Rio de Janeiro – As reduções das taxas de juros no cenário internacional não estão estimulando o gasto privado e portanto, a missão de impulsionar a recuperação econômica recai sobre a política fiscal, que tem efeitos diretos sobre a demanda. A avaliação foi feita hoje (13) pelo presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, durante a abertura do Seminário de Alto Nível sobre o Papel dos Investimentos Públicos na Promoção do Desenvolvimento Econômico e Social.
De acordo com ele, diante de uma crise financeira de grandes proporções, as políticas monetárias tornam-se transitoriamente ineficientes para o processo de recuperação das economias, em virtude da desalavancagem dos sistemas bancários, das empresas e das famílias.
“Nessas circunstâncias, a redução da taxa de juros, ainda que expressiva, e a ampliação da liquidez e do crédito não surtem o efeito normal sobre as economias, que é o de estimular o gasto privado”, afirmou ele. “Assim, a política monetária tem pouco efeito sobre a recuperação do nível de atividade das economias. Portanto, recai sobre a política fiscal, cujo impacto sobre a demanda efetiva é direto, a missão de suportar estimular a recuperação econômica.”
O presidente do BNDES ressaltou ainda a importância da realização do seminário para ampliar as discussões sobre o papel do investimento público que, segundo ele, é “central para o desenvolvimento de uma perspectiva de médio e longo prazos”.
Ainda durante a abertura do evento, o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério do Planejamento, Alexandre Meira da Rosa, lembrou que taxa de investimento do setor público no país passou de 15,3% em 2003 para 19% em 2008, tendo o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) como síntese da estratégia governamental “de utilizar investimento em infra-estrutura como mola propulsora do crescimento”.
Meira da Rosa destacou, no entanto, que o resgate do investimento público como instrumento de crescimento enfrenta desafios no país, como a “concentração de capital humano em poder dos órgãos centrais de administração, o que levou a um enfraquecimento da capacidade de execução e de reflexão setorial nos órgãos de ponta; e a hipertrofia dos órgãos de controle em detrimento dos órgãos de execução, o que leva a uma supremacia dos processos sobre os resultados”.
O evento, que vai até amanhã (14) e está sendo realizado na sede do BNDES, no Rio, tem apoio da Casa Civil da Presidência da República e do Ministério do Planejamento.
Por Thais Leitão – Repórter da Agência Brasil. Edição : João Carlos Rodrigues.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.