Adital – No Dia Nacional do Trabalhador Rural, celebrado hoje (25), o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) continua com a Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, iniciada no dia 21 de julho. Dentre as ações desenvolvidas pelo movimento, estão a ocupação das superintendências do Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária (Incra) e a realização de marchas no Rio Grande do Sul e no Paraná.
Os trabalhadores exigem o assentamento das 140 mil famílias acampadas e um programa de agroindústria para assentados. Com a Jornada, eles pretendem denunciar a lentidão no processo de criação de assentamentos, as promessas não cumpridas e a prioridade do governo ao modelo do agronegócio, além da criminalização dos movimentos sociais, especialmente no Rio Grande do Sul e Pará.
Ontem (24), foi realizada uma coletiva de imprensa com a presença do jurista e professor titular aposentado da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, Fábio Konder Comparato, o integrante da coordenação nacional do MST, João Pedro Stedile e o advogado do Movimento Aton Fon Filho.
Na ocasião, entidades de defesa dos direitos humanos, como Terra de Direitos e Justiça Global, apresentaram as denúncias oficiais encaminhadas à Organização das Nações Unidas (ONU) e à Organização dos Estados Americanos (OEA) sobre o processo de criminalização do MST e a violência da Brigada Militar do Rio Grande do Sul. Oito trabalhadores rurais são acusados, pelo Ministério Público Federal, por crime contra a Lei de Segurança Nacional, datada da época da ditadura militar. A primeira audiência está marcada para 29 de julho, em Carazinho.
Em comemoração a data de hoje, o movimento no Ceará programou uma marcha em duas colunas, saindo às 7h da manhã, uma do Incra com cerca de 1000 trabalhadores e uma outra saindo da Universidade Federal do Ceará com cerca de 300 jovens. As duas colunas se encontrarão na Avenida 13 de maio e seguirão para o Ministério Público Estadual, que fica localizado na Rua Assunção. Em São Luis, haverá um ato de protesto e de confraternização, na Praça Deodoro, a partir das 16h.
A edição de 2007 do relatório Conflitos no Campo Brasil, da Comissão Pastoral da Terra (CPT) mostrou a expansão do agronegócio com suas implicações no meio rural brasileiro, entre eles, o trabalho escravo. Mais da metade dos trabalhadores libertados pelo Grupo Móvel do Ministério do Trabalho de condição análoga à escravidão, o foram de Usinas do setor sucroalcooleiro: 3.131 do total de 5.974.
Houve um aumento considerável das ações de resistência, representadas pelas 34 greves, metade delas acontecidas em Goiás. Subiu também o número de famílias expulsas da terra, pela ação do poder privado, representando 140% a mais que no ano de 2006. 259 pessoas foram ameaçadas de morte, aumentando o índice em 25%.
Os conflitos pela água também tiveram um crescimento significativo de 45 para 87 conflitos, 93%. Os assassinatos diminuíram em 28%, passando de 39 em 2006 para 28 em 2007, porém o que é mais relevante é a abrangência dessas mortes: em 2006, elas ocorreram em oito estados; já em 2007, em 14 estados. O mesmo aconteceu com o trabalho escravo que tinha presença em 16 estados em 2006 e, em 2007, passou para 18.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.adital.org.br.