ligação para falar sobre o assunto.
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