Dez maiores bancos têm céu de brigadeiro ao lucrarem acima dos R$ 17 bilhões
São Paulo – São três anos consecutivos de aumento real, mas merecemos muito mais. A mobilização dos bancários, desde 2004, garantiu reajustes salariais que repuseram a inflação e ainda elevaram, apesar de pouco, os salários. No entanto, esses valores, comparados ao crescimento vertiginoso do lucro dos bancos (veja abaixo), são muito pequenos.
A gente vale mais, diz o mote da nossa campanha. E os banqueiros podem pagar muito mais. Só no primeiro semestre de 2007, o lucro dos dez maiores bancos chegou à casa dos R$ 17,2 bi, aumento de 18,2% em relação ao mesmo período do ano passado.
Nesta quarta, dia 5, começam os debates entre o Comando Nacional dos Bancários e a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) do segundo bloco de reivindicações que abrange todas as cláusulas econômicas: reajuste salarial, PLR, 14º salário, pisos, remuneração variável, os valores dos vales refeição e alimentação, auxílio-creche, além do auxílio-educação e da 13ª cesta – cláusulas novas que deveriam ter sido debatidas na semana passada, mas que os negociadores da Fenaban remeteram para essa rodada de negociação.
Reajuste – O aumento reivindicado na Campanha Nacional 2007 é de 10,3%, que compreende a reposição total da inflação e aumento real de 5,5%. Esse reajuste deve valer para todos os salários e demais verbas de natureza salarial, como os tíquetes. Os bancários querem também vale-alimentação e auxílio-creche de R$ 380, valor mais de acordo com a realidade dos custos.
O presidente do Sindicato, Luiz Cláudio Marcolino, lembra que, se nos últimos anos a organização e mobilização dos bancários rendeu frutos, esse ano não pode ser diferente. “A categoria bancária está de parabéns. Nos últimos anos conseguimos subverter a lógica dos banqueiros, que queriam dar reajustes sempre abaixo da inflação que só fizeram derrubar o poder de compra da categoria”, avalia o presidente. “Mudamos essa tendência e agora temos que lutar para conseguir reajustes melhores nos salários, participação maior nos lucros, à altura do trabalho realizado pelos bancários para que os bancos alcancem os fantásticos resultados que, mais uma vez, se apresentam nesse ano”, completa Marcolino.
Soma dos lucros líquidos nos 10 maiores bancos do país
Ano
Em bilhões de Reais
2002
12,9
2003
13,8
2004
16,4
2005
24,1
2006
28,9
2007*
17,2*
*Primeiro semestre
Elaboração: Dieese – Subseção Sese/Seeb-SP
Por Cláudia Motta – 04/09/2007
============================================
Proposta dos bancários torna PLR mais justa
Dois salários mais valor adicional de R$ 3.500 é a reivindicação dos trabalhadores
São Paulo – Desde que foi conquistada na campanha de 1995, a Participação nos Lucros e Resultados (PLR) tem correspondido a uma parcela cada vez mais significativa no orçamento anual da categoria. Isso porque, em função da organização e luta dos trabalhadores, a PLR aumenta a cada ano, com alterações no percentual do salário – era de 72% em 1995 e atingiu a 80% em 2006 –, na parcela fixa – que dos R$ 200 em 95 chegou a R$ 828 em 2006 – e nas elevações dos tetos.
Esse formato, no entanto, não atende mais às necessidades dos trabalhadores. Com a alta escalada dos lucros dos bancos (veja matéria da capa), o que as instituições financeiras destinam para a distribuição da PLR em termos percentuais é cada vez menor. Isso é explicado em função de a regra atual determinar que as empresas devem destinar no mínimo 5% e no máximo 15% do lucro líquido para a PLR. E quando o montante distribuído for inferior aos 5%, tem de ser majorado até chegar ao percentual ou atingir dois salários.
Com isso Itaú e Bradesco, por exemplo, já pagam os dois salários de PLR. Unibanco e Real ABN também estão bem próximos disso, uma tendência seguida por praticamente todos os bancos.
Mudanças – As alterações na PLR começaram a ocorrer mais decisivamente na campanha nacional de 2006 quando além da parcela fixa e do percentual do salário, foi conquistado valor adicional entre R$ 1.000 e R$ 1.500 pago além da regra, acima do teto e sem desconto dos programas próprios.
A reivindicação deste ano é que a PLR seja de dois salários mais o valor adicional de R$ 3.500 para todos, inclusive bancos públicos. Além disso, não deve ocorrer o desconto dos programas próprios.
Veja na tabela abaixo como fica a PLR de 2007 comparada à de 2006 a partir de simulações com o Itaú e o Bradesco.
Participação nos Lucros e Resultados de 2006 – Em R$
Faixas salariais
Itaú*
Bradesco**
Proposta para 2007
1.000
3.500
3.253
5.500
1.500
4.500
4.253
6.500
2.000
5.500
5.253
6.500
2.500
6.500
6.253
8.500
3.000
7.500
7.253
9.500
3.500
8.500
8.253
10.500
4.000
9.500
9.253
11.500
4.500
10.500
10.253
12.500
5.000
11.500
11.253
13.500
5.500***
12.492
12.245
14.500
6.000***
12.492
12.245
15.500
* Itaú pagou 02 salários mais R$ 1.500
** Bradesco pagou 02 salários mais R$ 1.253
***Pela regra da PLR conquistada em 2006 o teto era de R$ 10.992. A partir daí era acrescido o valor adicional entre R$ 1.000 e R$ 1.500.
Elaboração: Dieese – Subseção Sese/Seeb-SP
Por Jair Rosa – 04/09/2007.
============================================
Programa interno não tem de ser descontado da PLR
Bancos se utilizam do expediente para tentar desmobilizar categoria durante a campanha nacional
São Paulo – Em agosto, milhares de bancários tiveram antecipação do pagamento dos programas internos de remuneração. No Unibanco os bancários receberam a Remuneração por Resultados (RR) e o Programa de Remuneração Unibanco (PRU). No Real ABN houve o Programa de Participação nos Resultados (PPR). Já o Itaú fez a distribuição da Ação Gerencial Itaú para Resultados (Agir).
Esses pagamentos não acontecem por acaso, pois nessa época começam a afunilar os debates em torno da renovação do acordo coletivo. Assim, o crédito é feito para tentar “acalmar” a categoria com o objetivo de inibir a sua participação na campanha nacional. Isso sem contar que esses pagamentos funcionam como uma espécie de antecipação da Participação nos Lucros e Resultados, pois os bancos acabam descontando o que pagam nos programas internos da PLR. Ou seja, pagam os programas próprios, descontam da PLR e, assim, o que é negociado durante a campanha salarial acaba valendo para poucos bancários.
O Sindicato insiste para que os bancários recebam pelos dois, uma vez que os programas internos são baseados em performance das agências e nas metas, entre outros indicadores. E a PLR da categoria é distribuída a partir do lucro apurado pelo banco durante o ano.
Por Jair Rosa – 04/09/2007.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.