O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do governador Roberto Requião lançaram nesta segunda-feira (22), em Londrina, o Plano Agrícola e Pecuário (PAP) para a próxima safra. Lula disse que está liberando R$ 107,5 bilhões para produção de 2009/2010, ou 37% a mais que o valor do ano passado e destacou: “Trata-se do maior programa de financiamento da agricultura já feito no País”.
O evento contou com a participação de cerca de 2.500 agricultores que lotaram o pavilhão nas dependências da Sociedade Rural do Paraná. Várias autoridades estavam presentes, entre elas a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, os ministros da Agricultura, Reinhold Stephanes, do Planejamento, Paulo Bernardo, do vice-governador Orlando Pessuti, do prefeito de Londrina, Barbosa Neto, do secretário da Agricultura e do Abastecimento do Paraná, Valter Bianchini, do anfitrião e presidente da Sociedade Rural do Paraná, Alexandre Kireff, deputados federais, senador Osmar Dias e lideranças da agropecuária e das cooperativas do Paraná.
O presidente confirmou que o governo federal decidiu investir com mais força na agropecuária como medida para o país sair mais rápido da crise financeira mundial. Disse também que o setor está gerando mais empregos. Revelou informações do Ministério do Trabalho de que o país gerou 131 mil empregos em maio e que, desse total, 53 mil novos postos de trabalho foram gerados pelo setor agrícola.
Para isso, não vão faltar recursos, disse o presidente. Conforme o anúncio, a agricultura empresarial vai contar com R$ 92,5 bilhões e a agricultura familiar com R$ 15 bilhões nesta safra que se inicia. Segundo Lula, o Brasil precisa das duas agriculturas e deu um recado para os agricultores familiares de todo o País, principalmente da região Norte e Norte. “Gastem o dinheiro para plantar as lavouras porque se precisar de mais dinheiro, de R$ 20 bilhões, R$ 30 bilhões ou até R$ 50 bilhões”, não vai faltar dinheiro, disse.
Por enquanto, disse Lula, o governo disponibilizou R$ 15 bilhões, porque os maiores captadores são os agricultores da região Sul do País, citando Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. O presidente revelou que a agricultura é um setor que responde rápido aos estímulos governamentais para a economia. Citou o programa de Trator Popular, lançado no programa Mais Alimentos no ano passado e disse que, desde então, já foram vendidos 11 mil tratores, cerca de 75% da produção de tratores no país.
A ministra Dilma Roussef lembrou que o País agora tem projeto firme para o setor e anunciou a agilização do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Segundo ela, o programa foi acusado de ficar só no papel no passado porque não havia políticas e projetos para o País. “Agora não o País tem mais que projetos e parte deles serão delegados ao próximo governo. “Podem estar certos que o país terá rodovias, pontes, ferrovias e portos”, anunciou.
A ministra Dilma anunciou ainda a exploração de reservas de potássio na Amazônia para produção de fertilizantes para a agricultura nacional não ficar dependente de insumos importados. Ela disse que o Brasil possui uma das maiores reservas de potássio do mundo, comparando essa riqueza com o que será gerado pelo Pré-sal.
QUESTÃO AMBIENTAL – O presidente Lula afirmou que não pretende encarar o debate que está se acirrando sobre a questão ambiental com ideologias. Ele se comparou à uma mãe que precisa atender a dois filhos, sinalizando que pretende encontrar um ponto de equilíbrio.
O presidente lembrou, no entanto, que o País tem que ter mais responsabilidade nessa questão e que se os produtores quiserem continuar vendendo a produção para outros países terão que seguir as regras da preservação ambiental, uma exigência em todo o mundo.
Lula disse que o país está em outra esfera, é chamado a participar de reuniões e comitês de países ricos e em desenvolvimento e que isso requer mais responsabilidade, do governo, produtores, empresários e da população. O presidente se referiu à necessidade de se estabelecer uma regulação que dê garantias e segurança para o produtor plantar. O ministro Stephanes disse em entrevista coletiva ao final do evento, que a orientação técnica e cientifica é que deverá orientar a decisão.
Por outro lado, o presidente lembrou também que se o país precisa conservar e preservar o meio ambiente, a sociedade como um todo necessita colaborar e pagar por isso. Destacou um programa de televisão que fez uma reportagem sobre a prefeitura de Nova York e que ela está pagando os produtores rurais da região para conservar a água que serve de abastecimento para a população da cidade. “A prefeitura de Nova York achou que é mais barato pagar para os produtores preservarem do que gastar com a limpeza e o tratamento da água”, disse.
Lula antecipou que o ministério da Agricultura está trabalhando na elaboração de políticas de reflorestamento no País. “Da mesma forma que queremos preservar, temos de pagar para as pessoas preservarem a terra”, afirmou. E completou: “Em vez de só proibir, temos que olhar para a frente e ver que é inexorável o Brasil ser o celeiro do mundo porque tem todas as condições para isso e porque as populações da China, Índia, África estão cada vez consumindo mais alimentos.
O presidente criticou os adversários do Brasil no exterior, que adotam políticas ideológicas para apontar falhas no tratamento da questão ambiental. E mandou o recado: “Não metam o dedo sujo de combustível fóssil sujo no nosso combustível limpo”, ao se referir às dificuldades e barreiras impostas ao País para exportação do álcool.
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Dilma: “novo Plano Safra é o melhor da história”
A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Roussef, disse nesta segunda-feira (22), em Londrina, que o Plano Safra 2009/2010 foi elaborado para permitir a expansão da economia e da produtividade no campo. “Fizemos aquele que consideramos ser o melhor Plano Safra da história, com incentivo ao médio produtor, ao cooperativismo e à produção ambientalmente sustentável. Este é o tripé do novo Plano”, explicou. Segundo a ministra, o governo federal conseguiu aumentar pela sétima vez consecutiva o crédito do sistema oficial de financiamento.
“O investimento em máquinas e insumos será novamente ampliado. Com isso, vamos ultrapassar a marca dos R$ 100 bilhões em crédito. Saímos de R$ 24,7 bilhões, na safra 2002/03, para R$ 107 bilhões. Com 42% mais recursos, haverá apoio suficiente para a agricultura empresarial. Por outro lado, os programas de investimento tiveram um grande acréscimo e vão contar com R$ 14 bilhões”, enumerou.
“O programa de capitalização das cooperativas agropecuárias terá mais de R$ 2 bilhões à disposição das entidades, para que elas possam enfrentar a crise e levar crédito aos pequenos e médios agricultores”, falou Dilma. “Ao lado de programas como o Programa de Geração de Renda Rural, ele garante tranquilidade para que o agricultor plante, faça a colheita com segurança e venda com calma, na hora certa e com lucro.”
Dilma afirmou que dois dos maiores desafios do século 21, para o Brasil, são a questão dos alimentos e da segurança energética. “Para responder a eles, o País tem de continuar juntando forças numa grande parceria pela produtividade. Produtividade nos alimentos, no etanol, na cana-de-açúcar. Hoje, o Brasil, é imbatível nisso. E, se o nome do desafio é produtividade, os sobrenomes são trabalho, tecnologia e pesquisa”, falou.
Segundo a ministra, o governo federal investe em obras de infraestrutura para facilitar o escoamento da produção agrícola brasileira. Falando a centenas de agricultores no lançamento do Plano Safra 2009/2010, Dilma lembrou que o país passou os últimos 25 anos sem fazer grandes investimentos em rodovias, ferrovias e portos.
“As necessidades são imensas. Por isso, ampliamos, mantivemos e duplicamos os eixos fundamentais existentes, as rodovias federais, que vinham sendo sistematicamente sucateadas. Investimos em ferrovias no Norte e no Sul do País”, enumerou, na solenidade comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
“Estamos levando a Ferrovia Norte/Sul do norte do Maranhão a São Paulo, passando por Tocantins e Goiás. Estamos ligando esse eixo de distribuição, de escoamento da produção, a todos os principais portos do País. Depois, fizemos várias ferrovias no sentido Leste/Oeste. Uma delas é a Transnordestina, que vai escoar a produção do Piauí, do oeste da Bahia, do cerrado nordestino, aos portos de Pecém e Suape. O presidente determinou que fizéssemos também a Ferrovia Integração Bahia, da região de Feira de Santana ao Porto de Ilhéus”, explicou a ministra.
Dilma revelou que o plano de ferrovias do governo federal envolve o Paraná. “Aqui, várias outras de integração estão em estudos, não só a Ferrovia do Frango e a Litorânea, mas também estradas que vão permitir o escoamento mais ágil da produção para os portos paranaenses”, disse.
A ministra lembrou que se trata de projetos demorados, que requerem paciência. “Porque essas obras demoram? Porque somos um país que não fazia projetos, não planejava, não olhava a agricultura como uma questão estratégica.” A maioria das obras faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), que está em franco desenvolvimento, segundo Dilma. “Assim, para os próximos governos teremos um horizonte. Vai ter rodovia, ferrovia e porto”, enumerou.
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Recuperação da crise deve começar pelo campo, diz Requião
O governador Roberto Requião disse nesta segunda-feira (22), no lançamento do Plano Safra 2009/2010, que a recuperação brasileira da crise financeira global deve começar no campo. “O exemplo de recuperação deve sair daqui, da terra, da nossa gente, da nossa capacidade de produzir”, disse, em Londrina, a centenas de agricultores que acompanharam solenidade comandada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os ministros Paulo Bernardo (Planejamento), Dilma Rousseff (Casa Civil), e Reinhold Stephanes (Agricultura) também participaram do evento.
“O presidente da Sociedade Rural (do Paraná, Alexandre Lopes Kireeff) trouxe para o plenário a tradução de um vocábulo na escrita nanquim da China. População, disse ele, se escreve com dois ideogramas. Um significa pessoa, e o outro, boca aberta. Isso pode, dependendo do contexto, ter relação com a fome. Mas este ideograma chinês pode significar também boca aberta de perplexidade”, explicou.
“É desta forma, de boca aberta, que nos reunimos aqui, em meio à crise global. Crise que derrubou a economia norte-americana, que se suportava na ganância terrível, no neoliberalismo mandando na economia do planeta e, por consequência, na nossa agricultura. Nossos produtores precisam se modernizar, abandonar a visão neoliberal, e crescer. A agricultura precisa, fundamentalmente, de financiamento público. Não pode ser um negócio ao sabor das bolsas de valores”, falou.
“Modernizar a agricultura significa dobrar o número de funcionários do Iapar e da Emater, transformar assentamentos em estruturas produtivas, apoiar a agricultura de todas as formas”, explicou. “Veja o Trator Solidário, que conheci numa viagem que fiz com o presidente Lula. Hoje, estamos financiando máquinas em dez anos, com dois anos de carência, a preços extraordinários, a nossos agricultores. Temos o Fundo de Aval, a Irrigação Noturna, oferecendo energia mais barata, a 16% do valor da energia urbana”, disse o governador.
“A produção do trigo tem que ser recuperada. Há algum tempo, 80% do trigo brasileiro era plantado no Paraná, na época em que quase chegamos à autossuficiência. O presidente me dizia há pouco — \Requião, temos que estimular o plantio do trigo, para não depender mais da Argentina\. Agora, estamos garantindo, por conta do Estado, o seguro agrícola. O Governo do Paraná cobre 30% do seguro do agricultor”, lembrou Requião.
“Afinal, somos um mercado, a ser mobilizado ao gosto das grandes multinacionais? Ou somos uma nação, com historia, território, cultura e o sagrado compromisso com seus cidadãos?”, questionou o governador. “Brasil nação, não Brasil mercado. Brasil nação, porque, se as cidades queimarem, os campos se levantarão e reconstruirão as cidades. Se os campos queimarem, as cidades morrerão de fome.”
O governador lembrou o discurso do ex-presidente norte-americano Franklin Delano Roosevelt, que, nos anos 1930, comandou a recuperação de uma economia devastada pela quebra da bolsa de valores em 1927 e 29. “Roosevelt sabia que a recuperação da produção agrícola era mais rápida que a da produção industrial. Sabia que a agricultura devolveria ao país a esperança”, falou.
“Um poste de energia elétrica em cada propriedade, uma galinha em cada panela, Roosevelt dizia. Um poste de energia significava a modernização da agricultura. Simbolicamente, em cada panela, uma galinha”, disse Requião. “Os agricultores americanos, com apoio do Estado e financiamentos baratos, rapidamente se capitalizaram e correram às lojas, que tinham as prateleiras cheias de mercadorias paradas. O agricultor comprava um eletrodoméstico, um sapato, um bem de consumo durável. E, com as vendas, as lojas precisavam encomendar mais das industrias, que voltavam a produzir e contratavam trabalhadores demitidos. Se restabelecia, dessa forma, o círculo virtuoso do desenvolvimento econômico.”
MEIO AMBIENTE — O governador alertou que não é possível dissociar o crescimento da agricultura da preservação do meio ambiente. “As tragédias do desequilibro ecológico estão no mundo todo. Nossa consciência tem de crescer. O sucesso da agricultura, no futuro, passa pela preservação do plantio direto, da terra, da água, da biodiversidade. Do equilíbrio da biodiversidade, da vida. Daquilo que a natureza nos proporcionou. A preservação da biodiversidade é fundamental.”
“Acima de tudo, é preciso crescermos em relação a valores maiores, que mobilizam a inteligência do planeta. Al Gore, ex-vice-presidente norte-americano e premio Nobel da Paz, disse que evoluir significa considerar a biodiversidade, que garantirá a vida no futuro no mesmo nível da produção agrícola, e investir no consumo interno do país, que precisa garantir a alimentação de seu povo”, falou Requião.
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