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Movimentos sociais fazem balanço do FST e preparam mobilizações para Rio+20

Paula Laboissière
Enviada especial

Porto Alegre – Cerca de 1,5 mil pessoas participaram hoje (28) de uma assembleia que reuniu mais de 100 movimentos sociais participantes do Fórum Social Temático (FST) 2012. Em carta, os ativistas citaram a construção de uma agenda e de ações comuns contra o capitalismo, o patriarcado, o racismo e todo tipo de discriminação e exploração.

A coordenadora dos movimentos sociais, Rosane Bertotti, explicou que o documento lista elementos em comum em meio à diversidade registrada na assembleia. Entre os destaques, temas como a democratização da comunicação, a violência contra as mulheres, o desenvolvimento sustentável e solidário, a reforma agrária, a agricultura familiar, o trabalho decente, a luta pela educação e pela saúde.

“Rejeitamos toda e qualquer forma de exploração e discriminação, seja ela no mundo do trabalho, sexista ou racial. Rejeitamos também toda forma de criminalização dos movimentos sociais e a forma como o capitalismo se reinventa na proposta de uma economia verde, achando que apenas pintar de verde um espaço vai mudar a realidade. Entendemos que, para mudar a realidade, não é só pintar de verde, é garantir direitos, liberdade de organização, democracia, proteção social”, disse.

Para o presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE), Daniel Iliescu, o FST constituiu um espaço importante para reunir ativistas de várias partes do mundo que, em 2011, deram lições de cidadania e consciência na luta pelo acesso à educação e pelo direito a uma educação de qualidade.

“O FST funciona como uma orquestra que consegue juntar diferentes opiniões de inúmeros países numa perspectiva de superar as desigualdades sociais e os desequilíbrios que hoje a gente enfrenta no mundo”, ressaltou. Entre as reivindicações do movimento estudantil brasileiro estão a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB)) para a educação, a vinculação de, pelo menos, 50% da arrecadação com a exploração do pré-sal para investimentos em educação e a valorização do professor.

O secretário-geral da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Quintino Severo, avaliou que os debates do FST ficaram dentro do esperado. “Nós, do movimento sindical, viemos para o fórum para fazer o debate junto com as outras mobilizações dos movimentos sociais, para potencializar a nossa intervenção, as nossas propostas durante a realização da Rio+20.”

A ideia, segundo ele, é fazer com que a Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) não seja apenas um espaço de debate para ambientalistas, mas que inclua nas discussões fórmulas para melhorar as condições de trabalho no mundo. “Não basta apenas produzir de forma sustentável, é preciso desconcentrar renda, respeito aos direitos dos trabalhadores, aos direitos sociais e, acima de tudo, ao cidadão.”

Já o presidente da União de Negros pela Igualdade (Unegro), Edson França, disse que a expectativa do movimento negro em relação ao FST foi superada, já que foi possível elaborar um documento com as reivindicações de todos os movimentos sociais.

“A questão racial aparece na carta porque o racismo é uma dimensão importante da opressão. Os movimentos sociais, a cada tempo que vai se passando, por meio do diálogo, vêm tomando entendimento e se sensibilizando a respeito disso”, explicou.

Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Edição: Rivadavia Severo

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Comitê Organizador confirma nova edição do Fórum em 2014

Neste ano, houve 10 mil inscritos, sendo 56% de mulheres e cerca de 38% de jovens com menos de 29 anos
17h20 | Porto Alegre
Comunicação do Fórum Social Temático

Um dia após o encerramento do Fórum Social Temático, as organizações e movimentos sociais que compõem o Comitê Organizador Local fazem um balanço positivo tanto em relação ao número de participantes, projetado em 40 mil, quanto das atividades realizadas. Programado para ser um Fórum Temático visando articular as várias redes internacionais que pretendem estar na Rio+20, o FST cumpriu seu objetivo porque trouxe a Porto Alegre mais de 3000 lideranças internacionais dos vários movimentos; ambiental, de mulheres, de todas as centrais sindicais, urbanos e, inclusive, de parte das redes sociais que atuam no tema da sustentabilidade.

O sucesso do FST se deu também porque pautou na base dos movimentos sociais o tema da Rio+20 e no próprio Governo Brasileiro que, com a presença da Presidenta Dilma, entrou de fato na preparação e organização tanto da Conferência Oficial (Rio+20), quanto da Cúpula dos Povos.

Independente do Conselho Internacional do Fórum Social Mundial optar por realizar edições descentralizadas em 2013, os organizadores do FST indicam como saldo positivo à cidade de Porto Alegre e sua Região Metropolitana o retorno de ambas definitivamente ao calendário do processo do FSM, com a garantia da realização de uma edição do Fórum Social em  janeiro de 2014.

Os números reforçam esta avaliação positiva. Foram mais de 40 mil participantes, sendo 30 mil em Porto Alegre e mais de 10 mil nas demais cidades. Houve cerca de 20 mil pessoas na Marcha de Abertura, e mais de 50 mil pessoas nos cinco shows realizados durante o evento (dois em Porto Alegre, dois em Canoas e um em São Leopoldo).

Houve 10 mil inscritos, sendo 56% de mulheres e cerca de 38% de jovens com menos de 29 anos. Entre os inscritos houve representantes de 38 países dos cinco continentes, incluindo participantes de locais como o Nepal, Burquina Faso e Guiné Bissau, entre outros.

Foram realizadas cerca de 670 atividades das mais de 800 inscritas. Os principais eventos reuniram, em média, 500 pessoas, sendo que a Assembléia dos Movimentos Sociais e o Seminário sobre “Os sentidos da Democracia” reuniram mais de 1000 pessoas.

Somente nas atividades do evento paralelo “Conexões Globais 2.0”, participaram mais de 10 mil pessoas nos quatro dias, além de outras 100 mil pessoas que acompanharam as atividades em “real time” pelas redes sociais.

Segundo o Comitê Organizador Local, o Fórum Social Mundial retornou a Porto Alegre definitivamente, com edições internacionais todos os anos pares, quando não houver fóruns centralizados.

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Coordenador do Fórum Social Temático diz que objetivos foram alcançados

Luana Lourenço e Paula Laboissière
Enviadas especiais da Agência Brasil

Porto Alegre – O Fórum Social Temático (FST) que, ao longo da última semana, reuniu 40 mil pessoas em Porto Alegre, conseguiu cumprir o objetivo de ser uma etapa preparatória para a Cúpula do Povos, a reunião que os movimentos sociais querem organizar em paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, que o Brasil vai sediar em junho,no Rio de Janeiro.

A avaliação é de Celso Woyciechowski, membro do Comitê Organizador do Fórum Social Temático (FST), que conversou com a Agência Brasil e fez um balanço dos resultados de uma semana de debates. Woyciechowski disse que as articulações feitas em Porto Alegre servirão de base para uma plataforma de propostas que os movimentos sociais vão apresentar como alternativas ao que será negociado oficialmente pelos governos na conferência do Rio. A base é a crítica à chamada economia verde que, segundo as organizações não governamentais (ONGs), pode acabar apenas repetindo o modelo capitalista sob um rótulo de correção ecológica.

Agência Brasil: Como o senhor avalia essa edição do Fórum Social Temático?

Celso Woyciechowski: Todo Fórum Social Mundial e, aqui também, essa edição temática, sempre tem expectativas e grandes possibilidades de essas expectativas serem concretizadas. Acho que esse FST concretizou as expectativas, tanto de público – tivemos mais de 40 mil pessoas participando de todas as atividades – quanto de construir uma extraordinária plataforma para encaminhar à Cúpula dos Povos, durante a Rio+20, em junho. Esse elemento temático deu foco aos debates, motivou e fez com as que as pessoas participassem mais, com conteúdo, com profundidade e, portanto, transformasse esse fórum em uma das melhores edições no que diz respeito ao debate do conteúdo e no encaminhamento das resoluções. Nós, da comissão organizadora, estamos extremamente satisfeitos, pelo conteúdo, pela riqueza dos debates que aqui foram apresentados e pelas proposições que certamente serão levadas para a Cúpula dos Povos, no Rio de Janeiro.

ABr: O FST cumpriu o papel de ser uma preparatória para a Cúpula dos Povos?

Woyciechowski: Esse era o objetivo e acreditamos que foi cumprido. Cumpriu o papel de fazer o debate, armar uma mobilização em caráter mundial e uma plataforma com possibilidade de grandes acordos para a Rio+20, por meio da Cúpula dos Povos. Acreditamos que esse debate foi construído e será aperfeiçoado e aprimorado até o mês de junho, antes da Rio+20.

ABr: A crítica à economia verde é a principal mensagem que sai do fórum?

Woyciechowski: Acredito que o capitalismo tem suas crises cíclicas, demostra seus limites e busca alternativas. Acho que esse é o momento em que o capitalismo em crise está buscando alternativas na economia verde, alternativas para se reciclar. Todos os debates aqui colocados têm trabalhado com o conceito de economia verde, o conceito de emprego verde trazido pelo capitalismo, que nada mais é do que a reciclagem do próprio capitalismo, que não tem compromisso com a sustentabilidade, não tem compromisso com o meio ambiente e trabalha na lógica, portanto, de uma economia verde reciclando e reoxigenando o próprio capitalismo. Acho que nós precisamos trabalhar com outro conceito de economia verde, com outro conceito de emprego verde, linkar muito fortemente a mudança de um sistema de desenvolvimento hoje econômico com um sistema de desenvolvimento social, sustentável, com respeito ao meio ambiente e com justiça social e distribuição de renda.

ABr: Como essa edição temática se articula com processo histórico do Fórum Social Mundial? Houve uma evolução das ideias ao longo dos anos, da crítica ao neoliberalismo em 2001 para questões ambientais?

Woyciechowski: De 2001 até 2012, temos onze anos que separam a primeira edição do FSM, que tinha um cunho muito forte de fazer um contraponto sistemático ao modelo econômico baseado muito fortemente nas grandes diretrizes que eram elaboradas no Fórum Econômico Mundial, de Davos. Portanto, o FSM cumpriu seu papel nesse período, enquanto grandes transformações no mundo aconteceram. Vamos pegar o exemplo da América Latina: tivemos grandes transformações, mudanças de curso nas gestões públicas e no modelo de desenvolvimento. E, logicamente, o FSM também precisa avançar, também precisa ter respostas para debates mais objetivos.

ABr: Como os movimentos sociais avaliaram a vinda da presidenta Dilma ao fórum, pela primeira vez como chefe de Estado?

Woyciechowski: O aspecto mais positivo foi a decisão da presidenta Dilma de vir para o FST e não ir ao Fórum Econômico de Davos. Essa foi uma decisão política extremamente acertada da presidenta Dilma e que demonstra o seu empenho em buscar um diálogo que seja alternativo, que não seja um modelo vertebrado a partir de Davos. E, para além disso, a presidenta abriu um debate franco, transparente, com os movimentos sociais, com as organizações. Ela apresentou sua vontade, sua disposição de buscar as transformações.

Acompanhe a cobertura completa do FST 2012 no site multimídia da Empresa Brasil de Comunicação (EBC)

Edição: Vinicius Doria

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