Oferta de produtos inadequados leva Itaú à liderança de reclamações de clientes ao Banco Central em dezembro; Bradesco ficou em segundo lugar. Redução de postos de trabalho também compromete qualidade dos serviços
São Paulo – O Itaú foi o banco com maior número de reclamações ao Banco Central em dezembro. No último mês do ano passado, o BC recebeu 612 queixas consideradas procedentes contra a instituição, registrando índice 10,22. O levantamento aponta que a maioria (104) está relacionada à oferta de produtos e serviços inadequados ou então com informações insuficientes para a tomada de decisão por parte do cliente.
“O ranking do BC escancara os malefícios da cobrança abusiva por metas. O fato de a grande maioria das queixas ter relação com produtos inadequados e informações insuficientes revela a pressão a que estão submetidos os bancários para a venda de produtos e serviços”, analisa a secretária-geral do Sindicato e bancária do Itaú, Ivone Maria da Silva.
“Este tipo de abuso não prejudica somente o trabalhador, que pode inclusive vir a adoecer por conta da pressão excessiva, mas também o cliente, que tem diversos produtos empurrados para ele, sem que de fato conheça todas as informações necessárias para decidir se os contrata ou não”, acrescenta a dirigente sindical.
Demissões – Mesmo registrando lucro de R$ 18,059 bilhões nos primeiros nove meses de 2015, valor 20,7% superior ao registrado no mesmo período do ano anterior, o número de empregados do Itaú teve redução de 3% na comparação entre setembro do ano passado e o mesmo mês de 2014. O corte atingiu 2.642 postos de trabalho em doze meses.
“A fórmula é simples. Cobrança abusiva de metas mais demissões é igual a queda na qualidade nos serviços prestados, cujas tarifas não são nem um pouco baratas”, critica Ivone. “Existe uma distância imensa entre a realidade e a imagem que o Itaú constrói para si na sua publicidade. No comercial de fim de ano, a mensagem era que homens não podem ser substituídos por máquinas e que o banco é ‘feito pessoalmente para você’, mas na prática demite trabalhadores para investir cada vez mais nas agências digitais”, explica. “O número de reclamações só tende a crescer porque se tem uma coisa que a propaganda do Itaú tem razão é de que as pessoas querem ser bem atendidas e por bancários, não somente por máquinas.”
Incompatível – Na vice-liderança do incômodo ranking do BC está o Bradesco, com índice 8,39 e 647 reclamações consideradas procedentes. A queixa mais recorrente (199) refere-se à cobrança irregular de tarifa por serviços não contratados. Assim como o líder Itaú, o banco também cortou postos de trabalho entre setembro de 2014 e o mesmo mês do ano passado. Ao todo, a instituição reduziu em 5,21% o número de funcionários no período ou 5.153 vagas a menos – número que inclui a transferência de 2.431 funcionários da Scopus Tecnologia, uma empresa do Bradesco, para a IBM Brasil em dezembro de 2014.
No ranking do BC, o Bradesco é seguido pela Caixa, com índice 7,89 e 616 reclamações procedentes; HSBC, com índice 6,08 e 78 queixas procedentes; e Santander, com índice 5,76 e 193 reclamações procedentes.
> Caixa foi líder de reclamações em novembro
Mesmo lucrando R$ 54,8 bilhões nos primeiros nove meses do ano passado, 24,3% a mais em relação ao mesmo período de 2014, os bancos brasileiros cortaram mais de 11 mil postos de trabalho no período.
“Os lucros de Itaú e Bradesco, assim como de todos os outros grandes bancos com operação no Brasil, são incompatíveis com o corte de postos de trabalho no setor financeiro. Enquanto o número de correntistas aumenta, o portfólio de produtos cresce e os lucros se multiplicam, o número de bancários diminui. O resultado é a sobrecarga de trabalho, adoecimento e, por consequência, um serviço pior para a população”, destaca a presidenta do Sindicato e bancária do Bradesco, Juvandia Moreira.
“Os bancos estão entre os setores que mais lucram no país, têm todas as condições e diria até obrigação de contribuir com a criação de postos de trabalho no Brasil. Por isso, nossa luta em defesa do emprego continua. Temos reivindicado, por exemplo, que a reposição de vagas no Bradesco sejam destinadas a funcionários do HSBC quando for finalizado o processo de compra”, enfatiza Juvandia.
Ranking do BC – Para elaborar o ranking, as reclamações são divididas pelo número de clientes da instituição financeira que originou a demanda e multiplicadas por 1 milhão. Assim, é gerado o índice, que representa o número de reclamações de cada instituição financeira para cada grupo de 1 milhão de clientes.
Felipe Rousselet – 18/1/2016
– See more at: http://www.spbancarios.com.br/Noticias.aspx?id=13814#sthash.O3n1JZ5X.dpuf
Atividade no Itaú exige melhores condições de trabalho e mais saúde
A diretoria do Sindicato de Londrina no protesto por mais saúde na agência 109, do Itaú![]() Fim das metas abusivas e do assédio moral são dos desafios na luta contra a ganância do Itaú |
![]() A agência Lord Lovat é uma das seis paralisadas na atividade de hoje (19/01), em Londrina |
A saúde dos bancários e bancárias do Itaú é uma das preocupações levantadas pelo Sindicato de Londrina na atividade que está paralisando hoje (19/01) seis agências do banco na cidade.
Kelly Menegon, secretária de Saúde do Sindicato e representante da Regional Vida Bancária na COE (Comissão de Organização) do Itaú, afirma que com o crescimento do número de demissões aumentaram as cobranças pelo cumprimento de metas nas áreas comercial, operacional e empresarial.
“Estamos lutando contra o elevado índice de adoecimentos de ordem física e psicológica que estamos verificando nas agências do Itaú em nossa base territorial”, conta Kelly, revelando que o banco campeão em lucros é responsável pela maioria dos casos registrados pela Secretaria de Saúde da entidade.
Dos 180
atendimentos prestados pelo Sindicato em 2015, mais da metade, ou seja, 50,55%, foram de bancários e bancárias do Itaú.
“Os números demonstram, sem sombra de dúvidas, que a política de pessoal do Itaú, aliada à busca incessante por ganhos cada vez maiores e o clima de insegurança em relação ao futuro do emprego no banco, acabam afetando, com muita gravidade, a saúde dos seus funcionários e funcionárias”, avalia.
Por Armando Duarte Jr.
| ATENDIMENTOS SECRETARIA DE SAÚDE SINDICATO DE LONDRINA2015 Total de bancários atendidos: 180 Atendimentos bancários Itaú: 91 (50,55% do total) CAT’s abertas Itaú: 17 (18,68% abriram CAT) 2014 |

