Brasília – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva coordena, na próxima segunda-feira (13), a segunda reunião ministerial do ano. Em pauta, estará o marco regulatório da exploração de petróleo na região do pré-sal e a crise financeira mundial.
No final de junho, o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, havia feito a previsão de que o projeto do marco regulatório do pré-sal seria enviado ao Congresso Nacional em agosto.
A reunião de Lula com os ministros deve ser realizado na residência oficial do presidente, na Granja do Torto. A última reunião ministerial ocorreu em 2 de fevereiro, ocasião em que a crise econômica mundial foi o tema das discussões. O primeiro encontro, para tratar do mesmo tema, ocorreu em novembro de 2008.
Por Carolina Pimentel – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
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BNDES e Petrobras trabalham em parceria para fortalecer cadeia produtiva do petróleo
Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) está trabalhando em parceria com a Petrobras para fortalecer a cadeia produtiva de petróleo e gás no país, informou hoje (9) o presidente do banco, Luciano Coutinho.
“Nós estamos apoiando a construção de estaleiros, apoiando diretamente, ou via Fundo de Marinha Mercante, a construção de embarcações no Brasil. Tudo isso está crescendo”. Coutinho disse que o BNDES está trabalhando também em conjunto com o setor de bens de capital e serviços de engenharia com o mesmo objetivo.
“A gente sabe que o Brasil não pode apenas ambicionar ser uma economia petroleira que importa tudo, como é a maioria dos casos das economias petroleiras. O Brasil tem uma base manufatureira, uma base de serviços e de competência em engenharia que lhe permitem, além de ser um grande produtor de petróleo, também ser um grande exportador de serviços e equipamentos para a cadeia produtiva do petróleo”, afirmou.
Coutinho afirmou que esse trabalho terá um efeito dinamizador sobre a estrutura manufatureira do país. “E nós temos que nos empenhar muito nisso. É um processo que realimenta a economia e cria novas oportunidades”, concluiu.
Por Alana Gandra – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
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A oposição e a CPI da Petrobras
O governo decidiu aceitar a instalação da CPI da Petrobras. Poderia tê-lo feito antes, uma vez que dispõe de maioria no Senado. Agira com prudência, ao tentar impedi-la, porque a Petrobras – a maior empresa brasileira, e uma das maiores do mundo – tem as suas ações negociadas nas bolsas internacionais, e qualquer suspeita sobre suas atividades lhe acarretará danos. Duas devem ter sido as razões principais que orientaram o Planalto a solicitar a instalação do colégio investigador. Diante da crise na Câmara Alta, é melhor que a instituição saia do círculo de giz, e passe a atuar, ainda que por iniciativa da oposição e contra o próprio governo, e o presidente confia na lisura das atividades da empresa. Além disso, as principais figuras da oposição se encontram enodoadas com os escândalos. Se o Senado se encontra desmoralizado diante da opinião pública – e é inegável que assim está – situação e oposição se acham sob a mesma tacha. Escapam, como tantos já constataram, algumas poucas ovelhas, em rebanho enegrecido pelas cinzas da corrupção. As circunstâncias fecham com escolhos o trajeto da CPI. Dificilmente as suas sessões serão acompanhadas pelo interesse da cidadania, cansada dos mesmos comediantes de sempre.
A Petrobras, com todos os seus êxitos, vale mais como símbolo da obstinação brasileira do que pelos seus resultados econômicos, por maiores eles sejam. Suas imensas receitas, que nos ajudaram a vencer as duras dificuldades do subdesenvolvimento, revelam a inteligência de nossos geólogos, engenheiros de minas, engenheiros mecânicos e trabalhadores comuns. Essa massa de pesquisadores e inventores não se reuniria, sem que a precedessem os atos políticos de brasileiros comuns, entre eles intelectuais e jornalistas, como Monteiro Lobato, Gondim da Fonseca, Domingos Velasco e Mattos Pimenta, Joel Silveira, Barbosa Lima, Oscar Niemeyer e muitos outros.
Os mais jovens não sabem o que é um povo sem petróleo. Durante muito tempo comprávamos, dos Estados Unidos, a gasolina a conta-gotas, e mantínhamos estoques de curta duração. A energia sempre foi arma estratégica. A partir do momento em que a gasolina servia de suporte a uma forma de vida – também ela importada do Norte – dela não poderíamos prescindir. Se houvesse, por acaso, uma guerra em que o Brasil se envolvesse com qualquer vizinho, bastaria aos norte-americanos fechar o nosso suprimento e favorecer o inimigo. Pouco a pouco, fomos construindo pequenas refinarias, mas sempre dependíamos do petróleo bruto, e esse estava sob o controle das sete irmãs. Temos a acrescentar que a iluminação elétrica era luxo de algumas cidades. A iluminação das casas, no vasto interior, quando não se fazia com o óleo de mamona, dependia do querosene Jacaré, produzido, importado e distribuído em latas de 20 litros pela Standard Oil. Nos morros do Rio de Janeiro e nos subúrbios das cidades maiores do resto do país, as lamparinas se alimentavam desse combustível.
Impingiram-nos a ideia de que no Brasil não havia petróleo. Os gases emanavam de fendas no solo, aqui e ali, e, de alguns poços pioneiros – como o de Lobato, na Bahia – ele chegou a jorrar com timidez, mas, segundo alguns, não tínhamos o óleo. Havia petróleo na Argentina, na Bolívia, no Paraguai, na Venezuela, na Colômbia, no Peru – não em nosso solo.
A criação da Petrobras custou o suor e o sangue de muitos brasileiros. Podemos encontrar dezenas de explicações para a morte de Getúlio, em agosto de 1954, todas marcadas pelo petróleo. A sanção da lei que criara a empresa, em outubro do ano anterior, enfrentou a reação orquestrada da grande imprensa, a serviço dos interesses externos. Vargas só contava com os trabalhadores e com os estudantes, que não dispunham do poder de mobilizar os militares, como fizeram Lacerda e outros. A Petrobras, que afrontou todas as dificuldades para consolidar-se, foi recentemente mutilada pelo governo tucano, que rompeu o monopólio estatal e abriu seu capital aos estrangeiros. A iniciativa da CPI, à parte o interesse em desestabilizar o governo, visa a favorecer a entrega do petróleo do pré-sal a empresas multinacionais. Se existem irregularidades na Petrobras, há como identificá-las e saná-las, mediante os organismos oficiais de controle, como o TCU, a CGU e o Ministério Público – com rigor, e sem espetáculo.
A CPI da Petrobras provavelmente terá o percurso de um bumerangue: golpeará os que a promovem.
Por Mauro Santayana, que é jornalista.
Texto publicado no Jornal do Brasil, edição de 10/07/2009.
ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.pt.org.br.