A Caixa Econômica Federal lucrou R$ 699,579 milhões no primeiro trimestre de 2006, resultado 47,31% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado é de 34%. Pesaram favoravelmente a ampliação das receitas de crédito e com títulos públicos, além de um menor volume de provisões. Paulo Giandalia/Valor
Dorneles, da Caixa: “Não avaliamos estar havendo deterioração generalizada da inadimplência porque são casos localizados”
O dado negativo do balanço da Caixa é o aumento dos índices de inadimplência, sobretudo nos financiamentos habitacionais. A inadimplência no crédito para habitação chegou a 6,89% no primeiro trimestre, ante 2,16% no mesmo período de 2005, usando como critério as operações com atraso superior a 60 dias; já os créditos com atraso há mais de 30 dias subiriam de 12% para 14,7% nos mesmos períodos.
Também houve ligeira deterioração na carteira de crédito comercial, cuja inadimplência subiu de 4,77% para 6,89%, considerando as operações com atraso de mais de 60 dias; se o parâmetro for operações com atraso superior a 30 dias, a inadimplência subiu de 9,17% para 10,1%.
O vice-presidente de controladoria da Caixa, João Dorneles, explicou que o aumento da inadimplência foi sentido por vários bancos do sistema. “Não avaliamos que está havendo deterioração generalizada da inadimplência porque os casos são muito localizados”, disse. “Estamos tomando as medidas para reverter essa alta, incluindo o reforço na cobrança.” De olho na inadimplência, a Caixa suspendeu empréstimos do Construcard em algumas regiões.
Apesar do aumento da inadimplência, a despesa com provisões somou só R$ 14 milhões no trimestre. É que, ao mesmo tempo em que a Caixa reforçou a provisão em R$ 400 milhões, também houve um movimento de reversão de provisões, que haviam sido feitas, por conservadorismo, para cobrir eventuais perdas em um conjunto de operações cuja análise não estava completa ainda.
As receitas de operações de crédito subiram 31,5%, sempre na comparação dos primeiros trimestres de 2005 e 2006, para R$ 2,083 bilhões. Esse crescimento se deve primordialmente à expansão da carteira de crédito, de 26,3%. O crédito a pessoas jurídicas subiu mais fortemente – 54% -, para R$ 5,199 bilhões.
“A Caixa tradicionalmente sempre foi tímida no crédito a pessoa jurídica, e agora começou a trabalhar mais fortemente nesse segmento”, disse Dorneles. Antes, o foco era empresa de menor porte, com faturamento de até R$ 7 milhões, e partir de 2005 o alvo foi ampliado para empresas com faturamento até R$ 25 milhões. No segmento de pessoas jurídicas, a linha de crédito que mais cresceu foi o capital de giro, de R$ 2,284 bilhões para R$ 3,950 bilhões.
Entre as pessoas físicas, também houve expansão, mas em velocidade menor. A carteira se expandiu 8,78%, para R$ 5,250 bilhões. Os destaques positivos foram o cartão de crédito e o cheque especial. Mas houve redução no crédito consignado, de R$ 1,519 bilhão para R$ 1,229 bilhão. “Grandes bancos entraram nesse mercado no ano passado, o que aumentou bastante a competição.”
Desde 2001, quando recebeu injeção de capital pelo Tesouro, a Caixa tem procurado ampliar a participação do crédito nos seus ativos totais, reduzindo a participação de títulos públicos. Os dados do balanço mostram que a participação relativa dos créditos está subindo, mas a de títulos, também. A participação dos créditos nos ativos subiu de 19,98% para 20,86% entre março de 2005 e de 2006. A aplicação em títulos cresceu de 48% para 49,9% no período.
Com carteira de títulos de R$ 94,614 bilhões, a Caixa teve receita de R$ 4,229 bilhões em operações com títulos e valores mobiliários, 37% maior que 2005. As receitas de prestação de serviços cresceram 15,79%, enquanto as despesas com pessoal subiram 24,55%. Em 30 de abril, a Caixa pagou R$ 426 milhões a título de antecipação de dividendos de 2006, considerando a projeção de um lucro de R$ 2,101 bilhões esperados para este ano. A prática de antecipar dividendos não é nova, e foi adotada em 2005.
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 18 de maio de 2006• 09:46• Sem categoria
Lucro da Caixa sobe 47,3% no 1º trimestre
A Caixa Econômica Federal lucrou R$ 699,579 milhões no primeiro trimestre de 2006, resultado 47,31% maior do que o obtido no mesmo período do ano passado. O retorno sobre o patrimônio líquido médio anualizado é de 34%. Pesaram favoravelmente a ampliação das receitas de crédito e com títulos públicos, além de um menor volume de provisões. Paulo Giandalia/Valor
Dorneles, da Caixa: “Não avaliamos estar havendo deterioração generalizada da inadimplência porque são casos localizados”
O dado negativo do balanço da Caixa é o aumento dos índices de inadimplência, sobretudo nos financiamentos habitacionais. A inadimplência no crédito para habitação chegou a 6,89% no primeiro trimestre, ante 2,16% no mesmo período de 2005, usando como critério as operações com atraso superior a 60 dias; já os créditos com atraso há mais de 30 dias subiriam de 12% para 14,7% nos mesmos períodos.
Também houve ligeira deterioração na carteira de crédito comercial, cuja inadimplência subiu de 4,77% para 6,89%, considerando as operações com atraso de mais de 60 dias; se o parâmetro for operações com atraso superior a 30 dias, a inadimplência subiu de 9,17% para 10,1%.
O vice-presidente de controladoria da Caixa, João Dorneles, explicou que o aumento da inadimplência foi sentido por vários bancos do sistema. “Não avaliamos que está havendo deterioração generalizada da inadimplência porque os casos são muito localizados”, disse. “Estamos tomando as medidas para reverter essa alta, incluindo o reforço na cobrança.” De olho na inadimplência, a Caixa suspendeu empréstimos do Construcard em algumas regiões.
Apesar do aumento da inadimplência, a despesa com provisões somou só R$ 14 milhões no trimestre. É que, ao mesmo tempo em que a Caixa reforçou a provisão em R$ 400 milhões, também houve um movimento de reversão de provisões, que haviam sido feitas, por conservadorismo, para cobrir eventuais perdas em um conjunto de operações cuja análise não estava completa ainda.
As receitas de operações de crédito subiram 31,5%, sempre na comparação dos primeiros trimestres de 2005 e 2006, para R$ 2,083 bilhões. Esse crescimento se deve primordialmente à expansão da carteira de crédito, de 26,3%. O crédito a pessoas jurídicas subiu mais fortemente – 54% -, para R$ 5,199 bilhões.
“A Caixa tradicionalmente sempre foi tímida no crédito a pessoa jurídica, e agora começou a trabalhar mais fortemente nesse segmento”, disse Dorneles. Antes, o foco era empresa de menor porte, com faturamento de até R$ 7 milhões, e partir de 2005 o alvo foi ampliado para empresas com faturamento até R$ 25 milhões. No segmento de pessoas jurídicas, a linha de crédito que mais cresceu foi o capital de giro, de R$ 2,284 bilhões para R$ 3,950 bilhões.
Entre as pessoas físicas, também houve expansão, mas em velocidade menor. A carteira se expandiu 8,78%, para R$ 5,250 bilhões. Os destaques positivos foram o cartão de crédito e o cheque especial. Mas houve redução no crédito consignado, de R$ 1,519 bilhão para R$ 1,229 bilhão. “Grandes bancos entraram nesse mercado no ano passado, o que aumentou bastante a competição.”
Desde 2001, quando recebeu injeção de capital pelo Tesouro, a Caixa tem procurado ampliar a participação do crédito nos seus ativos totais, reduzindo a participação de títulos públicos. Os dados do balanço mostram que a participação relativa dos créditos está subindo, mas a de títulos, também. A participação dos créditos nos ativos subiu de 19,98% para 20,86% entre março de 2005 e de 2006. A aplicação em títulos cresceu de 48% para 49,9% no período.
Com carteira de títulos de R$ 94,614 bilhões, a Caixa teve receita de R$ 4,229 bilhões em operações com títulos e valores mobiliários, 37% maior que 2005. As receitas de prestação de serviços cresceram 15,79%, enquanto as despesas com pessoal subiram 24,55%. Em 30 de abril, a Caixa pagou R$ 426 milhões a título de antecipação de dividendos de 2006, considerando a projeção de um lucro de R$ 2,101 bilhões esperados para este ano. A prática de antecipar dividendos não é nova, e foi adotada em 2005.
Fonte: Valor Econômico
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