Brasília – Ao participar da formatura da primeira turma de administração da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que é preciso parar de vincular os negros à criminalidade.
“Quando mostra negro na televisão, normalmente, é sendo preso pela polícia. Agora, espero que mostrem a cara desses jovens formandos, que contem a história dos pais para formarem essas crianças que a gente vai poder passar a idéia para a sociedade de que o mundo não é apenas da criminalidade que aparece na televisão. Existem outras coisas que o negro faz, que o pobre faz e que, muitas vezes, não tem espaço necessário”, afirmou ontem (13) na cerimônia, realizada no Ginásio do Ibirapuera, na capital paulista.
Para Lula, os alunos da Unipalmares mostram que os negros estão nos bancos das universidades e exercendo profissões, como medicina, o que não se via em décadas passadas. “Eu lembro o esforço que fiz para encontrar um negro para levar para Suprema Corte deste país”, contou referindo-se ao ministro Joaquim Barbosa. A Unipalmares é a única universidade do país em que 87% dos alunos são negros auto-declarados.
“Não queremos cota. Não queremos dividir universidade de negro e universidade de branco. O que precisamos é construir um país em que todos, sem distinção de cor ou de origem social, tenham a mesma oportunidade de sentar nos bancos das universidades. Quando isso acontecer, não haverá disputa de cota”, completou Lula, que foi o patrono da turma.
Por Carolina Pimentel – Repórter da Agência Brasil.
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Pequena presença de negros na universidade é fruto de preconceito, defende Benedita da Silva
São Paulo – A secretária de assistência social e direitos humanos do Rio de Janeiro e paraninfa da primeira turma de formandos da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), Benedita da Silva, afirmou que a instituição é a prova de que a pequena presença de afrodescendentes no ensino superior é causada pelo preconceito.
“A Unipalmares é a prova cabal de que a pequena presença de negros na universidade é fruto de preconceito”, disse durante solenidade de conclusão de curso no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
Benedita afirmou que a formatura de hoje (13) é um fato novo e excepcional. Segundo ela, somente 2% dos universitários brasileiros são negros.
O também paraninfo da turma e ex-governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, classificou a construção de uma universidade como a Unipalmares como “um farol para o mundo”. Segundo ele, a universidade é uma “síntese da justiça”.
Alckmim e Benedita discursaram na cerimônia de formatura realizada em São Paulo. Além do ex-governador estão presentes na cerimônia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ministro da Educação, Fernando Haddad; os ministros da Igualdade Racial, Edson Santos; das Cidades, Márcio Fortes; do Esporte, Orlando Silva; do Desenvolvimento, Miguel Jorge; da Previdência, Luiz Marinho; o ex-ministro da Educação Paulo Renato Souza; o senador José Sarney (PMDB-AP); o atual governador de São Paulo, José Serra e o prefeito, Gilberto Kassab.
Formam-se hoje 126 estudantes de Administração, 87% deles afrodescendentes auto-declarados, segundo o reitor da universidade, José Vicente. Ainda segundo ele, os alunos entrarão para a história como membros da turma com maior números de negros já graduada em uma faculdade da América Latina.
Artistas e representantes da comunidade negra já discursaram e se apresentaram no ginásio do Ibirapuera. Várias danças e apresentações ligadas à cultura negra também fizeram parte da programação.
Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.
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Para ministro, dívida com negros ainda não foi resgatada
São Paulo – O ministro da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Edson Santos, afirmou hoje (14) que a dívida que a sociedade brasileira tem com os negros ainda não foi resgatada. Santos participou da cerimônia de formatura da primeira turma de administradores da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), no ginásio do Ibirapuera, em São Paulo.
Segundo ele, depois de quase 120 anos do fim da escravidão os negros ainda ocupam lugares desprivilegiados na sociedade brasileira. Por esse motivo, o ministro defendeu que o Estado execute políticas públicas para inserção dessa parcela da população em todos os setores da sociedade.
O ministro ainda afirmou que é necessária a participação da sociedade civil neste processo. E por isso parabenizou a iniciativa da Unipalmares, uma universidade comunitária que nasceu no ano 2000, fruto de projetos sociais voltados para a qualificação de negros para o mercado de trabalho.
“Há uma responsabilidade da sociedade civil em buscar uma saída”.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, afirmou que a educação no Brasil vive hoje outra realidade. Segundo ele “a cor da universidade brasileira está mudando”.
Para o ministro, as políticas de cotas aplicadas nas universidades públicas e a concessão de bolsas para que estudantes de baixa renda ingressem em universidades privadas tem colaborado para a mudança social, econômica e política brasileira.
Haddad ainda ressaltou que os privilegiados da turma que se formou hoje não foram os alunos negros, mas sim os brancos que puderam conviver com negros na universidade. O ministro lembrou que, durante os 15 anos que estudou na Universidade de São Paulo (USP), nunca teve um colega negro na mesma sala de aula.
Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.
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Reitor da Unipalmares defende reserva de vagas para profissionais negros
São Paulo – O reitor da Universidade da Cidadania Zumbi dos Palmares (Unipalmares), José Vicente, defendeu hoje (14) que o governo exija das empresas prestadoras de serviço uma reserva de vagas para profissionais negros.
“Essas empresas são contratadas em licitação e devem incluir negros no seu quadro de funcionários.”
Recentemente, o governador de São Paulo, José Serra, anunciou a criação de 12 mil vagas de estágio em órgãos vinculados ao estado.
Para o reitor da Unipalmares, se não forem implantadas políticas de cotas, negros não conseguirão nenhuma das vagas de estágio.
“Se não tiver um corte para privilegiar os negros, não haverá negros entre os estagiários”, afirmou.
No final da cerimônia, o reitor comemorou a conclusão do curso da primeira turma de administradores. “Agora, o negro tem voz.”
Ao encerrar o discurso, o reitor convidou os alunos a fazer uma saudação. Juntos, eles gritaram “Viva Zumbi”.
Com 87% dos alunos afrodescendentes auto-declarados, a Unipalmares é a única universidade idealizada e voltada para a população negra do Brasil.
Por Vinicius Konchinski – Repórter da Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.