Instituto apresentou panorama dos estados e Distrito Federal em áreas como saúde, educação e trabalho
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentou nesta quinta-feira, 19, à série de estudos intitulada A situação social nos estados. Os dois primeiros trabalhos apresentados abordarão os casos do Espírito Santo e do Distrito Federal.
Marcio Pochmann, presidente do Ipea, divulgou as informações sobre o Espírito Santo em Vitória (ES), (Instituto Jones dos Santos Neves, Avenida Marechal Mascarenhas de Moraes, 2.524 – Jesus de Nazareth). Em Brasília, o estudo foi apresentado, pelo diretor de Estudos e Políticas Sociais, Jorge Abrahão, na sede do Instituto (SBS, Qd. 1, Bl. J, Edifício BNDES/Ipea, auditório do subsolo).
A publicação A situação social nos estados trata de áreas de interesse das políticas sociais: demografia, previdência social, pobreza e desigualdade, saúde, seguridade, trabalho e renda, educação, cultura, saneamento e habitação.
Nestes e nos demais estudos da série, será possível comparar dados de cada unidade da Federação com as médias regional e nacional e descobrir, por exemplo, como está a evolução do Espírito Santo em relação à renda domiciliar per capita, ao combate à mortalidade infantil, às taxas de homicídio e remuneração do trabalho.
O estudo traz, ainda, um anexo com dados estatísticos de 34 indicadores, para que o leitor possa fazer suas próprias análises sobre a situação dos estados de 2001 a 2009.
Veja os gráficos da apresentação sobre o Situação Social no Distrito Federal
Veja os gráficos da apresentação sobre o Situação Social nos Estados – Espírito Santo
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ipea.gov.br
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DF tem taxa de desemprego superior à média nacional, mostra Ipea
Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A taxa de desemprego na capital federal caiu entre 2001 e 2009, mas os patamares são bastante superiores aos do Centro-Oeste e do Brasil, de acordo com a pesquisa Situação Social Nos Estados, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), divulgada hoje (19), em Brasília. Em 2001, a taxa era 14,1%, tendo caído para 11% em 2009. No Centro-Oeste, o percentual era 8,5% em 2001 e 7,6% em 2009; para o Brasil, o índice ficou em 9,2% e 8,2%, respectivamente.
No quesito qualidade dos postos de trabalho, particularmente no que se refere à remuneração, o Distrito Federal encontra-se em situação favorável em relação às médias nacional e do Centro-Oeste. O rendimento médio do trabalhador no Distrito Federal era R$ 1.815,29 em 2001 (no Brasil, essa média era R$ 1.039,41 e no Centro-Oeste, R$ 1.124,28) e em 2009, passou para R$ 2.245,95, no DF; R$ 1.116,39 (Brasil) e R$ 1.326,09 (Centro-Oeste).
Essa situação de vantagem é reduzida quando se analisa a zona rural. No Distrito Federal, os pesquisadores do Ipea constataram que o rendimento do trabalhador rural era R$ 1.160,01 em 2001 e de R$ 1.013,68 em 2009. Entretanto, mesmo com a queda que sofreram no período, os rendimentos rurais superam bastante seus correlatos nacionais (R$ 488,46 e R$ 625,45) e do Centro-Oeste (R$ 670,80 e R$ 845,11), naqueles anos.
O Distrito Federal tem escolaridade – medida pela média de anos de estudo da população de 15 anos ou mais – superior à do Centro-Oeste e à nacional em todos os anos, de 2001 a 2009. Nessa unidade da Federação, essas médias são 8,2 e 9,6 anos de estudo, enquanto, na região, elas caem para 6,5 e 7,9 anos e, no país ficam em 6,4 e 7,5 anos, respectivamente.
Entretanto, se considerarmos o crescimento de ponta a ponta no período, nota-se que o Distrito Federal teve desempenho (16,9%) inferior ao nacional (18,7%) e ao do Centro-Oeste (20,6%). A população rural do Distrito Federal encontrava-se, em 2009, com escolaridade de 7,2 anos de estudo.
Na questão do analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais, o Ipea verificou que o Distrito Federal também apresenta padrões favoráveis em relação às médias regional e nacional. Em 2001, 5,5% das pessoas do DF eram analfabetas, contra 10,2% da população do Centro-Oeste e 12,4% dos brasileiros. Ao longo da década, a queda do analfabetismo se deu mais intensamente no DF do que na região e no país. Em 2009, os analfabetos compunham 3,4% da população do DF, enquanto no Centro-Oeste e no Brasil, eles representavam 8% e 9,7%, respectivamente.
Outro indicador considerado na pesquisa do Ipea é a taxa de homicídio masculina (número de mortes por 100 mil habitantes), para a faixa etária de 15 a 29 anos. No caso do Brasil, ela caiu de 101,4 em 2001 para 94,3 em 2007. O Distrito Federal também apresenta tendência de queda, apesar de os números serem bem mais elevados (130,1 em 2001 e 120,9 em 2009) que os nacionais e regionais. No Centro-Oeste, esse tipo de violência segue trajetória de ascensão, ainda que em patamares mais baixos que os exibidos no Distrito Federal (89,8 e 96,5, em 2001 e 2007, respectivamente).
Edição: Talita Cavalcante
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Vulnerabilidade social e econômica das famílias se concentra mais na Região Nordeste
Jorge Wamburg
Repórter da Agência Brasil
Brasília – O estudo Vulnerabilidade das Famílias entre 2003 e 2009, que levou em conta a variação de dimensões sociais e econômicas no período, constatou que a vulnerabilidade como um todo se concentra mais fortemente nas áreas rurais, em Alagoas, no Maranhão, Piauí e no interior de estados como o Ceará e Pernambuco.
Divulgado hoje (17) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o estudo leva em conta a capacidade das famílias brasileiras de reagir às dificuldades de dimensão social e econômica. Entre os exemplos citados pelo coordenador do estudo, Bernardo Furtado, na apresentação dos dados, estão a restrição do acesso a oportunidades de maneiras diversas, seja pela qualidade inadequada da habitação em si ou pela sua precária localização, pelo acesso dificultado a uma vaga no mercado de trabalho, pela falta de acesso à educação e ao conhecimento ou ainda pelos efeitos dessa falta de conhecimento na prevenção e profilaxia da saúde.
O índice de vulnerabilidade das famílias foi medido com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGGE) e leva em conta seis dimensões: vulnerabilidade social, acesso ao conhecimento, acesso ao trabalho, escassez de recursos, desenvolvimento infantojuvenil e condições habitacionais.
O índice nacional de vulnerabilidade das famílias brasileiras, em 2009, registrou melhoria de pouco mais de 14% em relação à média de 2003. E, segundo o coordenador do estudo, Bernardo Furtado, mesmo regionalmente, o índice apresentou melhora como um todo.
Ele observou que, no entanto, o Nordeste mantém os maiores valores em termos absolutos, ao passo que a Região Norte apresenta a menor evolução dos indicadores no período. “Em termos de evolução, a Região Norte foi a menos dinâmica em relação às melhorias, talvez pelas distâncias que são grandes, o que gera uma dificuldade de mobilidade e, com isso, há mais dificuldade do gestor público operar”, observou o coordenador.
Na Região Nordeste, o índice de vulnerabilidade teve maior decréscimo no Maranhão (17,7%), seguido da Bahia (16,3%), do Piauí (15,9%), Rio Grande do Norte (14,8%), Ceará (14,5%), de Pernambuco (14,3%), Alagoas (12,8%) e da Paraíba (12,3%).
Outros recortes feitos pela pesquisa, que mostram as diferenças socioeconômicas que, por sua vez, levam ao índice de vulnerabilidade, foram as variações dos itens nas unidades da Federação, nas regiões metropolitanas e não metropolitanas e suas periferias.
Segundo Furtado, os itens relacionados à questão econômica tiveram melhor desempenho, fato que ele atribuiu ao maior acesso ao trabalho registrado nos últimos anos. “Por outro lado, a vulnerabilidade social foi o indicador que menos reduziu na Região Norte”, disse. Para ele, o Norte chama a atenção pela baixa evolução dos indicadores, mas uma possível explicação e, certamente, um indicador importante para o gestor público, é o fato de outra pesquisa do IBGE ter apontado que as regiões Norte e Centro-Oeste cresceram mais do que a média nacional nos últimos anos. “O que significa que, ganhando mais população, essas regiões têm mais dificuldade de oferecer serviço público de mais qualidade e universal.”
O coordenador também apontou a questão da urbanidade como um fator ligado à análise da vulnerabilidade. De acordo com Furtado, há regiões da periferia das cidades em que a vulnerabilidade é menor que do que a vulnerabilidade da área rural. “O gestor tem que ver que ênfase vai dar a esses dados. E, especialmente em relação aos itens acesso ao conhecimento e vulnerabiliade infantojuvenil, no Brasil como um todo, haveria que ter mais cuidado na elaboração de políticas públicas”.
No geral, na análise de Furtado, o resultado do índice nacional e também dos índices regionais foi bom. “É um índice razoável. Em algumas dimensões, os índices melhoraram muito, como a renda das famílias, o acesso ao trabalho. O acesso ao conhecimento também melhorou, mas não melhorou de forma tão rápida e significativa quanto os outros. Tudo isso precisa ser levado em conta”.
Edição: Lana Cristina
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://agenciabrasil.ebc.com.br