Na entrevista coletiva que concedeu ao lado do colega argentino, Alberto Fernández, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou acreditar que seu papel no terceiro mandato, iniciado há três semanas, pode ser o de um “construtor da paz”, em decorrência de sua experiência como líder sindical. “Aprendi na minha vida política, negociando entre patrões e empregados, que quanto mais se fala, mais chance de acordos se tem.”
Nesse sentido, afirmou que tanto é contra a “ocupação territorial” da Ucrânia pela Rússia como discorda da “ingerência no processo da Venezuela”. “A gente vai resolver o problema da Venezuela com diálogo e não com bloqueio. Não com ameaça de ocupação. A gente vai resolver com diálogo e não com ofensas pessoais”, disse na Casa Rosada, sede do governo argentino.
Sem citar nenhum país, Lula criticou a postura de diversas nações que, em 2019, reconheceram Juan Guaidó como presidente venezuelano autodeclarado, sem ter participado de eleições. “Ele (Guaidó) ficou vários meses exercendo o papel de presidente sem ser presidente”, disse Lula. Declarou também que “o Brasil vai restabelecer relações diplomáticas com a Venezuela”, e defendeu que o país governado por Nicolás Maduro tenha embaixada no Brasil e vice-versa.
Estados Unidos, União Europeia e Organização dos Estados Americanos (OEA) ignoraram a presidência de Nicolás Maduro. Na época, Brasil (com Jair Bolsonaro) e Argentina (com Mauricio Macri) também reconheceram Guaidó como presidente. Entre os que apoiaram Maduro, estavam Rússia, Cuba, México, Bolívia, Nicarágua, Turquia, China e Irã.
Lula afirmou que “a Venezuela vai voltar a ser tratada normalmente, como todos os países querem ser tratados”, acrescentando: “O que quero para o Brasil eu quero para a Venezuela, respeito à minha soberania e à autodeterminação do meu povo”.
Foto: Ricardo Stuckert
Fonte: RBA