O lucro dos quatro grandes bancos brasileiros que já divulgaram balanço -Bradesco, Itaú, Banespa e Unibanco- totalizou R$ 6,9 bilhões de janeiro a setembro deste ano. O resultado é 10,7% maior do que o acumulado em igual período do ano passado, de acordo com levantamento feito pela ABM Consulting.
O maior dinamismo da economia impulsionou o ganho dos bancos gerando maior movimentação bancária -e receitas com tarifas- e alavancando as operações de crédito. A carteira de empréstimos dos quatro bancos cresceu 21,4%, saltando de R$ 124,4 bilhões em setembro de 2003 para R$ 151 bilhões em setembro passado.
“Os bancos estão ganhando escala na área de crédito, o que deve permitir uma queda das taxas de juros no longo prazo”, diz Gustavo Pedreira, analista financeiro da ABM Consulting. Segundo ele, esse processo já começou, mas depende da continuidade da queda da taxa básica, a Selic.
“A queda da Selic, desde o ano passado até agosto deste ano, foi acompanhada por um recuo dos juros na ponta do sistema bancário”, diz.
Os juros médios cobrados nas operações de crédito à pessoa física caíram de 81% ao ano, nos primeiros nove meses de 2003, para 63,3% em igual período deste ano. Nos financiamentos para pessoa jurídica, as taxas recuaram de 37,2% ao ano em 2003 para 29,9% neste ano.
São, ainda, taxas enormes que garantem aos bancos brasileiros uma elevada rentabilidade. A rentabilidade média sobre o patrimônio líqüido, anualizada, dos quatro bancos, foi de 21,9% ao final do terceiro trimestre deste ano. Nos EUA, por exemplo, é de 14% ao ano, em média.
Pedreira diz que há uma forte correlação entre taxa de juros e volume de crédito. “Quando os juros caem, aumentam as carteiras de crédito e os bancos ganham no volume”, observa.
Rentabilidade
Segundo dados da ABM, houve uma pequena queda da rentabilidade das quatro instituições em relação a setembro de 2003, quando chegou a 23,1%. “Essa diferença deve-se ao Banespa, que, desde 2001 até 2003, vinha apresentando ganhos excepcionais, resultado da reestruturação pós-privatização”, explica Pedreira.
Agora, segundo ele, o Banespa está voltando aos parâmetros da média do sistema bancário. A rentabilidade sobre o patrimônio líqüido do Banespa caiu de 37,9% em setembro de 2003 para 28,4% em setembro deste ano -bem próxima à do Bradesco (27,2%).
O levantamento da ABM Consulting mostra que houve também aumento da margem financeira dos quatro bancos. A margem financeira é o total das receitas menos as despesas, excluídas as provisões para crédito de liqüidação duvidosa. A margem financeira desses bancos foi de R$ 21,5 bilhões até setembro deste ano. Em igual período do ano passado, totalizou R$ 20,4 bilhões.
Tarifas
Outro fator que impulsionou o lucro dos bancos neste ano foi a receita com prestação de serviços (tarifas bancárias). “Tanto que todos os quatro bancos já cobrem suas despesas com pessoal com as receitas provenientes de tarifas”, diz Pedreira. A relação receitas de serviços/gastos com pessoal cresceu de 120,1%, em 2003 para 141,1% neste ano. Significa que essas receitas pagam a folha de salários e ainda sobra 41% no caixa.
Até o ano passado, o Bradesco e o Banespa não conseguiam cobrir suas despesas de pessoal com as receitas de tarifas. Em setembro de 2003, as tarifas representavam 93,3% dos gastos com salários do Bradesco e 66% dos do Banespa.
No total, os quatro bancos faturaram R$ 12 bilhões com tarifas nos primeiros nove meses deste ano. Essa receita foi 24,8% maior do que a verificada em igual período do ano passado.
Fonte: Folha de São Paulo – Sandra Balbi
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