Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse hoje (10) que o Estado deve privilegiar as ações voltadas às classes mais pobres do país. Para Lula, os ricos não precisam do Estado. As declarações foram dadas durante cerimônia de assinatura para obras da Ferrovia de Integração Oeste-Leste.
“Dê a um pobre R$ 10 que ele vira consumidor, dê a um outro cidadão [rico] R$ 1 milhão que ele vira especulador. Essa é a diferença básica do crescimento econômico desse país”, discursou Lula em Ilhéus na Bahia.
“As pessoas pensam que o Lula só cuida de pobres, o Bolsa Família é para pobre, o Luz para Todos é para Pobre. Primeiro que o Estado é para cuidar dos pobres, os ricos não precisam do Estado. Quem precisa do Estado é a parte mais pobre do país”.
Segundo Lula, os dados divulgados ontem (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o país poderá crescer entre 8,4% e 8,5% neste ano, mas isso só valerá a pena se houver distribuição de renda. “Não basta crescer. Junto do crescimento a gente tem que ter uma política de distribuição de renda, melhorar a vida daqueles que mais precisam e a gente sabe que essa cominação é possível”.
De acordo com o Ministério dos Transportes, o trecho entre Ilhéus e Caetité terá 537 quilômetros de extensão com investimento de R$ 2,4 bilhões. O primeiro trecho tem entrega prevista para dezembro de 2012. Outro trecho da ferrovia, Caetité-Barreiras-São Desidério (BA), tem previsão de entrega dos seus 485 quilômetros para dezembro de 2013.
O empreendimento integra o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e ligará as cidades baianas de Ilhéus, Caetité e Barreiras a Figueirópolis, no Tocantins.
Por Ivan Richard – Repórter da Agência Brasil. Edição: Rivadavia Severo.
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Lula diz que deixa governo com dívida por não ter reduzido preço do gás de cozinha
Brasília – Ao participar hoje (9) pela primeira vez de um balanço do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que irá deixar o governo com uma dívida: a de não ter conseguido reduzir o preço do gás de cozinha.
“Vou sair com uma dívida. Desde 2004 que queríamos reduzir o preço do gás de cozinha e o dado concreto é que vou sair do governo sem reduzir o preço. Espero que a Dilma [presidenta eleita, Dilma Rousseff] tenha mais força para fazer isso do que eu tive”, afirmou a discursar.
Após ter assistido ao balanço feito pela coordenadora-geral do PAC, Miriam Belchior, o presidente Lula afirmou que a evolução do programa mostra o resultado de um desafio imposto ao governo pelo próprio governo. “Esse é o resultado de um desafio que ninguém impôs a nós. É um desafio que nós mesmos nos fizemos”, afirmou.
Por Yara Aquino, Daniel Lima e Pedro Peduzzi – Repórteres da Agência Brasil. Edição: Talita Cavalcante.
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Líder do PT diz que Lula pediu a parlamentares alternativa para financiar a saúde
Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou hoje (9) que é preciso encontrar uma forma de financiar a saúde. Em café da manhã com a bancada do PT no Congresso, ele lamentou a derrubada da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira (CPMF) e fez um balanço da relação entre o Parlamento e seu governo. Segundo o líder do PT na Câmara, deputado Fernando Ferro (PE), Lula pediu maior articulação dos partidos da base governista na gestão da presidenta eleita, Dilma Rousseff.
“O presidente disse que tem mágoas do Senado por causa da CPMF e afirmou que é preciso encontrar uma forma de financiar a saúde”, disse o deputado. Ele afirmou que Lula, no entanto, não apontou qual poderia ser a alternativa para aumentar investimentos na área.
O presidente também pediu que, durante a gestão de Dilma, deputados e senadores não deixem a oposição sem resposta. “Lula disse que não era permitido a essa bancada ficar ausente”, afirmou o líder do PT na Câmara.
Por Yara Aquino – Repórter da Agência Brasil. Edição: Talita Cavalcante.
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Ministro homenageia militante morto pela ditadura militar e aponta avanços nos direitos humanos
Rio de Janeiro – O país registrou importantes avanços na área dos direitos humanos durante os oito anos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A avaliação é do ministro Paulo Vannuchi, da Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República. Ele participou hoje (9) de uma homenagem ao militante Stuart Angel Jones, morto em 1971 pela ditadura militar.
“O presidente Lula elevou à categoria de ministério a área de direitos humanos e pouquíssimos países têm este status. Os recursos, ao longo da minha gestão, triplicaram e a estrutura humana mais que dobrou. Das 70 conferências nacionais realizadas, 12 são relacionadas aos direitos humanos. O saldo é extraordinário”, afirmou Vannuchi.
O ministro também ressaltou a implementação das ações de resgate histórico das lutas políticas e de reparações individuais às vítimas da ditadura militar. “Lançamos o livro-relatório Direito à memória e à verdade e criamos o projeto Memórias reveladas. No PNDH 3 [Programa Nacional de Direitos Humanos 3], a principal proposta, de criação da Comissão Nacional da Verdade, já foi concretizada em projeto de lei entregue ao Legislativo”, detalhou Vannuchi.
O ministro considerou normais eventuais críticas de organizações de direitos humanos, cobrando mais resultados. “Um governo democrático tem que ter serenidade para ouvir tudo o que a sociedade civil tem a dizer. Em direitos humanos, temos avanços notáveis nossos e avanços anteriores, do governo Fernando Henrique Cardoso. Mas tudo o que se avançou ainda é muito pouco perto do que é preciso avançar.”
Ex-militante de organizações de esquerda durante a ditadura militar, o ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), Franklin Martins, também participou da homenagem a Stuart Angel. Em discurso de improviso e muito emocionado, Franklin lembrou a trajetória dos militantes que lutaram abertamente contra o regime militar, inclusive através de ações armadas.
“Estamos celebrando aqui a memória de todos aqueles que lutaram e caíram. Fizemos parte de uma juventude que errou. Os que não lutaram nos cobram os erros, os que lutaram pela metade nos cobram os erros, os que esperaram a ditadura acabar nos cobram os erros. Mas essa juventude maravilhosa não errou em duas coisas: não apoiou a ditadura e não ficou esperando o carnaval chegar para dizer que tinha lutado contra a ditadura”, afirmou Franklin.
Entre os convidados também estava Cid Benjamin, um dos organizadores do sequestro do embaixador americano Charles Elbrick, em 1969. “Um país que não conhece o seu passado está fadado a repetir os erros. Onde estão os desaparecidos, onde estão seus corpos? Isso são perguntas que têm de ser feitas, principalmente para que a sociedade tome consciência da barbaridade que foi perpetrada e crie anticorpos para que isso não se repita”, afirmou Benjamin.
A irmã de Stuart Angel, Hildegard Angel, descerrou a placa em homenagem ao militante e disse que o ato se estendia a todos aqueles que lutaram, foram presos, torturados e mortos pela ditadura militar. “É uma homenagem a todos, porque há muitos outros que tiveram a mesma luta e também merecem monumentos. O Stuart foi um deles. O meu empenho é para que essa história não se repita”, disse Hildegard.
Segundo denúncias, Stuart Angel morreu em 14 de maio de 1971, após sessões de tortura e de ter sido arrastado preso a um jipe da Aeronáutica. Estudante de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele era militante do Movimento Revolucionário 8 de Outubro (MR-8). Ele foi remador do Clube de Regatas Flamengo. Por isso, a sede do clube foi escolhida para homenageá-lo. No local, foi inaugurado o Memorial Stuart Angel.
Por Vladimir Platonow – Repórter da Agência Brasil. Edição: João Carlos Rodrigues.
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