O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece hoje acima do desempenho registrado no segundo turno das eleições de 2022 em oito dos dez estados pesquisados pela Genial/Quaest. A conclusão é apresentada em um artigo de Felipe Nunes, CEO da Genial/Quaest, que analisa os resultados das pesquisas estaduais divulgadas na última semana e defende que a comparação entre os dados atuais e a eleição passada deve considerar o total de eleitores aptos a votar, e não apenas os votos válidos.
Segundo Nunes, parte das análises divulgadas após a publicação das pesquisas cometeu um equívoco metodológico ao converter as intenções de voto em votos válidos e compará-las diretamente com o resultado oficial de 2022. Para o cientista político, essa comparação utiliza bases diferentes e pode levar a interpretações equivocadas sobre a evolução do desempenho dos candidatos.
O artigo explica que as pesquisas eleitorais entrevistam uma amostra representativa de todos os eleitores aptos a votar, incluindo aqueles que podem votar em um candidato, anular, votar em branco ou até mesmo se abster. Já os votos válidos, contabilizados apenas após a eleição, excluem abstenções, votos brancos e nulos.
Com base nesse critério, Nunes afirma que o desempenho eleitoral de Lula deve ser comparado com o percentual de votos obtidos sobre o total de eleitores aptos em 2022, e não sobre os votos válidos.
Desempenho superior ao da última eleição
Após esse ajuste metodológico, o levantamento mostra que Lula registra hoje desempenho superior ao da última eleição em oito dos dez estados analisados. Em Pernambuco, por exemplo, o presidente aparece 6,1 pontos percentuais acima do desempenho obtido no segundo turno de 2022 entre o eleitorado total. No Ceará, a vantagem é de 4,2 pontos percentuais.
Mesmo em estados onde tradicionalmente enfrenta maior resistência, como Goiás e São Paulo, Lula apresenta desempenho estimado superior ao registrado na última disputa presidencial, com avanço de 3,3 e 1,8 pontos percentuais, respectivamente. Em Minas Gerais, o presidente repete praticamente o mesmo patamar de 2022, enquanto apenas no Paraná aparece abaixo do desempenho anterior, com 28% das intenções de voto ante 29,6% dos votos obtidos entre o total de eleitores aptos no estado.
Simulação com base nas intenções de voto atuais
O estudo também faz uma simulação com base nas intenções de voto atuais. Caso esses percentuais fossem aplicados ao eleitorado de 2022, Lula receberia aproximadamente 47,1 milhões de votos nos dez estados pesquisados, cerca de 2,2 milhões a mais do que os 44,9 milhões obtidos naquele pleito. Como essas unidades da federação concentram aproximadamente 75% do eleitorado brasileiro, o autor considera o resultado um indicativo relevante do cenário eleitoral.
Apesar disso, Felipe Nunes ressalta que o desempenho superior nas pesquisas não significa, necessariamente, vantagem maior na eleição. Segundo ele, se Lula repetisse nos demais estados os resultados de 2022, chegaria a cerca de 62,3 milhões de votos, número superior ao registrado na última disputa, mas que representaria praticamente o mesmo percentual do eleitorado total, já que o número de eleitores aptos aumentou.
A abstenção
O artigo também chama atenção para um fator que pode influenciar o resultado final: a abstenção. De acordo com Nunes, historicamente o eleitorado de Lula apresenta maior propensão a deixar de comparecer às urnas, o que pode fazer com que intenções de voto mais elevadas não se convertam integralmente em votos válidos.
Outro ponto destacado é o nível de disposição do eleitor para conceder um novo mandato ao presidente. Segundo o autor, apenas nos estados do Nordeste a maioria demonstra entusiasmo com a continuidade de Lula. Nas demais regiões pesquisadas, prevalece a avaliação de que o presidente não merece mais quatro anos de governo, o que, na visão do pesquisador, representa um sinal de alerta para a campanha.
Ao final do artigo, Felipe Nunes afirma que o principal aprendizado da análise é a necessidade de utilizar critérios metodológicos equivalentes ao comparar pesquisas e resultados eleitorais. Para ele, pesquisas medem a intenção de voto entre todos os eleitores aptos, enquanto os resultados oficiais consideram apenas os votos válidos. Por isso, conclui que qualquer comparação entre os dois cenários deve partir da mesma base estatística para evitar interpretações equivocadas sobre o desempenho dos candidatos.
Foto: Ricardo Stuckert/PR
Texto: Julinho Bittencourt
Fonte: Revista Fórum