Valor – Sérgio Bueno, De Porto Alegre
A evolução lenta na concessão de empréstimos consignados em folha de pagamento para os trabalhadores da iniciativa privada, autorizados pelo governo federal em setembro de 2003 com a Medida Provisória 130, é responsabilidade do próprio sistema financeiro, que ainda não aprendeu a abordar adequadamente este segmento de público.
A avaliação é do presidente do Santander Banespa, Gabriel Jaramillo, para quem o setor se comunica de forma elitista e não está “posicionado” para atender as “grandes massas”.
“O elemento principal é a comunicação e ainda não estamos nos comunicando bem”, reconheceu o executivo. Segundo ele, mesmo a propaganda paga feita pelo setor apresenta apenas “pessoas bonitas”, com as quais o tomador de crédito consignado não necessariamente se identifica. “Nós falamos em spreads e em juros, enquanto essas pessoas falam em parcelas.”
Pioneiro na assinatura de convênios com as centrais sindicais logo após a edição da MP, o Santander tem uma carteira de créditos em consignação da ordem de R$ 40 milhões, com empréstimos médios reduzidos, de até R$ 300, disse Jaramillo. Os prazos são de até 48 meses e as taxas de juros, de 1,75% a 3,6%. Ele se diz “otimista” e não frustrado com o desempenho do segmento, mas acredita que será necessário ainda algum tempo para a consolidação deste tipo de operação no país.
O executivo não especifica as metas de expansão do crédito consignado no Santander, apenas que a intenção é chegar “ao máximo possível” de pessoas. Segundo ele, o banco conta com a ajuda dos sindicatos na divulgação do produto e já colocou “barracas” e unidades volantes em frente a fábricas em São Paulo para oferecer os financiamentos aos trabalhadores. “Estamos aprendendo”, falou.
Os empréstimos com desconto em folha serão também um dos mecanismos que o banco pretende usar para “turbinar” sua penetração no mercado brasileiro, disse Jaramillo. Junto com o aumento da eficiência e da concorrência, a ampliação da base de pequenas operações faz parte da estratégia do Santander para atuar em um ambiente de juros baixos, se for mantida a tendência de redução das taxas no país, explicou o executivo.
Jaramillo acredita que a demanda das pessoas físicas por crédito tende a crescer em 2004 na esteira da expansão do Produto Interno Bruto (PIB), estimada por ele em 4%. O presidente não revela a previsão de aumento da carteira, mas garante que o banco terá recursos suficientes para atender a procura. Em 2003, o total de empréstimos do Santander neste segmento fechou em R$ 3,1 bilhões, ante R$ 2,5 bilhões no ano anterior. O executivo também prometeu elevar para R$ 1,5 bilhão este ano, ante R$ 1,28 bilhão em 2003, o volume de recursos para financiar a agricultura. “Deste total, 60% serão destinados aos pequenos agricultores”.
Conforme Jaramillo, embora tenha recuado 38% sobre o exercício anterior, o lucro líquido do banco de quase R$ 1,75 bilhão em 2003 foi “muito bom” e ficou dentro das projeções. “Em 2002 tivemos ganhos extraordinários (com valorização da carteira de títulos e redução nas despesas com pessoal)”, explicou.
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Por Mhais• 13 de fevereiro de 2004• 11:42• Sem categoria
LENTIDÃO É CULPA DO PRÓPRIO SISTEMA FINANCEIRO, DIZ SANTANDER
Valor – Sérgio Bueno, De Porto Alegre
A evolução lenta na concessão de empréstimos consignados em folha de pagamento para os trabalhadores da iniciativa privada, autorizados pelo governo federal em setembro de 2003 com a Medida Provisória 130, é responsabilidade do próprio sistema financeiro, que ainda não aprendeu a abordar adequadamente este segmento de público.
A avaliação é do presidente do Santander Banespa, Gabriel Jaramillo, para quem o setor se comunica de forma elitista e não está “posicionado” para atender as “grandes massas”.
“O elemento principal é a comunicação e ainda não estamos nos comunicando bem”, reconheceu o executivo. Segundo ele, mesmo a propaganda paga feita pelo setor apresenta apenas “pessoas bonitas”, com as quais o tomador de crédito consignado não necessariamente se identifica. “Nós falamos em spreads e em juros, enquanto essas pessoas falam em parcelas.”
Pioneiro na assinatura de convênios com as centrais sindicais logo após a edição da MP, o Santander tem uma carteira de créditos em consignação da ordem de R$ 40 milhões, com empréstimos médios reduzidos, de até R$ 300, disse Jaramillo. Os prazos são de até 48 meses e as taxas de juros, de 1,75% a 3,6%. Ele se diz “otimista” e não frustrado com o desempenho do segmento, mas acredita que será necessário ainda algum tempo para a consolidação deste tipo de operação no país.
O executivo não especifica as metas de expansão do crédito consignado no Santander, apenas que a intenção é chegar “ao máximo possível” de pessoas. Segundo ele, o banco conta com a ajuda dos sindicatos na divulgação do produto e já colocou “barracas” e unidades volantes em frente a fábricas em São Paulo para oferecer os financiamentos aos trabalhadores. “Estamos aprendendo”, falou.
Os empréstimos com desconto em folha serão também um dos mecanismos que o banco pretende usar para “turbinar” sua penetração no mercado brasileiro, disse Jaramillo. Junto com o aumento da eficiência e da concorrência, a ampliação da base de pequenas operações faz parte da estratégia do Santander para atuar em um ambiente de juros baixos, se for mantida a tendência de redução das taxas no país, explicou o executivo.
Jaramillo acredita que a demanda das pessoas físicas por crédito tende a crescer em 2004 na esteira da expansão do Produto Interno Bruto (PIB), estimada por ele em 4%. O presidente não revela a previsão de aumento da carteira, mas garante que o banco terá recursos suficientes para atender a procura. Em 2003, o total de empréstimos do Santander neste segmento fechou em R$ 3,1 bilhões, ante R$ 2,5 bilhões no ano anterior. O executivo também prometeu elevar para R$ 1,5 bilhão este ano, ante R$ 1,28 bilhão em 2003, o volume de recursos para financiar a agricultura. “Deste total, 60% serão destinados aos pequenos agricultores”.
Conforme Jaramillo, embora tenha recuado 38% sobre o exercício anterior, o lucro líquido do banco de quase R$ 1,75 bilhão em 2003 foi “muito bom” e ficou dentro das projeções. “Em 2002 tivemos ganhos extraordinários (com valorização da carteira de títulos e redução nas despesas com pessoal)”, explicou.
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